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MISÉRIA ACAMADA
Esmeraldo Lopes

Um dia me perguntaram se a miséria era genética. Saltei de espanto, mas o perguntador, sem me deixar suspirar, foi ilustrando o fundamento de sua indagação: “O avô daquele camarada ali na frente, era um miserável que se aninhava com sua família em um rancho feito de palha, levantado em terreno alheio e vivia das migalhas que o mundo lhes oferecia, conforme o dito dos mais velhos. O pai dele vivia das graças de Deus, se protegendo da chuva em uma casa-de-taipa, escutando o roncar que vinha dos buchos quebrados da esposa e da filharada mal-amanhada. Foi assim até que veio a aposentadoria para silenciar aquele barulho de fome. Agora, ele, o filho dessa sucessão de desafortunados, veio me pedir uma ajuda ligeira para acudir a fome dos filhos”. Eis aí a miséria, mas nisso não está toda a sua cara. Ela tem disfarces, e é neles que o Brasil está a tropeçar.

O caso está no seguinte caso: considera-se, pelo comum do ver, dizer e ouvir, como miserável, aquele sujeito que está na agonia da fome, na proteção de cobertura esfarrapada. Faz essa consideração o Analfabeto Sem Dedo e sua corte de oportunistas com auréola de intelectual. No suave do dizer, diga-se: oportunistas ao quadrado elevado ao cubo. Mas, por que oportunistas nesse grau? Simples, porque sabendo que o chefe é um idiota que se quer na onipotência de Deus, cabisbaixos, buscam se beneficiar caminhando sobre o rabo de sua estupidez. E na estupidez de seu vesgo mental, o Analfabeto Sem Dedo decretou o fim da miséria e da pobreza com penadas: cartão-cidadão, cota isso, cota aquilo... e mais alguns garranchos com cara de assistencialismo que chama de cidadania. Seria demais esperar dele a compreensão do que viria a ser um cidadão. Os oportunistas sabem, mas preferem o silêncio benfazejo que protege suas posições.

Perguntar-me-ão: “Onde está o erro, é certo deixar as pessoas morrer de fome, trepidar na pobreza?” A resposta é não. Mas é não, seguida do complemento: é preciso fazer com que o miserável, com que o pobre, busque deixar de sê-lo. Ao contrário disso, o que se vê é o Analfa Sem Dedo se vangloriar do ato esmolé, diante de uma massa esmolé que por todo o país se vangloria em sê-lo e esturra nos comícios, nas ruas, nas praças: “Ele é o melhor presidente, porque é o presidente dos fracos”. Gente que se auto-proclama como fraco, assume posição de covarde, e a covardia é o pasto da desgraça. Outro dia, alguém assoprou alto em meus ouvidos: “Ele pode roubar, fazer o que quiser que eu ainda apóio”. Mas esse que me fez esse falar não conta, o que conta é o mesmo ato repetido no campo do engrandecimento da pobreza humana. E nesse campo vêm até os estatísticos e “sociólogos” com tabelas rebuscadas demonstrando que a pobreza, que a miséria no país está diminuindo, que a classe média está crescendo. É que para fundamento desse babar, transformam um sujeito pelo simples ganhar R$ 600,00 em um eminente integrante da classe média: coisa de estarrecer qualquer pessoa de inteligência pouco acima da idiotia. Simples ver: retire-se a esmola, e a miseropobreza mostrará sua cara sem estampa de disfarce, só que com rebeldia. Pois a situação de miseropobreza virou condição orgulhosa, ornada pelo “tenho direito!”

O Analfa Sem Dedo se alimenta da miseropobreza, na esperança de ser um deus, e quando alguém cai nessa esperança, acabou de virar semente de cão, e acabará cão. Cão como Hitler, Mussolini, Stálin. Todos eles se fizeram poder montados nas asas do fracasso social, depois degringolaram no purismo redentorista e massacrador.

Não carrego na lembrança o nome, mas foi um filósofo que escreveu: “Quem se apóia na miséria está fadado à desgraça”. Tudo o que se apóia na miséria só tem como resultado a miséria. Ela é gerada por aqueles que se elevam acima dela, como redentores, ganham autonomia e depois passam a viver dela e nela mesma. Vem-me agora o pensar de Heráclito, filósofo grego: “Só os melhores, que constantemente provam ser os melhores e que ‘preferem a fama imortal às coisas mortais’, são realmente humanos; os outros, satisfeitos com os prazeres que a natureza lhes oferece, vivem e morrem como animais”.

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