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Identidade e absurdos de identidade
Esmeraldo Lopes

Sou nordestino e como tal, comedor de farinha. Meus ancestrais, até onde alcança a memória dos que já há algum tempo se foram, estavam na ordem dos deserdados, humilhados, maltratados pela arrogância dos donos do poder. Tanto quanto nordestino, sou brasileiro. Um brasileiro que se fez do “resto que sobrou da rapa do taxo de fazer rapadura”, como disse Darcy Ribeiro, e forjado no bico do ferrão, nas plagas da Caatinga. Olho-me e vejo inscrito no meu corpo restos de negro, de índio, de branco, resultante de tantas misturas que se foram processando no suceder da história, que não me permito classificação de cafuso, de mameluco, de caboclo, de mulato. Por isso, se quiserem saber minha raça, direi: Sou brasileiro. Nos tempos de afirmação de identidades compartidas, repudio a quem me classifica como branco, como índio ou como negro, que isso agride, elimina o índio, o branco, o negro que se estampam em mim. Minha árvore genealógica... Como eu poderia saber, se os que me fizeram pelo desejo da carne se postavam no último lugar da fila, sem reconhecimento de registro de nome em cartório? Por outro lado, qual é mesmo a importância do conhecimento dos longe de uma genealogia? Basta-me saber que sou síntese do tempo, dos prazeres e das amarguras. Costumo dizer a meus alunos: “Não há escapatória. No atrás de nós, ou há um homem submisso, desaparecido em seu ser, uma mulher estuprada por um senhor, ou há um castrador, um estuprador, um espancador”. A história que deu em mim, que deu em nós, é síntese disso. Não tenho, não posso ter ressentimento, por isso, abaixo todos aqueles que renunciam a brasilidade e reivindicam para si a condição de minoria. Os que fazem isso são coitados, se postam como fracassados, declaram-se derrotados, por isso rosnam no desejo de privilégio. Eu sou maioria, que eu sou brasileiro feito no seguir do percurso de uma longa estrada. Se eu fosse africano, europeu, asiático... estaria me afirmando com outra identidade, mas isso não me faria nem mais e nem menos humano.

Olho na história recente e percorro as imagens do horror do holocausto: carne humana torrando nos fornos, gente mutilada pelas privações, morte em vida, vida em morte. O embalo disso, o discurso racial. Foi racial, mas podia ter sido religioso - lembremos da Santa Inquisição, das Cruzadas. Podia também ter sido nacionalista, étnico - como também o foi -, de gênero ou de gay. Todo discurso de enaltecimento de identidade é perigoso, falso e carregado de preconceito rúim. Não é analfabetismo dizer preconceito rúim, que existe preconceito bom, que nós precisamos de preconceito para viver, para nos sedimentar no que somos. O problema é o enaltecimento, o orgulho que reduz os outros a nada, que fecha um povo no seu ser, negando o ser dos outros povos. Cheguei aonde queria. Sou nordestino, brasileiro, poderia ser judeu, árabe, mas antes disso tudo, a condição para ser o que sou, para que cada um seja o que é, é ser humano. Se cada um é humano, tem a propriedade do pensar, de guiar-se sob a orientação da própria cabeça e andar no equilíbrio dos próprios pés, e o dever de renunciar à identidade, e até de combatê-la, quando a condição para a sua afirmação for a eliminação física ou moral do outro. Não tomar essa posição é renunciar à própria humanidade, é tornar-se objeto de um grupo, é tornar-se besta-fera, é mergulhar no sono cego de um orgulho imbecil.

Os nazistas, os alemães que se quedaram diante deles, seus admiradores no mundo, eram bestas-fera, como bestas-fera foram todos os que aniquilaram grupos étnicos ou religiosos para se firmarem em suas identidades. Mas veja-se que ironia. Até aonde a besta humana é capaz de chegar. Os judeus foram massacrados nos campos nazistas, foram humilhados nas ruas, foram privados de si. Mas, o que vemos hoje? Vemos os judeus repetirem com os palestinos as mesmas atrocidades de que foram vítimas, agindo contra eles em grau pior de desproporção. Vê-se, entre os judeus, se repetir o mesmo comportamento dos alemães diante do nazismo: o silêncio, a cumplicidade, a colaboração nessa empreitada de besta-fera. Como então, alguém pode ter orgulho de ser judeu!? Se eu fosse judeu, repugnaria minha identidade, sentiria vergonha de mim enquanto não me desnudasse dela, e preferiria ser só humano.

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Não precisa saber inglês, nem falar a língua dos palestinos para compreender tanta indignação. A indignação de uma criança.

Clique http://br.youtube.com/watch?v=zpnszmBejmY

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