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CANTO DA CIGARRA
Esmeraldo Lopes

Se é ou se não é, não sei. Sei que o canto de cigarra é um tuiiiiiiim fino e sem parada para fôlego, que vai, vai, vai e pára. O povo fala que ela canta chupando ar, e que em seu cantar, incha, incha, até explodir se espatifando pelos lados. Não sei como o povo sabe disso, que, eu, em meu tempo de menino, ao ouvir o canto de uma cigarra, saia à sua procura no interesse de assistir à explosão. Dirigia-me na direção do tuiiiiiim e, com pouco andar, ele já havia mudado de lugar. Toda vez assim, e eu mudando de direção, mudando de direção. Cigarras, vi muitas, mas nunca tive a oportunidade vê-las em cantar e nunca presenciei o espetáculo desse tipo de explosão. Por certo, tenho a dizer que cigarras existem, mas não sei se é delas aquele cantar fino e andante, e nem se o afirmado do povo tem acontecer de verdade. A verdade é que o que existe é aquele tuiiiiiim.

Outro dia, uma mulher estava espantada. Não, para melhor tradução do estado de seu espírito, mais adequado dizer que ela estava exasperada. Baixinha, se alteava na voz de indignação: “Isso é muito sério! É muito sério! Não pode ser assim. É preciso arranjar um jeito de dizer a verdade ao povo. As pessoas acabam acreditando. Acabam não, as pessoas acreditam nessas mentiras!”. É funcionária de um órgão que se assemelha aos destroços do caos. Digamos em voz mansa: é um órgão em desfuncionamento. Não existe essa palavra na língua portuguesa? Saibam todos: o caos requer criação. Ou se cria, para bem podermos entender a ordem do caos, ou se é tragado por ele.

Há o caos dos atropelos dos acontecimentos sem conexão. Mas o caos a que se referia a mulher, é uma obra arquitetada pelas mentes finas da engenharia dos incompetentes, prepotentes e arrogantes. Sabe-se de longe, pelo dito dos filósofos, que gente que se orna com esses predicados, só consegue destaque quando erguida sobre ruínas. Gente assim, só se alça ao poder em circunstância de distúrbio mental ou moral daqueles que a escolhe. E, quando no poder – qualquer poderzinho serve -, se as coisas estão no mais ou menos de alguma ordem, toma como obra primeira, o trabalho da esculhambação. E de esculhambação em esculhambação produz o caos. E no caos a alucinação colorida com auto-apologia. Transforma-se em apóstolo de si, puxa os aplausos sem forças da corrente de puxa-sacos, e se embala em delírio diante de uma massa de omissos que acomodam seus olhares tristes no afogamento do silêncio da cumplicidade. Canta um canto monótono como o tuiiiim. Incha, estufa o peito, emposta a voz. Faz questão de que todos ouçam seu canto escandaloso. Espalham-no por todos os lugares, na forma de voz, de escrita, de imagem. Mas uma voz de mentira, uma escrita fabricada e uma imagem inventada. Embala-se nesse canto e, com ele, procura encobrir os destroços do caos. Desce o porrete da perseguição naqueles que, ao ouvir o canto, também querem ver a cigarra, que não se deixam cegar, que se mantêm com postura, com juízo atinado.

Os incautos ouvem o canto. Não se dão que há motivo para desconfiar. Em verdade, querem acreditar. Um deles, vendo um programa de televisão, cochichou para si: “Ser preso nessa penitenciária é bom”. De tanto que o canto encanta, a desgraça é transformada em paraíso. E os incautos se encantam com o canto em que tudo é só canto. Só canto e delírio. Canto e delírio acompanhado por um couro de milhões de vozes de serviçais.

É, minha cara companheira de infortúnio, é preciso fazer alguma coisa, mas saiba: a mentira e a farsa sempre vencem, que elas envelheceram com os disfarces que enfeitam o cão.

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