Árbitro relata pedra e ofensas de Diego Souza, mas não cita pênalti polêmico.
Tite elogia Bélgica e admite favoritismo do Brasil: "Pela história e o que vem fazendo"
Maioria das mortes violentas em SP é causada por conflitos interpessoais ou pela polícia.
Renca: governo revoga decreto que liberava mineração em reserva na Amazônia

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 1/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 2/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 3/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 4/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 5/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 6/6
A SACROSSANTA
Esmeraldo Lopes

Não faz diferença se sai da boca de político, de religioso, de moralista ou de algum tipo afogado no meio do povo. A irreflexão se anuncia no ditame do mesmo refrão: “família é tudo”, “a família é a célula mater da sociedade” “família é sagrada”... Tomando esse mote, tem gente que se põe horas e horas a gastar saliva soltando barulho oco sobre o mundo, para exemplificar e reafirmar as virtudes dessa entidade divinizada. Nisso, o que atrai minha admiração é que, essa gente, além de aparentar convicção de ferro, atrai audiência de ouvidos atentos. Mas, avaliando bem, essa atenção não é puxada porque o refrão tenha amparo no que é, mas porque é o que se deseja, diante do que a família não é e nem nunca foi.

A família nasceu sob o manto da opressão, como recurso de necessidade de existência, sem essa auréola sacra que mais tarde o artifício da mente desenhou. No cru mesmo, o que a mantinha era a dureza da vida; a necessidade de enfrentamento dos perigos; a mão-de-ferro do chefe, como recurso garantidor da estabilidade, obtida por meio da submissão plena dos demais membros; o impedimento de qualquer suspiro de privacidade; a sujeição completa a outras famílias, ou o uso brutal da violência como mecanismo de manutenção e conquista de respeito. Cada família via em si mesma toda a humanidade, fechando-se cega em torno do cultivo da honra e da defesa de seus membros. A suposta auréola sacra de que falam, só pode ter sido fornida com sangue, dor e brutalidade.

Houve mudanças no suceder da história. A esfera pública invadiu a esfera privada; oportunidades de ganho de vida sorriram para os indivíduos. As leis castraram o poderio da família, levando ferrugem à mão-de-ferro, e aí, o buscar de si próprio de cada um. Afinal a civilização. No lugar da mão-de-ferro, a autoridade moral, as normas, regras e valores difusos. A família se sustentando nos pilares da pregação do respeito, da tolerância, do compromisso, da compreensão, da aceitação. Os sonhos e desejos de seus membros se desfraldam na direção do infinito. Frustração inquieta, um buscar louco, exasperado, sem tino. Os choques, os desencontros, o dissipar. No lugar da opressão do mão-de-ferro, a dor da alma cabisbaixa que assiste, um tipo de respeito conivente, envergonhado. Pior se for sem vergonha. Família: mera unidade de sangue, pontuada pela linha de ascendência e descendência. Um aglomerado costurado pela biologia e firmado pelo descompromisso batizado com o nome de aceitação. Sua auréola sacra, ornada com doses de romantismo, de respeito, de tolerância, de compromisso, de compreensão, não é senão o ópio dos impotentes, dos que fazem leito à irresponsabilidade acobertada. Divindade cega, se posta na defesa intransigente de seus membros, pela desconsideração absoluta da razão. Por isso, eu digo que família é, quase sempre, uma associação para o mal.

Voltar
escort bayan
Júpiter.com.br - Esmeraldo Lopes - Todos os direitos reservados