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RECEITA DO SUCESSO
Esmeraldo Lopes

Esmeraldo Lopes

Não tenho o aspecto amarelado, comum àquelas pessoas que vivem agarradas nos livros, mas os freqüento com regularidade. Sempre dei certa atenção aos filósofos, e uma coisa que me chama a atenção a respeito das conclusões que eles vão tirando do saldo de suas reflexões é que, nas relações humanas, a malvadeza vence como sem dúvida. É que a maldade se orienta por um único princípio: o se dar bem; e aquele que toma essa orientação como rumo de vida não consegue ver além de si mesmo, transformando tudo o mais que possa existir em objeto de sua manipulação, para a satisfação de suas vontades e desejos, sejam eles quaisquer que sejam. Por outro lado, quando alguém dirige sua conduta pelo vislumbre do bem-estar social, ou pelo respeito à observância da condição humana, está fadado à condenação da solidão, e o silêncio da solidão é o melhor lugar onde pode dar abrigo às suas angústias. Nunca vence, e se aparece rodeado pelos floreios da glória, isso é só impressão. Uma olhadela laboriosa logo detectará os que se orientam por princípios inversos a transformá-lo em presa, a consumi-lo em vida e na morte, até o último fiapo de suas sobras.

A não ser que quase todos os filósofos estejam errados, os homens sérios só prestam para servir de exemplo. E servir de exemplo depois da morte, que no transcurso de suas vidas revelam-se como perigosos, pelos exemplos, pelas posições, pelas ações, pelo proceder em suas existências. O pior de tudo, é que estes são punidos ainda com duas mortes. A morte vinda nas asas da natureza, pelo falecimento do corpo como qualquer animal, e a outra, deveras penosa e covarde, representada pela apropriação de suas almas, depois destas serem falsificadas e moduladas dentro das conveniências dos malvados, dos otários, para a veneração do grande rebanho de imbecis. Mas falta dizer aqui que chamo de homem sério. O homem sério não é aquele que se pauta pelas orientações das leis só porque elas são leis, e nem da moral, e nem dos preceitos prescritos pelo costume, ou seja, não é aquele que se comporta. O homem sério é aquele que age, ouvindo a voz do seu próprio escutar, do seu próprio avaliar, tomando como parâmetro o bom viver entre os outros e dos outros entre si, tomando como pátria a condição humana. Não é nem santo e nem diabo, é simplesmente homem, e como humano se bate na vida, lamentando pelos absurdos que já fez, e mais ainda pelos que fará. É ‘juiz penitente’, no declarar de Albert Camuss. Não se cala e nem se dobra, e se essas atitudes aparecem na manifestação do seu ser, elas não passam de prudência em curto tempo, enquanto recupera a condição para a luta. No meio da multidão está sempre só, porque pressente que nada o liga aos que se conduzem meramente pelas sensações: os malvados, os otários e os imbecis. E ouve o insistir da massa destes: “Tenha jogo de cintura”; “Assim você vai se dar mal”; “As coisas são assim mesmo”; “Deixe de ser radical”; “Seja flexível”, e mostra a montoeira de fios com os quais se tece o tecido da esteira da covardia. Mas, quem quer se assumir como covarde, como alguém que só quer se dar bem, como farrapo humano? Poucos, tão poucos que esses acabam por merecer atenção de respeito, pelo ato heróico de se auto-reconhecerem como meros animais no mundo. A grande maioria, quase todos, foge disso. Aprendeu na Bíblia que com o verbo fez-se o mundo. Recorre ao verbo, e com ele dignifica o ato indigno, enobrece a covardia, entra no justificar de qualquer coisa. Palavras de ordem: vencer, se estabelecer, progredir. A estratégia: calar, consentir, bajular, não contestar, se submeter, praticar tudo para alcançar o resultado desejado. Atitude psicológica: inteligência emocional. O saldo disso tudo é um defunto ou um malvado revestido com a capa de bem-sucedido, mas que não se investigue o caminho que ele percorreu para atingir o sucesso. E os aplausos vão sempre para ele, pois é nas mãos dele que está o troféu.

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