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Mamulengo, marionetes e mentecaptos
Esmeraldo Lopes

As marionetes encantavam nossos olhos. A habilidade de seus manipuladores deslocava nossa atenção para os bonecos de madeira que ganhavam vida, com seus passos rápidos, com as sacudidas de braços e mexidas de cabeça. De repente não existia mais o manipulador, só a marionete. E o manipulador ia narrando as intenções da marionete. A gente sorrindo, sorrindo. O manipulador fazia uma pausa para anunciar o remédio-panacéia. A gente esperava o próximo seguir da apresentação. Mas, às vezes as marionetes eram deixadas em abandono. Um outro espetáculo lhes roubava o público. Era o mamulengo. A gente só via os bonecos. O manipulador ficava em escondido grande. Os bonecos iam falando, contando casos, brigando, se esmurrando, falando das coisas das vidas deles, chamando a gente para testemunhar, nos perguntando, aperreando as pessoas que se importavam com apelido. No fim de tudo, sobrava a risada, que todo mundo sabia ser aquilo uma brincadeira feita com o uso de bonecos. Bonecos, produtos de fabrico de mãos. Mas esses bonecos ganhavam personalidade e se posicionavam em tudo por tudo sem arredar dela.

Mamulengo, marionetes ganharam abandono. O sofisticado da vida os exilou em museu. O centro da cena agora são outros personagens: os mentecaptos. O mamulengo, as marionetes, eram coisa de ocasião. Apareciam pingados no tempo. A raridade de seu acontecer, o extraordinário do desenrolar das histórias atraíam a atenção. Os mentecaptos não. Os mentecaptos são pobres, vulgares, falsos, sem personalidade, sem posição. Esparramam-se nos dramas do dia-a-dia, se fazendo presentes em todos os lugares, segundos, minutos, horas, dias... Não são feitos de cera, não são feitos de madeira, não são feitos de barro. São feitos no feitio de fabrico de gente. Alisam bancos de escolas, assinam sentenças, fazem leis, ocupam postos de professor e até portam títulos de graduados, de mestres, de doutores. E todos reivindicam para si a condição de “civilizados”.

Os mentecaptos são incapazes de ação. Agir implica caminhada no seguir do projeto do próprio pensar, se debater contra as adversidades do que está instalado, independentemente dos riscos a correr. Só age quem é capaz de se angustiar e só quem é capaz de angústia é aquele que está vivo. Está aí a coisa: os mentecaptos fogem da angústia, da possibilidade de correr riscos. Só sabem caminhar por vias já abertas. Querem a segurança de alguém que lhes aponte a estrada, que lhes ofereça proteção, que se responsabilize por eles. Por isso, ao invés de agir, se comportam. Comportar-se é seguir as regras do estabelecido, cumprir a ordem do chefe da ocasião, se manter no estabelecido. O máximo que os mentecaptos são capazes, como sombra de protesto, é a fofoca, o ardil tramado nas galerias dos esgotos fétidos. Todo o projeto de vida dos mentecaptos se resume à posse de bens, à manutenção de um posto, de algum privilégio. Toda a dignidade dos mentecaptos acaba nisso: carro, casa, conta bancária, privilégios. São mortos-vivos, sombras de mamulengo, de marionetes. A maioria dos mentecaptos têm suas personalidades inscritas pelas circunstâncias, mas há os outros, os que têm personalidade de mordomo de vampiro. Estes não arredam, mantêm-se sempre fiéis aos chefes, justificando seus atos, quaisquer que sejam eles, auxiliando-os, defendendo-os.

Os mentecaptos vêem as pessoas de ação com desconfiança. As chamam de radicais, as caluniam no escondido das galerias dos esgotos, é claro. É que as pessoas de ação lhes denunciam, lhes mostram o quanto são ridículas, o quanto são inconsistentes, o quanto fazem mal ao mundo, trazem suas faces à claridade do tempo.

Lamento, lamento, lamento que pessoas que no passado recente assumiram posições elogiosas, de aparente consistência, agora se revelam como verdadeiros mentecaptos, desfazendo discursos, pisando nos princípios que defendiam, defendendo o que antes combatiam, silenciando diante de absurdos, deitando-se na esteira cúmplice da bandalheira. E nem se envergonham. É o que se vê aqui, é o que se vê no Brasil.

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