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CASAS-DE-RALÉ
Esmeraldo Lopes

Não importam as intenções, não importam os discursos, não importam as metodologias, linha pedagógica, estrutura dos prédios e nem a natureza jurídica. O resultado está aí estampado: as escolas foram transformadas em casas-de-ralé. Vá lá que uma ou outra não perfile na linha dessa direção, mas isso é exceção.

Não é preciso esforço para a constatação da desgraça. Basta vigiar sem pouca atenção o comportamento da maioria dos “estudantes” caminhando na rua. Não carregam nenhum sinal de brio, de busca, de construção de caminho qualquer. Neles não se denota nenhum sintoma de esforço. Até aqueles que se alimentam com o sonho de alguma conquista tomando como caminho o estudo, acabam caindo em relaxamento, e se vão despencando. Talvez na intenção de serem reconhecidos como “estudantes”, de se parecerem com os colegas. Pela forma como se põem a vestimenta, pelo caminhado, pela linguagem, pelas músicas que cantam e escutam, e por tudo o mais que seja passível de observação, percebe-se que apenas pisam no pisado vulgar do existente. E assim adentram na escola. Escola? Não, engano, casa-de-ralé. Daqui para a frente, usarei essa expressão para me referir ao ambiente que deveria se prestar à educação, para preservar a imagem embutida no nome escola

As casas-de-ralé são o abrigo seguro para a indisciplina, alimentação e produção de atitudes grotescas. Dentro delas, uma tropa de pedagogas e de “trabalhadores em educação” estão sempre a postos para servir aos “estudantes”, através da compreensão sem limites e da tolerância absoluta. A palavra de ordem desse empreendimento é seduzir, atrair. Norma? Não. Qualquer algo que se pareça com norma é de pronto taxado como repressão. E os “estudantes” pipocam em suas vontades desenfreadas, reproduzindo, produzindo e aprendendo todas as imposturas do abecedário da bandidagem. O espaço destinado à aula transforma-se em cenário de chacota contra o “trabalhador em educação”, que, vez por outra, se põe a chorar, e, se a agressão vai além do que pode suportar pelas lágrimas, recorre às autoridades da casa-de-ralé, que ouvem a reclamação ao mesmo tempo em que retrucam reproduzindo o estribilho dos irresponsáveis e impotentes: “Você tem que cativar os alunos. São jovens, a gente tem que entender. É preciso levar com jeito”. E o infeliz do “trabalhador em educação”, que se diga, não tem nenhuma condição de ser professor, se encolhe e exclama: “Tenho que suportar”, e suporta. Suporta até o ponto de perder qualquer vestígio de dignidade humana. Enquanto isso a “estudantada” vai se lastreando na vagabundagem, e por fertilizar bem o ambiente com o adubo do desregramento, os bandidos já feitos recorrem às casas-de-ralé para se reforçarem e forrarem seu pasto. Como o discurso predominante é recuperar, oferecer oportunidade, e a lei se põe a esse serviço, eles não só acham abertas as portas das casas-de-ralé para que possam entrar sem impedimento nenhum, como também se transformam em alvos de atenção e tratamento especial, pois são considerados vitimas em busca da inclusão social.. Enquanto isso, o estudante, o que de fato o é, cala, se amedronta e se vê forçado a se colocar na categoria de cúmplice da bandalheira.

Nas casas-de-ralé não há lugar para decência, respeito, educação e muito menos para professor. Quando um ou outro dos que postulam a condição de professor se investe no comprometimento da função, torna-se suspeito de incompetência e arrogância. É que nesses ambientes, a pedagogia orientadora das ações induz a um tipo de trabalho miraculoso onde o estudante deve ser levado a aprender sem estudar, sem nenhum tipo de sacrifício e auto-investimento. A presunção dessa estranha orientação pedagógica é que o conhecimento é adquirido por geração espontânea ou por um tipo de graça divina e se estrutura em cima de frases do tipo: “Respeitar a expressão dos alunos”, “Educação de acordo com a realidade”, “Escola com a cara da comunidade”, e daí em diante, de besteira em besteira, vai. Nesse contexto, qualquer atitude de cobrança, de repreensão a “aluno”, quando não é imediatamente respondida com agressão direta, é facilmente classificada como constrangimento, como procedimento antipedagógico e o seu responsável possivelmente terá que se justificar para algum pai raivoso e estúpido, quando não cai nas mãos de algum promotor. O “trabalhador em educação”, dentro dessa perspectiva é transformado em uma babá, cujo papel principal é se empenhar na elevação da auto-estima do magote que se posta diante dele, mantendo-o na condição do seu já ser. Nisso que nisso, a única elevação que há no comportamento da “estudantada” é a do desmazelo, e toda a instrução a ela dirigida caminha na trilha da manutenção e normalização dos costumes da ralé, de uma ralé desinibida, desenfreada, orgulhosa de suas descomposturas e de sua feiúra.

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