Nem tão distintos: Renato e Zidane brilham no comando com vestiário na mão
Preço médio da gasolina fica praticamente estável na semana, acima de R$ 4 por litro, diz ANP
Volkswagen Polo 1.6 x Fiat Argo 1.3: comparativo
Maranhão possui maior proporção de pessoas em condições de pobreza extrema, segundo IBGE

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 1/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 2/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 3/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 4/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 5/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 6/6
MST, CONTRA INDICAÇÃO PARA A CAATINGA
Esmeraldo Lopes

De início esclareço: sou a favor de uma reforma agrária e fui simpatizante das ações do MST. Minha simpatia por esse movimento ganhou ponto final quando, convidado para fazer uma falação para assentados em uma fazenda no município de Santa Maria da Boa Vista – PE -, deparei-me com o mais profundo quadro de vandalismo, representado pela depredação das instalações físicas da propriedade. Logo a caminho, ao perceber várias mulheres se deslocando até o rio portando apetrechos de carregar água, perguntei a um dos assessores do MST do que se tratava. Ele, na maior cara de pau, falou que os assentados haviam detonado o sistema de irrigação. Vi parreirais morrendo, pés de manga secando. Dias depois encontrei-me com um velho conhecido que se havia assentado na Fazenda Varig e ele disse que lá ninguém podia viver em paz e nem produzir porque a bandalheira era grande. Botei-me em estado de atenção e, de lá para cá, caí na profunda convicção que o MST é a planta da inconseqüência, para não dizer, da vagabundagem.

O grito por reforma agrária vem de longe, e nada mais necessário que sua efetivação. Foi nessa vaga que entrou o MST, que de início era coisa séria, mas que depois entrou em processo de degeneração cancerígena, atingindo, no presente, o cume do oportunismo e da irresponsabilidade. Seus líderes são como loucos, que vêem em todos um milionário, um alguém que deve ser rapinado pelo simples crime de não estar em suas fileiras professando o credo dos “excluídos”. A seus olhos, um bandido tem maior valor que qualquer pessoa outra, pois conforme me disse um desses aloprados, “o bandido é uma vítima que deve ter seus direitos recuperados. Por isso a sociedade deve tolerá-lo”.

O primeiro ato do MST, ao arrebanhar gente para seu séqüito, é a despersonalização. O sujeito que estava lá no seu “eu”, quando cai na lorota deste movimento, de uma hora para outra, deixa de ser o que era e muda em tudo. Rompe com os relacionamentos anteriores, passa a tomar seus vizinhos como inimigos e a se estrangeirizar nos rótulos que o movimento lhe impõe. Muda seu olhar, suas conversas e até o jeito de andar e fala com orgulho: “Sou Sem-Terra”. Por último deram, estes que se dizem Sem-Terra, até para exibir uma carteirinha, quando andam a sós, pois que quando em bando empunham foices e procuram distinção no uso de um boné vermelho. Mas o que quero dizer aqui é que do seu estrangeirismo e oportunismo, se puseram na convicção que a Caatinga pode lhes dar suporte.

Apegando-se ao conceito de terra improdutiva, deram a pleitear e a invadir as terras de algumas fazendas na Caatinga sob o argumento da improdutividade. Como se trata de um movimento que se imbecilizou no fanatismo, seus membros não se dão conta da particularidade da Caatinga e que com seus pleitos e invasões acabam por não só prejudicar os caatingueiros, que são aqueles que vivem da e na Caatinga, como a queimar ainda mais a sua imagem, firmando-se como verdadeiros vândalos.

Os caatingueiros vivem no rigor da natureza, na escassez de meios que dão suporte a suas vidas e às suas atividades. A maioria não possui terra em quantidade suficiente e se possui rebanho é porque este se alimenta nas terras de fazendas abandonadas. Sendo assim, as fazendas abandonadas não são improdutivas, visto que dão suporte alimentar ao rebanho de um sem número de pequenos proprietários. O que se deve reivindicar, então, é que as terras dessas fazendas sejam desapropriadas e tornadas pastos livres para os criadores que as circundam. Mas o que é que fazem os “artistas” do MST? Invadem-nas ou as pleiteiam para assentamentos, cuja lógica deixaria qualquer louco com inveja da maluquice do raciocínio. Reivindicam que as áreas sejam divididas em lotes de 50 hectares, às vezes até menos. Talvez seja para criar grilo, formiga ou qualquer coisa assim. Vejamos. Um caatingueiro, que não esteja aposentado, para não passar muita privação na Caatinga, tem que criar pelo menos 300 cabeças de criação. Para isso precisaria de pelo menos 600 hectares, na lógica da criação extensiva, segundo estudos do INCRA, da EMBRAPA e do IBAMA. Esse cálculo leva em consideração o aspecto econômico e o equilíbrio ecológico. Na atual situação da Caatinga não existe nem uma coisa e nem outra, pois que o rebanho já é muito superior à sua capacidade de suporte e os caatingueiros vivem na linha mínima de sobrevivência. Pelo menos é assim no Médio e no lado baiano do Submédio do São Francisco.

Pelo sistema de criação ser extensivo, o que pressupõe um refinado tipo de relacionamento baseado em relações de vizinhança e vínculos de parentesco, a intromissão de muitos elementos externos detona o equilíbrio das relações sociais em um piscar de olhos, elevando absurdamente o índice de violência e inviabiliza continuidade do sistema, dado que como já há superpastejo, com a introdução de mais animais, faltará pasto para todos. Mas o MST não faz conta de nada e investe nessa obra de destruição. De destruição dos caatingueiros, que já estão na necessidade de amparo, e da ecologia. Como por enquanto ainda não têm animais, vivem de cesta básica, perambulando pela Caatinga matando o resto dos animais silvestres que nela se refugia. Aliás, nisso são craques. Mas não apenas detonam a Caatinga pelo morticínio dos animais silvestres. Estão se especializando no corte das árvores para comércio. O impressionante é que tudo isso fazem sob a capa de um discurso presumivelmente progressista, humanista, contando com o apoio, por ação ou por omissão, de pessoas que se dizem preocupadas com a ecologia e com sustentabilidade das relações sociais na Caatinga.

Caso o governo não coloque a cambada do MST para fora da Caatinga a toque de caixa, o que veremos será a desgraça, pois que logo que terminarem de receber os recursos que a eles serão destinados, a abandonarão, deixando atrás de si o rastro da destruição e da desorganização, como fazem as pragas. Por que isso? Primeiro, porque os Sem-Terra abandonarão a Catinga, por não suportarem viver dentro dos limites que ela lhes imporá; segundo, a Caatinga fenecerá, pois não agüentará esta intromissão, pela sua debilidade ambiental.

Voltar
escort bayan
Júpiter.com.br - Esmeraldo Lopes - Todos os direitos reservados