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PROFISSÃO PROFESSOR
Esmeraldo Lopes

“O professor não é reconhecido”, “É preciso reconhecer o trabalho dos professores”, “Para melhorar a educação é preciso melhorar o salário dos professores”. Estas frasezinhas batidas se repetem sempre que alguém se refere à falência da educação ou à necessidade de superar as dificuldades do país. Eu, como professor, como alguém que está no olho do redemoinho, as escuto sem dar muita importância. Tenho a profunda convicção que para melhorar a educação é preciso bem mais, e para bem mais temos que começar por fazer professores, porque a massa do que está aí recebendo o rótulo de professor não passa de um bando de peniqueiros. Falei massa, que decerto há uma minoria insignificante em quem a pecha de peniqueiro faria injustiça. Não sei se em dez por cento, na melhor das estimativas, dos que estão “regendo” classes caia bem o nome de professor. Talvez, e sabiamente, por isso, as entidades que representariam os professores resolveram utilizar a denominação de Sindicato, ou Associação dos Trabalhadores, ou dos Servidores em Educação. E todo mundo que adentra os portões de uma escola para trabalhar é colocado na mesma situação, sem distinção. E isso vem carregado pelo embalo de fundamentações “democráticas”, equalizadoras. Desmancham-se as hierarquias, desfazem-se as distinções, e assim também as funções. Para isso concorrem dois partidos que se misturam no mesmo balaio. O primeiro é o partido dos irresponsáveis estatais, tendo à frente os vários presidentes da república, os governadores, os prefeitos, enfim, os do Estado, que no afã de “atender” as demandas por educação entram na estratégia do vale-tudo. Do vale “professor” de educação física ministrando aula de física, “professor” de português ministrando aula de filosofia, facilitar formas de preenchimento das vagas, criar cursos vagabundos de formação de professores, e assim vai. O segundo partido, é o partido dos fuleiros, na frente do qual estão os sindicatos e as associações da categoria, tendo por caudal uma reca de impostores. O partido dos fuleiros se caracteriza por, se amparando na esteira da irresponsabilidade estatal, deitar discursos homologadores de relaxamento, se agarrar a um corporativismo cego, ao atribuir as responsabilidades por todos os desandos ao “sistema”. Adota assim, uma política que ao invés de resistir à irresponsabilidade do Estado, a complementa. E faz isso ao não combater as imposturas de seus representados, ao não combater o adentramento e permanência nos quadros do magistério de gente sem o devido perfil.

Como uma pessoa se torna professor? Do mesmo jeito que um cachorro entra em uma igreja. A diferença é que o cachorro não se mete a professar missa, e o nada-educacional que entra na escola acaba “professor”. Essa uma das causas do baixo nível da educação. Por isso não se diga que a miséria educacional acontece apenas por causa de salário baixo, pois conheço algumas instituições que pagam salário significativo e que, no entanto, dormitam no nada. Quase todos os seus “professores” se aquietam no imobilismo intelectual, não se dão conta de seu papel social e dirigem suas ações puramente para o próprio bem-estar material. Eu disse material, porque nem de longe se preocupam com o bem-estar moral, já que são vistos pelos alunos como campeões da enrolação e de mau-caratismo.

Qualquer um que penetre no sistema educacional logo recebe os louvores dos representantes do partido fuleiro, e este, apoiando-se em uma palavra que virou palavrão, reclama silêncio absoluto contra qualquer ação que ofereça combate a vagabundagem nutrida por membro de seus quadros gritando “ética, ética, ética profissional”. Não conheço e nunca ouvi falar, nos meus vinte e cinco anos de magistério, de nenhuma ação de sindicato ou associação de professores tentando expulsar vagabundos de seus quadros. E se isso não acontece é porque a categoria está dominada pelos nada-educacionais, que se auto denominaram trabalhadores em educação, porque se tivesse dominada por professores, decerto estes, para cuidarem de sua imagem, tomariam as devidas providências.

Olhem para o que acontece dentro de uma escola, comecem pela entrada, e vejam como caminham, como se vestem, como falam, do que falam e com o que se preocupam os chamados trabalhadores em educação. Marcam-se pela indolência e de nenhum modo se distinguem de trabalhador qualquer. Diante deles, nas salas de aula, os poucos alunos que buscam se iniciar nas aquisições da humanidade, se quedam em decepção, com suas potencialidades tolhidas. Os alunos da folia fazem a festa indisciplinar, se qualificando para preencherem os quadros da marginalidade.

Ah! Há os trabalhadores em educação que são bacaninhas. Embora carregados de incompetência, são eficientes. Os eficientes são sempre incompetentes. Assíduos, pontuais, ministram aquelas aulinhas esquemáticas, com muito osso e carne alguma. Não se envolvem nunca. Andam a olhar por baixo, se movendo no silêncio das formigas. Não se expõem. Pensam que se distinguem da turba, mas não conseguem. Não se responsabilizam por nada. Quando questionados sobre sua omissão, respondem: “Não é o meu trabalho”.

Ironia. Esses mesmos trabalhadores em educação, que fazem tanta questão de nada serem, além de meros empregados, ao se darem conta que a sociedade lhes devota estima tão baixa, dizem: “O professor não é reconhecido”. Estão errados. O professor é reconhecido, sim. E digo isso apoiado na estima que os bons alunos devotam àqueles que, de fato, são professores. É verdade que estes, têm que calar, que se armar de estratégias, com medo da turba que invadiu seu território, que estão submetidos às mesmas condições salariais e de trabalho dos trabalhadores em educação, por isso aviltados e sem condição de luta eficiente com o apoio da sociedade. Quem não é reconhecido é o trabalhador em educação, é essa turba de gente espalhafatosa que joga toda a responsabilidade pelos desmandos educacionais na irresponsabilidade do governo. Digo mais, como a sociedade, o governo poderia atribuir estima a quem não a tem? Como distinguir quem não se distingue? Isso seria um ato de demência.

Não sorriam os dirigentes educacionais. Estes, na maioria absoluta, são recrutados no meio da turba, comprados ao preço da conivência.

Concluo. Realmente é preciso reconhecer melhor o trabalho dos professores, melhorar seus salários, dotar-lhes de melhores condições de trabalho, mas antes é preciso distinguir professor de trabalhador em educação.

Para melhorar a educação do país, é preciso fechar as faculdades vagabundas, estabelecer melhores critérios quando do recrutamento de professores e observá-los com atenção durante o estagio probatório. Como primeiro passo, uma vez identificados os professores, colocá-los para trabalhar conjuntamente nas mesmas escolas, para a criação de centros de referência, delegando a estes, e apenas a estes a missão de efetuar a seleção de todos os que venham a ocupar um lugar no sistema educacional. E esta política não pode ser de governo, tem que ser de Estado. Só assim poderemos ter e reconhecer a profissão de professor.

Quanto aos trabalhadores em educação, deixe-os relegados a plano inferior, que é o seu lugar. Se dentre eles, alguém se sentir capaz de se transformar em professor, que conquiste a posição, que procure sair da indolência.

Eu sei que vai chover repúdio contra mim, mas aviso: lubrifiquem as goelas, que não temo inquisição e nem latido de intrusos.

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