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CONSCIÊNCIA, A PANACÉIA CIVILIZATÓRIA
Esmeraldo Lopes


Depois de milhares de anos de existência da humanidade, foi descoberta a solução para todos os problemas de convívio social: a consciência. Antes desta magnífica descoberta, a humanidade se armou dos mais horrendos meios para conter os atos malfazejos de seus membros, que impelidos pela cobiça, pelos instintos, pelo ódio, pelo relaxamento, pela busca de prazer a qualquer preço, soltavam a fera que tinha dentro de si, sem piedade, ou sem atenção. Entre os meios de contenção da fera humana estava a tortura, o confinamento sem julgamento, a incineração... e uma parafernália de recursos cruéis, ao ponto de um médico, condoído pelos sofrimentos infligidos aos condenados a degola, resolver criar a guilhotina. Em qualquer situação punitiva, o que se ensejava era o refreamento das ações criminosas.

Os romanos, sentindo a necessidade desse controle externo, cunharam a máxima: “seja feita justiça e que o mundo pereça”. Diante da infração, piedade, perdão, sem lugar. Lugar agasalhado só para a frieza da aplicação da lei. Os indivíduos tinham que entender que havia uma força externa a eles. Que essa força impunha a eles a necessidade de atenção em seus atos. . E todos teriam de se conter na faixa dos limites estabelecidos, sem nenhum tipo de desculpa abonadora. Não se pode dizer que foi de outra forma que nasceram e se mantiveram as civilizações.

Eis que muitas pessoas começaram a se civilizar demais. Passaram a se lambuzar com o humanismo sem fronteira, e não suportaram conviver com a frieza da lei. Quedaram em condolência diante das punições infligidas a infratores. Empunhando a bandeira dos “direitos humanos”, abriram um verdadeiro oceano de tolerância. Alegaram ignorância, incapacidade de cumprimento das prescrições por parte dos infratores; que era necessário destinar-lhe tratamento digno, assegurar-lhes direitos. Direitos humanos. Em torno desses pensamentos levantaram barricadas por todos os lugares.

O homem tomado como ser bom, que pratica a infração apenas por uma questão de desconhecimento, de ignorância, enfim, de falta de consciência. E colocaram uma série de verbos na ordem do dia: conscientizar, reeducar, ressocializar, recuperar... Negação dos verbos punir, constranger, castigar, julgar, condenar, impor... Lutaram pela anulação do porrete para deixarem apenas a saliva dos discursos alinhavados com verbos mal costurados. Inverteram a ordem absoluta das coisas: a norma tem que se ajustar ao ato individual, particular, não o individual à norma. Em outras palavras, declararam o fim das normas e o imperativo da ética. Ética que deve ser posta ou acordada em cada um. Não importa que a lei tenha cem anos, que seja necessária, que seja justa. Sua aplicação deve sempre ser precedida por campanhas de reeducação, de conscientização, e lá vai o besteirol sendo solto mundo afora. Campanhas e campanhas, todos os anos. Quando se aplica a lei, a turma dos “direitos humanos” cai em prantos, condoída pela dor dos bichinhos “inocentes”, vítimas da ignorância e da exclusão. Nesse assim, conseguem a proeza de condenar o crime, santificar o criminoso e deixar a vítima ao puro abrigo do sofrimento, quando sobrevive. Tudo em nome da consciência. Cai-se em um círculo: quem tem consciência não pode aceitar a punição do infrator, porque tem consciência que o infrator não a tem. O infrator pode infligir porque não tem consciência.

A esculhambação se plantando pelo uso generalizado da panacéia “civilizatória” que chamam de consciência. E todos se referenciando pelo próprio querer, praticando bandalheiras, na certeza de que depois podem dizer: “Eu não sabia”. E já não importa o grau de instrução. Todos precisam de conscientização: o operário, o médico, o senador e até o professor. Mas quando a alguém não é possível negar falta de consciência, os “humanistas” fazem saltar uma expressão miraculosa que carregam na ponta da língua: “É porque não tem compromisso”. E introduzem no repertório da verborragia o verbo comprometer. De qualquer forma, uma carta de absolvição pelas ações inconseqüentes. Enquanto isso, a marginália fazendo pasto, se multiplicando, na esteira da flexibilização, da não aplicação das leis. E a tolerância dos “humanistas” crescendo, elevando o nível de “compreensão”. Reclamando do inferno, se empenham na obra de implantar chocadeira de cão.

Os plantadores de esculhambação esperam convencer a todos que consciência e compromisso nascem por geração espontânea, instigados pela panacéia “civilizatória”, regada com salivas débeis. Geram os monstros e depois se acumpliciam com eles, exigindo-lhes tratamento digno, para que sejam reeducados. E produzem dois tipos de vitimas: os monstros gerados, e os que sofrem as ações desses monstros.

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