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A ESTÉTICA DO RIDÍCULO
Esmeraldo Lopes

O emprego do termo estética acompanhado do adjetivo ridículo deve estrondar como bomba atômica no ouvido de qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento de seu significado. Deve-se, no entanto, trazer na mente que a realidade é dinâmica e que a língua ou acompanha esse dinamismo ou perde sua função. É que ele é sempre aplicado para fazer referência ao belo e ao harmônico, e, até onde eu alcanço, surgiu para denotar coisas desse tipo. Olhe, uma favela, e outra, e outra... Ver-se-á uma semelhança impressionante das formas, dos arranjos, no jeito das pessoas em seus usos e costumes. As construções desalinhadas, improvisadas, mal-acabadas... Não se pode dizer que nelas não há harmonia, uma harmonia que surge da anarquia engendrada pela luta desesperada pelo viver. Elas refletem com um grau de autenticidade impressionante o modo de vida das pessoas que lhes fazem e compõem. De meu olhar, digo que elas encerram uma estética: a estética da feiúra, produzida nos arranjos mirabolantes da vida vivida em aperreio de profunda carência material, e com esta as outras carências, por descambo. Mas uma coisa é a estética da feiúra, outra bem diferente é a estética do ridíduco.

A estética do ridículo, entretanto, até recebe uma mãozinha da situação de carência material, mas esta não se lhe impõe. A estética do ridículo nasce da incapacidade das pessoas em bem avaliar, em se orientar pelo bom senso, que é material barato, adquirido à custa de qualquer olhar desconfiado e de algumas gotas de reflexão silenciosa. Então se pode dizer que o bom senso está à disposição de todos e, com um pouquinho de sacrifício, transpõe a barreira posta pelas diferenças entre as classes sociais. Mas se o bom senso está ao dispor de todos, há ainda algo que se coloca à mão com muita veemência e propaganda, e sem nenhum tipo de exigência, sendo seu preço apenas o ridículo: é a estética do ridículo. Os elementos que compõem a harmonia desta estética saíram da imitação ou assimilação barata dos trabalhos realizados pelos estilistas de primeira linha. Visavam estes, a harmonização da roupa ou de quaisquer adereços à pessoa ou a um ambiente específico, perseguindo o ideal de beleza. Embora soubessem que a beleza é abstrata, se esforçavam para concretizarem-na em um ser, ambiente ou objeto, e mesmo que o resultado tivesse aparência obscena, a sensualidade e um certo ar de decência restituíam-lhe sobriedade. Para a produção de efeito assim, era preciso que houvesse o encontro entre roupa e adereços com a pessoa ou ambiente. Requeria-se tanto a sensibilidade do estilista como o bom senso do usuário. Ocorre que deu descompasso. A indústria da moda quis se alargar. Os estilistas de primeira linha, ou ficaram presos no pequeno círculo de alguma elite de bom gosto, ou se quedaram aos imperativos do mercado, na produção despersonalizada pela criação de estereótipos. Estes caíram em qualidade e perderam o sentido original da estética, se popularizando junto com seus trabalhos. O povo se deu ao empacotamento de seus corpos, naquilo que lhes dizem ser moda, no ritmo da propaganda, desprezando qualquer sinal de bom senso, e junto com ele, a postura. A ordem da irreflexão estética: aderir ao que o mercado dita, sem atenção no detalhe da combinação. Esta a ordem da irreflexão estética. Começaram a aparecer aquelas coisas escabrosas que a gente vê na rua, nas escolas, nas festas, nos bares...: a desarmonia entre o corpo e o corte, entre o corte e o pano, entre o corpo, o corte, o pano, o adereço e a pessoa.

A coisa foi mais funda. “Liberdade de escolha, adequar-se aos novos tempos, novos conceitos, tudo é normal...” Aí o discurso de um trio impostor: indústria da moda, homossexuais travestidos de estilistas e feministas. A indústria da moda simplesmente querendo vender a qualquer custo; homossexuais e feministas, juntos na arte de retirar a feminilidade das mulheres e a masculinidade dos homens. O resultado está aí – ocorrência nas mulheres -: estilo cachorrinha; moda cofrinho; calcinhas transpassando a calça das mulheres; celular no bolso traseiro; festival de umbigos desnudos; as banhas das mulheres caindo pelos lados sem disfarce nenhum; as celulites disputando campeonato de clarividência; barrigas expostas; mulheres levantando as calças com postura masculina; piersem no nariz, no umbigo e até na vagina; tatuagem. Ocorrência nos homens: sandália; camisa regata sem escolha de hora e lugar; bermudão; calça três quartos; brinco, piersem; tatuagem; calça caindo; exposição do cofre; ausência de cueca; calça cheia de detalhes; sapato afrescalhado; detalhes na camisa; desapropriação das cores ao gênero... A essa parafernália de desajeitos adicione-se o gosto musical, os desejos, o comportamento, o conteúdo do falar. O brega chic imita o chic, e o puro brega na imitação desaprumada do brega chic. É uma verdadeira harmonização da desarmonia, camuflada por algo que chamam estilo. Estilo baseado na estilização da feiúra, adicionada a mais cruel impostura: a estética do ridículo: assexualizante, brochante, trans-classista, trans-sexual, trans-etária, trans-racial.

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