Nem tão distintos: Renato e Zidane brilham no comando com vestiário na mão
Preço médio da gasolina fica praticamente estável na semana, acima de R$ 4 por litro, diz ANP
Volkswagen Polo 1.6 x Fiat Argo 1.3: comparativo
Maranhão possui maior proporção de pessoas em condições de pobreza extrema, segundo IBGE

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 1/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 2/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 3/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 4/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 5/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 6/6
Ditos e AcontecidosEsmeraldo Lopes
Augusto Pires - Caatingueiro de Curaçá

Já estou ficando velho,

Com a vista embaraçada.

Mulher...,  ainda vejo um vulto

De homem, não enxergo nada!

Sr Sindolfo

Entrevistando o Sr. Sindolfo – já falecido -, fiz a pergunta abaixo. Em resposta...

 

É verdade que existia chá de bosta de cachorro para curar algumas doenças?

 

Tinha, era pra sarampo, mas eu nunca tive sarampo. Eu tive papeira duas vez. Ela desceu. A primeira vez que eu tive eu era rapazim. De primeiro criava nas parede uma casa de Maria-pobre, aquilo era um barro. O remédio era aquele. Se descesse tinha que ir pro curral berrar. Quando eu era rapazim, passei comendo carne de ema, andava a cavalo e aí passou. Casei, e ela apareceu. Fui a Juazeiro. Fui eu, compadre José e aquele menino de Egídio, Miguelzim. Foi nós três. Aí chegamo lá, fomos pro médico do Sindicato. Eu ia ao médico e os outros resolveram também ir. O médico passou remédio pra um, passou pra outro e pra outro. Quando nós fomos olhar na farmácia, o farmacêutico falou: “Esse remédio é pra mal de muié grávida”. Miguelzim era dor nas perna, José era dor no estômago e eu papeira. Aí ele passou esse remédio. Eu vim embora. Quando cheguei – o rio tava cheio, vim pelo Pernambuco. Eu trazia um malote. Cheguemo no Barro Alto e daí praqui eu trouxe esse malote e que está com papeira não pode pegar peso. No outro dia desceu (a papeira). Aí me ensinaram a ir urrar no curral. Aí eu fui urrar, fossar o chão com os pé e jogar o chão pra trás. Fiquei bom. Isso foi nas era de 70.

1998

Pessoa

Pessoa é, deixa de ser e volta a ser. Explica-se: no corpo dele duas pessoas. Em uma, leva a vida no trabalho de gente de roça, cumpre os compromissos, nutre as amizades e, na vida do assim, com nome e sobrenome, endereço certo para dormida. Mas vai que um dia muda de tino e aí aparece Pessoa. Pessoa bebe, dança no embalo de qualquer barulho, encosta o corpo em qualquer canto, se arranja com comida como der. Como é conhecido e conhece a todos no lugar, de todos se aproxima, ouve as conversas, observa, pergunta, pergunta e depois solta sua conclusão:

 

- EU NÃO ENTENDO PORQUE NÃO COMPREENDO.

Estupidez e "civilização"

 

Em uma faculdade. Vejam só, só em uma faculdade.Um professor malquisto escreve uma nota, e na nota, embutido no entretanto das palvras, a palavra QUOTIDIOANO.   Os adversários lêem aquilo, se assanham.: “Vamos botar pra foder neste filho da puta. Agora a gente pega ele”. A autoridade no assunto não estava. Claro: era um professor de português. Veio um dia, e outro, e os bochichos  segredados de ouvido em ouvido.  Foi que chegou o dia que lá vem o professor de português, que se no antes era conhecido pela alcunha de fresco, naquele momento, sem saber, acabara de ser transformado em autoridade monumental no assunto de letras impressas. E foi o que foi. No passar de quatro dias, ao se encaminhar para seu posto de trabalho, com passos faceiros, a turma da intriga, apresentando-lhe uma cópia xerografada e indicando um ponto com a ajuda de um dedo roliço, perguntou: “Está certo?  É  q u o t i d i a n o  ou  c o t i d i a no?”  O professor ajeitou os óculos no agasalho do nariz, fez gesto de incomensurável atenção, subiu uma mão no ritmo da descida da outra, e falou: “Está certo. Isto é português A R C A I C O”.  “ Puta que... O filho da puta sabe até português arcaico!” E o viadinho, se sentindo prestigiado: “Mas l e m b r e m-s i,  pode ser que ele tenha errado, e acertado sem saber”.  

Ao tomar conhecimento desta história um sujeito soltou: “Que saudade eu tenho daqueles fumos de rolo, que antigamente eram vendidos na feira, pois se o fresco não se contentasse com ele, ainda lhe sobraria o pau de fumo. Viado é um ser sem jeito!”

Sem disfarce

Conversa nos melindres da delicadeza. Uma moça: “Ela fez isso, mas eu não a julgo. Quem sou eu para julgar?”. Um rapaz: “Eu também acho h o r r í v e l julgar os outros”. Francisco: “Eu não acho horrível não. Eu sou contra julgamento, qualquer que seja ele. Tem gente que diz assim: ‘Aquele cabra devia ser preso; aquele outro merece uma surra; aquela mulher é safada porque trai o marido... Do meu ver, tem que fazer assim: o ladrão, passa-lhe logo fogo; o vagabundo, dá-lhe logo uma pisa boa; a mulher safada, o marido deve dá-lhe uma boa sova e depois deixar ela pra lá. Eu penso assim. Sou contra julgar as pessoas. O negócio é providência”.

 

Palmeira dos Índios

Cobrança

Cidade pequena. Notícias do lugar divulgadas no embalo de cochichos e gritos. No rola que rola dos anos, uma cabeça resolveu tomar a iniciativa de colocar uma rádio comunitária. A coisa foi de um lado para o outro e um dia aconteceu. O problema: locutores. Não é que faltasse gente, que em assunto de novidade todo mundo quer entrar. E o quadro da rádio se formou. Se formou como não podia ser de outro jeito.

Um locutor se destacou entre o animado das conversas que puxava e o estrondo dos erros de linguagem. Audiência grande, mas reclamação geral: "O homem fala errado demais", "Assim não pode ser"... Houve quem oferecesse ajuda ao escandaloso linguístico. Ele aceitando. Nesse vai que vai, o locutor se aprumou na reteza de falação.

O rádio ligado, um grupo de senhores conversando. Veio a pergunta:

- Quem é esse locutor que tá falando?

- É Fulano.

- Vije! O homem melhorou o vacabularis 

Desmantelo do mundo

Desmantelo do mundo

Luizinho é um desses sujeitos que gosta de palestrar, mas às vezes se põe na posição de escutador. E quando está assim, fica ali no silêncio, enrosca as mãos no corpo, cochila, acorda, cochila... Entre todos os assuntos, o que mais lhe atrai são as mudanças do mundo. Ele sempre afirma que o mundo não tem mais jeito, que nada mais lhe surpreende, que está tudo desmantelado. Mas outro dia ele estava como escutador e chegou um seu camarada e veio contado: "Rapaz, não sei se vocês já ouviram dizer, mas a mulher do finado... tá de homem". Luizinho, que estava cochilando, levantou a cabeça na rapidez de um piscar e bradou: "Já vi que passou o planeta. Só escapa quem voa!"

Determinação fatal

Década de 1940. As dificuldades de costume para providência de meio de vida, e a turma tomando o rumo de São Paulo, como aventura de salvação. São Paulo do encanto cantado pelos que voltavam de lá, vestidos em roupa de chita, com bambolear chioso no som da voz, noticiando o sucesso dos que haviam ficado. Isso ia criando feitiço. Seu Abílio se enfeitiçou. Tomou o rumo do caminho do progresso na primeira oportunidade ocorrida. Foi. E os tempos de ausência. Um dia tomou caminho de volta. No chegar, aquela correria de gente para vê-lo, para ouvir o contado do canto de encanto. O pessoal perguntando e ele dando notícia sobre os que haviam ficado. Alguém se atreve a pergunta sobre seguir do futuro:

- Abílio, quando você vai voltar pra lá?

A resposta: - Voltar!!! Quando eu morrer, minha alma nunca vai andar em São Paulo, se tiver vergonha.

É preciso fantasia

Era domingo. O restaurante estava com movimento razoável. Ao lado da mesa que eu ocupava, uma televisão exibia um filme. Um filme carregado de fantasias amorosas. Mirian, a garçonete, na pausa das solicitações clientes, se punha com interesse total nas cenas que corriam. No retorno de uma das saídas, ela voltou reclamando:

- A televisão devia passar esse filme tarde da noite, pra gente poder assistir direito. A televisão passa ele direto. Eu já assisti mais de cinco vezes.

- Então, não precisa reclamar. Além do mais, nada do que está passando aí acontece na vida real.

 

- “É, eu sei. É que na vida, a gente sofre tantas desilusões...Por isso, a gente precisa ver coisas bonitas, mesmo que sejam fantasias, para continuar vivendo

Idade dos metais

Outro dia, saiu, em um jornal, uma nota anunciando o suicídio de um sujeito que deixou uma carta em que pedia desculpa aos parentes e aos amigos pelo ato de renúncia da vida. Concluía dizendo: "Não suporto a velhice". Ele só tinha 60 anos. Se tivesse conhecido Liberalino, provavelmente fosse outra sua atitude.

Liberalino, me veio a notícia, fora boêmio na juventude e não perdera o gosto por ela na velhice. Entre toques de violão, e descambos de cerveja goela abaixo, ele, no meio da juventude de quem se fazia acompanhar e sem se fazer por menos pela idade, gritava: "Estou na idade dos metais: dente de ouro na boca, cobre no bolso e chumbo 'naquilo". Belém do São Francisco - PE, sorria.

Explicação de Xavier

Xavier se levou na vida quebrando o muque em serviço de auxiliar trabalho de pedreiro. Nisso se levou e proveu a família. Envelheceu, ganhou o benefício da aposentadoria. Sem forças e sem mais precisar briquitar para mantimento de vida, fez turma com outros iguais em idade e condição. Encontrava-se com os parceiros às manhãs e às tardes de todo dia, nas conversas do mesmo de sempre, acrescidas por cada novo acontecer avistado ou ouvido da boca dos outros. Assim, assim, até que um morreu, depois outro... Xavier ficou só.  Ainda teimou na procura de troca de palavras, mas só achou chateação. Recolheu-se em casa de onde não sai, de onde não quer mais sair. Decretou a morte do mundo de fora de sua casa, e se contenta com o sol que se despeja no muro.

Quando Xavier era falante, sua turma estava sentada no protegido do sol, e alguém comentou: “Vocês aí na vida boa da aposentadoria”. Xavier explicou no repente: “Essa é a graça do finado Getúlio. Ele assinou o papel dando esse direito pra gente e botou na gaveta de uma mesa. Não sei por que, tava com uma contrariedade e deu um tiro no peito, morreu. Naquela agonia, enterraram o homem, guardaram as coisas dele dentro de um quarto. Anos depois, alguém teve a idéia de vasculhar as coisas que ele tinha deixado. Quando abriram a gaveta, tava lá o papel assinado dando aposentadoria pra os velho. Foi isso. Aquele é que era homem.”

A tormenta de seu Zezinho

Seu Zezinho passa discreto por onde anda, mas assunta tudo no calado do seu seguir. Carrega três marcas em seu ser: procura pela perfeição no fazer de seu trabalho, orgulho por ter aprendido a ler e medo de alma.

As almas vivem a atormentar seu Zezinho. Quando a noite se anuncia pelo escurecer, ele antena os ouvidos, acende os olhos, se estremece em cuidado. Se perguntado sobre a existência de alma, ele entra em tempestade, despejando casos de assombração. Indica o lugar, o dia e a hora do ocorrido das trapalhadas dos viventes do outro mundo. Outro dia, conversando com ele, perguntei: “Como o senhor vai fazer quando morrer, não vai virar alma?” Ele respondeu: “Rapaz, vai ser um problema! Vai ser um problemão. Até eu acostumar com elas, vou me espantar um bocado. Você quer saber?!  O mais que eu tenho medo de morrer é saber que vou virar alma”.

Entendimento

O nome é Sebastião Alves Barbosa, mas só o conhecem como Caboclinho. Em conversa com um candidato a vereador, gente de sua relação pessoal, ele solta:

- Olhe Januário, pode ser que eu esteja errado, mas acho que não tô, não. Eu não me conformo como é que uma pessoa vive na Caatinga e não tem um pedaço de carne para comer, um ovo para se livrar da fome. Dizem que é pobreza, mas eu não acredito. A gente precisa de uma pessoa para uma ajuda em uma coisa e não acha ningém que queira trabalhar para gonho por um dia de serviço. Sabe o que é que eu acho que tem essa pobreza aí? Eu não acho, eu tenho esta certeza: O PROBLEMA É QUE O POVO ACOSTUMOU A GOSTAR DE SER POBRE.

Fernado da "A Toca"

Fernando é natural de Santa Maria da Boa Vista - PE. Deu as costas ao estudo e se abancou em uma boléia de caminhão. Assim, conheceu quase todo o Brasil. Um dia, botou na cabeça que iria se estabelecer, e voltou à terra de nascimento. Como a agricultura mostrava face promissora, despejou nela toda a energia e poupança. Quebrou-se. Desassossegado, mas sem entregar os pontos, assuntou que havia jeito de viver melhor. Montou um restaurante, escrevendo na parede da frente o nome “A Toca”. Embora o nome sugira, nem o restaurante é entocando nos escondidos da cidade, nem é agasalho de quem queira se esconder, visto que, embora esteja situado na periferia da cidade, todos ali residentes sabem indicar a sua localização, descrevendo-o em detalhe. A bem da verdade, o restaurante recebeu o nome de “A Toca”, por ser o lugar onde Fernando resolveu se entocar, depois de ter o Brasil a seus pés.  Portão aberto em escancaro, mesas prontas para acolhimento de gente e, em uma das laterais do interior do restaurante, uma rede armada para descanso exclusivo de Fernando. De dentro dela, ele solta as primeiras palavras a quem chega. Conforme seja a solicitação, ele levanta para a providência, enquanto vai soltando as primeiras inquirições, para tomada do conhecimento necessário da direção da conversa a ser entabulada. Com pouco, com muito pouco tempo mesmo, Fernando dá espaço de estreiteza de amizade e começa a polemizar. Encurtando a história, o que quero dizer é que, sem desfazer dos servidos na casa para gosto de boca, o melhor prato é conversa. É que ele fica atiçando o chegante com perguntas para, em cima das respostas, botar suas conclusões polêmicas, nascidas no intervalo de tempo da duração de um relâmpago. E vai assim, até que pipoca em falação sem querer mais parar. Algumas de suas assertivas:

 

“Deus não é do Diabo, mas o Diabo é de Deus, porque Deus aceita e perdoa tudo, mas o Diabo não perdoa”.

 

“Doido também é feito de gente e convive muito bem com sua loucura, porque na loucura também existe equilíbrio”.

 

Indo a Santa Maria da Boa Vista, o ponto certo para quem quiser animar conversa é “A Toca”. Muitos Fernando existem, mas Fernando da “A Toca” só existe lá.

Jaime, o explicador de fenômenos

Estudo, quase nenhum, observação atenta em tudo. Seu trabalho é dirigir. Zanzando de um lugar para o outro, bota andança nos acontecidos, nos avistados, no ouvido, no imaginado. No acumulado de seus conhecimentos, arranja material para todas as explicações. Quando a televisão noticiou a ocorrência do tsumani na Ásia, Jaime grudou os olhos  na tela e, ao final foi sentenciando: “Eu sabia que esse negócio das empresas saírem por aí fazendo buraco no chão não ia dar certo. Tiram petróleo, tiram minério, tiram água e depois não entopem. Olhe aí a merda que deu!”. Interrogado sobre a diferença da qualidade do solo existente entre a Bahia e Pernambuco, nas proximidades do Rio São Francisco, não titubeou: “Você não sabe não? Eu explico: é que o lado pernambucano era bem mais baixo, aí o planeta deu uma embalançada e a terra que tinha do lado baiano escorregou para o lado de lá. Por isso do lado da Bahia só ficou lajedo e do lado de lá areia, o solo mais fino”.

 

O CÁLCULO DE POTOCA

Trata-se de uma senhora que complementa a aposentadoria fazendo um tipo de biscoito a que chamam de brevidade. No meu tempo de menino o paladar das brevidades se assemelhava a uma coisa parecida com o céu. A feitura delas acontecia em situações especiais: Natal, passagem de ano. Fora dessas datas, brevidade só como ocorrência de recepção de gente a quem se queria fazer agrado grande. Não adiantava fosse simples a sua receita, que o seu feitio requeria o uso de forno, e forno era coisa de raridade. Pelas contas de minha memória, na cidade de minha infância só existiam três. Um na única padaria da cidade e outros dois nas casas de duas senhoras que trabalhavam com assados por encomenda. Se apenas duas eram as pessoas que as faziam, todos esbugalhavam os olhos ao vê-las e ao sentir o cheiro adocicado, misturado com cravo que vinha delas.

Não é de brevidade que eu quero falar. Vou falar do cálculo de Potoca. Potoca é a única pessoa que resta na cidade a fazer brevidades, embora os fornos estejam nos fogões de todas as casas. Só trabalha por encomenda. Não adianta chegar na casa dela e dizer que quer vinte, quarenta ou cem brevidades. É preciso fazer a encomenda.  Só aceita encomenda de cinqüenta para mais. Preço: “uma é R$ 0,20; cinqüenta custa R$ 20,00; cem custa R$ 40,00”. “Não está errado, senhora Potoca? Se uma custa R$ 0,20, o preço de cinqüenta será R$ 10,00”.  Ela responde: “Não. O preço é esse. É que se eu for vender uma a R$ 0,40 fica muito caro e os meninos não podem comprar. Por isso eu vendo a R$ 0,20, vendendo uma a uma, e vendo a R$ 0,40 quando vendo de muito. Quem compra de muito é porque tem condições”. (21.1.08)

 

 

ENCOMENDADOR DE ALMAS

                                                                                    Esmeraldo Lopes

Seu Dezinho (Manoel Cerqueira Amorim -1933), vive em seu sítio em Baixão do Maxixeiro - distrito de Luis Viana, município de Casa Nova - BA. Cria miunças e faz plantios quando o tempo se abre em graça. Profissão? “Eu sou meio lavrador, meio pecuarista”. Entre os viventes da Caatinga, perguntar profissão é bater em prego bem batido, que a resposta vem sempre nessa toada, e não há disfarce nisso. Seu Dezinho não poderia apresentar outra resposta, mas ele só é o que diz ser nos intervalos curtos do tempo, que sua vida é gasta em trabalho de livrar as almas dos aperreios do além.

A vida é cheia de curvas e os viventes humanos vão navegando por elas embalados pelos impulsos do requerimento do corpo, sem fazer previdência de juízo. E é aí que ocorre o que ninguém pode evitar: a queda no atoleiro dos pecados. E os pecados vão se avolumando, se avolumando, até que vem o que todo o mundo já sabe que virá: abandona-se sem determinação de vontade os terrenos pisados do conhecido da vida, para o empreendimento de uma viagem tormentosa pelos caminhos do além. A morte não fez aviso de hora, e no desprevenido de sua chegada, o jeito é fazer logo o sepulto. Há choro, há lamentação, mas a coisa não pode se encerrar nisso, que é preciso ajuda de reza forte para as providências do alívio da alma. É aqui que entra seu Dezinho.

A notícia corre ligeira. Alcança os ouvidos de seu Dezinho. Não precisa convite, que no puro saber da história ele já se põe na organização do ajeitamento de seu trabalho. Manda chamar suas ajudantes. Chegam na sentinela. Aquele clima arrodeado de consternação. O povo bota atenção neles. O silêncio. O olhar de seu Dezinho cerimonioso. As ajudantes se posicionam ao lado do morto. Silêncio. A sala se enche de olhares tristes. Explodem as rezas de despedida. Cânticos tristes, tristes. São os Benditos.  Os rezadores não cansam. Suas vozes, seus olhares se concentram em lamentação ao lado do caixão. O tempo girando e eles lá, sem desafino, sem desânimo, atravessando os minutos, as horas. A tristeza do povo borbulhando em soluço. Os benditos, as ladainhas alimentando a tristeza, e a tristeza se alteando no lamento das vozes. O benefício da reza é medido pela altura do tom da tristeza. Não tem como não ser. Há que haver o sepulto.

Não vi, mas quem viu disse que na hora que o caixão é retirado da casa para ser levado para o cemitério, não haverá alma viva que se agüente sem se debulhar em lágrimas. O cântico cadenciado de vozes lamuriantes corta o mundo entoando esse bendito:

 

Senhor Bom Jesus da Lapa,

Daí-me calma, paz e luz.

Senhor Bom Jesus da Lapa,

Daí-me calma, paz e luz.

Que eu agora vou me embora,

E adeus a Deus Bom Jesus.

Que eu agora vou me embora,

E adeus a Deus Bom Jesus.

 

Já cumpri minha promessa,

De joelho eu me dispus.

Já cumpri minha promessa,

De joelho eu me dispus.

Entrei na Santa Igreja,

E adeus a Deus Bom Jesus.

Entrei na Santa Igreja,

E adeus a Deus Bom Jesus.

 

Visitei Senhor dos Passos,

De joelho com a Cruz.

Visitei Senhor dos Passos,

De joelho com a Cruz.

E agora vou me embora,

E adeus a Deus Bom Jesus.

E agora vou me embora,

E adeus a Deus Bom Jesus.

 

Já subi no lindo morro,

Onde tem a Santa Cruz.

Já subi no lindo morro,

Onde tem a Santa Cruz.

Já rezei na Capelinha,

E adeus a Deus Bom Jesus.

Já rezei na Capelinha,

E adeus a Deus Bom Jesus.

 

Bati na pedra do sino,

Bem pertinho da Santa Cruz.

Bati na pedra do sino,

Bem pertinho da Santa Cruz.

Visitei meu São Francisco,

Adeus a Deus Bom Jesus.

Visitei meu São Francisco,

Adeus a Deus Bom Jesus.

 

Senhor Bom Jesus da Lapa,

Mandai-me um anjim de luz.

Senhor Bom Jesus da Lapa,

Mandai-me um anjim de luz.

Pra acompanhar seus romeiro,

Para sempre, amem, Jesus.

Pra acompanhar seus romeiro,

Para sempre, amem, Jesus.

 

Oferecendo esse bendito,

Ao senhor daquela Cruz.

Oferecendo esse bendito,

Ao senhor daquela Cruz.

Que nos livre do inferno,

Para sempre, amém, Jesus.

Que nos livre do inferno,

Para sempre, amém, Jesus.

 

O corpo sepultado e a alma ali por perto, perseguida pelas investidas da tentação do diabo, sem sossego, mergulhada no tormento.

Desde menino seu Dezinho fez encosto em lugar de ajuntamento de gente para reza. Caiu nas graças de um rezador e se fez discípulo dele. Recebeu como missão o encomendo das almas e de lá para cá é o que faz sem poder ter desculpa de outro o que fazer, que é seu dever fazer a diligência para abrir o caminho para ajudar a alma a conseguir o perdão das culpas.

A família, os amigos do sepultado têm o dever, a obrigação, de fazer a Visita no Sétimo Dia do enterro. Acorrem a um rezador de confiança de boa recomendação. Seu Dezinho é o mais famoso nos chãos onde pisa. Não pode se recusar a fazer o atendimento do convite. Reúne suas ajudantes, se arma com o catecismo e ruma na direção do lugar marcado. O povo já está todo esperando. Ele chega. Os familiares do morto servem café a todos. Ele e suas ajudantes são atendidos com deferência de mesa separada. Tem que estar nutrido, que a jornada é de duas horas de reza de benditos com a cabeça presa na concentração. Terá que rezar os benditos sem a tolerância de um erro. “Responsabilidade grande. Se eu errar um bendito desse, se na hora da visita eu dé assunto a qualquer outra coisa que não seja o que eu tô fazendo, aí eu me complico, que a visita não está feita. O trabalho foi perdido e a alma volta para pedir para o trabalho ser feito de novo”. A Visita é muito séria, que ela é quem liberta a alma”. Depois do café a cerimônia. Tudo passa a ser com ele. A família só fica assistindo. E o trabalho começa. “Primeiro reza o Terço das Alma, depois reza o Ato de Contrição, depois reza o Terço das Alma, depois reza a Ladainha das Alma, vem a Salve Rainha das Alma, vem o Anjo da Guarda, vem Maria Valei-me, vem Senhor Dono das Almas, vem o Louvado Seja, vem o Deus Nos Salve Alma...”

A cerimônia da Visita de Cova no Sétimo Dia depois do supulto. Encobrem a sepultura com um lençol branco, “que é como se encobrisse o morto”. Bendito por cima de bendito, as vozes chorosas, os versos doídos, os olhos dos rezadores pregados no sentido do trabalho. Os familiares, os amigos soluçando e quanto mais soluço mais a reza ganha força, com as vozes se atravessando em tonalidades. Trabalho terminado. Agora, esperar. Se a alma aparecer para alguém fazendo reclamação, começar tudo de novo, “mas comigo nunca aconteceu”. E depois? “Aí, já não sei. É com Deus”.

João Pescocinho

João Pescocinho morreu faz mais ou menos dez anos. Vivia a pregar onde quer que houvesse gente. Em suas pregações, declarava que havia sido recomendado por Deus para ajudar na remissão dos pecados do mundo. Fui a ele fazer uma entrevista. Ele me puxou para dentro do seu casebre, procurando escondido. Cochichou nos meus ouvidos: "Meu filho, cuidado! Se eles lhe verem comigo podem até lhe matar. O mundo tá cheio de cão. Quer ser meu ministro? Só que você não pode falar para ninguém, para evitar perseguição". Todos lhe declaravam louco e ninguém lhe ouvia. Na entrevista foram delineando seus planos: matar a fome do povo, evitar a prostituição, fazer chover, dá boa remuneração para os soldados não cometerem corrupção. Minha última pergunta: Seu João, o senhor tem muitos consipiradores? A resposta, pelo mal entendido do meu pronunciar:

"Vamicês são tudo a inspiração de minha vida".

 

 

Salomão e a mudança do tempo

 

 

Salomão Silva Torres, 1941, caatingueiro de Curaçá - BA.

Pereguntado sobre o motivo das modificações dos costumes do povo.

 

-         Não sei. Uma modificação do... da era, do tempo. Sei lá. É inexplicável. Pra mim é difícil de explicar.

 

-         O que foi que aconteceu? Por que hoje está esse descontrole de roubo?

 

-         Num sei o que é que tá acontecendo. Deve ser a época mesmo que tá fazendo isso. Ninguém quer trabalhar, quer andar participando das coisas... Hoje você sabe, essa juventude aí... Muita gente que não quer trabalhar se aproveita. Isso aí ninguém pode nem se evitar falar nisso.

 

-         Então é a juventude que tá atacando, é isso?

 

-         Rapaz, essa juventude mais é quem vem se instruindo no desmantelo. Vem da juventude e vem também do adulto. Vêm outros mais velhos também. Mais novo é que se vê. Você não vê na própria cidade aí? O desmantelo que tá na juventude? Gente tatuada, gente cheia de brinco...

 

-         E o que é que isso tem a ver?

 

-         Tem a ver com muita coisa. Mudanças horríveis, pra mim é horrível, é escandalosa.

 

DITO E FIRMADO

Jivanaldo Oliveira - Caicó - RN, botando os olhos na vida conclui falando sério:

- Quer ver cachaça o que é? Não beba e preste ateção.

- Homem que não tem moral para mulher, menino e cachorro não presta pra nada.

 

CENA CAATINGUEIRA

Raiane, a menina-moça da primeira foto, é caatingueira por opção. Gosta de ouvir cabrito berrar e da labuta no mato. Coisa rara para mulher. Seu projeto é estudar algo que lhe possibilite ajudar a continuidade da vida na Caatinga. Estuda na cidade, mas quando vem o alívio de uma folga, corre para a casa dos avós, e lá, se mete no trabalho sem lamentação. Ao lado de Raiane, a imagem da casa de morada da família. Lá passei uma noite, em conversa que se misturava com conversa. Conversa descontraída, sobre as coisas da vida no mato. Dolfo, o rapaz no quadro inferior do lado direito, veio fazer visita, para espantar o tédio da solidão da noite, e foi soltando o repertório do visto e ouvido durante o dia, fazendo perguntas. Seu Antonino, o proprietário da fazenda, despejando simpatia, respondia, e soltava seus vistos e ouvidos. A palavra mais forte vinda dele: "Detesto solidão". Dona Salina, cuidando da janta, aqui e ali, arrematava com algo de seus registros. Cristina, espelho de simpatia, que está estampada no quadro central inferior, botava os olhos em atenção, na intenção que alguém contasse alguma estória de assombração. Ela não sabe, mas pela suavidade de seu riso, pela delicadeza de suas palavras e pela graça com que se conduz, não tenho dúvida nenhuma: é uma grande alma. Não quer e não admite a idéia de sair da casa dos avós para estudar na cidade e diz, botando esperança nos olhos: "Eu gosto de tudo daqui", e se põe em simpatia de sorriso. Sorri de tudo. No fim de tudo, uma foto, uma foto da família, uma parada para a pose, no ambiente do agasalho de conversa, de encontro noturno, depois de um dia suado da surra da quentura do sol.

Sem problema

A cena se repete em quase todas as fazendas da Caatinga. Não há nada de anormal nisso. No começo eram só os sabiás, que por gostarem de frequentar os paus onde se estende a carne foram batizadas com o nome de sabiás-de-sebo. Através deles chegaram os cardeais e até a casaca-de-couro, que não sei se se contentam só com o sebo. A carne estendida, uns chegam, outros saem, até que ela esteja totalmente enxuta, quando é recolhida para o preparo da alimentação. Está com nojo? Será que a carne que você come, comprada nos frigoríficos é mais higiênica e sadia?

SECA

Betinho de Lídio era conhecdo em Curaçá pelos seus exageros. Em tudo que via ou imaginava, multiplica por dez e depois fazia uma elevação ao quadrado. Em uma certa feita, em um mês de novembro, chegando ele da Caatginga, foi gritando para um filho: "Traz aí dois litros d'água que é pra eu derramar no esgoto de minha garganta". Após beber a água, já na porta, ao ver um conhecido passando, anunciou em voz alta: "Êta seca retada. Andando pela caatinga, o único vivente que vi foi um cancão sem rabo, caminhando em direção ao rio".

A ORIGEM DOS ACIDENTES GEOGRÁFICOS

Augusto Pires é um caatingueiro que mora no pé da Serra da Natividade, Fazenda Papagaio, em Curaçá –BA. Do terreiro de sua casa eu olhava a Serra e soltei expressão de admiração e encanto. Ele, ouvindo o meu pronunciar, protestou: “Essa Serra é uma desgraça em minha vida. Todo dia tenho que subir nela para botar as cabras e é uma desgraça esse trabalho. Se eu fosse governo mandava passar um trator aí e planear tudo, para acabar com a infelicidade dessa trabalheira”. Parou olhando na direção que eu olhava e, apontando para uma pedra que dormia sobre a outra nas alturas da Serra, perguntou: “Você que estuda, responda: quem foi que colocou aquela pedra em cima da outra?” Respondi que não sabia. Ele retrucou: “Foi assim: no início dos tempos era tudo plano. O chão era todo plano, tudo liso como um campo de futebol. Aí veio o dilúvio e as águas começaram a cavar, a cavar. Com esse cava, cava foi ficando tudo assim: uns lugares mais baixos, outros mais altos e as pedras estavam enterradas no chão. Acabaram descobertas, mas pelo apoio que estavam, não caíram. Por isso aquela pedra está ali. Não foi ninguém que botou”.

O EX-ALCOÓLATRA

O sujeito chegou no bar onde estavam seus companheiros, e logo ao chegar foi cumprimentado com a oferta de uma dose de cachaça. Encarou o ofertante e foi dizendo:

 - Eu não bebo mais cachaça! O médico disse que eu estava alcoólatra. Agora estou bom. Só bebo conhaque, que é feito de  uva. A cachaça é feita de álcool. Vi a diferença? É diferente.


O que me deixou impressionado foi ele falar sério, e não aceitar a objeção dos companheiros.

RIQUEZA EM VIDA

Diálogo entre Januário e Pedro, esposo de sua tia:

 

Januário: - Pedro, porque ao invés de você ficar com esses bois e carneiros velhos aí, não vem e coloca o dinheiro na poupança? Com eles aí pode a seca vir e engolir. Também mesmo que eles não morram você pode ter que gastar muito dinheiro com eles, e isso é sempre prejuízo.

 

                         Pedro: -   Januário, pra que é que eu quero riqueza depois

                        que morrer?

 

Percalço noturno

Na noite tudo é escuro. Durante a noite a gente não consegue se desligar dos pensamentos, e toda preocupaçãozinha vira um problemão. A gente fica ali com aqueles pensamentos e tudo é noite, tudo é escuro. Às vezes tem dificuldade para dormir porque os pensamentos não vão embora. No claro, não. Quando amanhece o dia tudo fica normal e a gente vai praqui, vai prali e os pensamentos vão mudando e aquilo que aparreava na noite, na luz, às vezes não é nada. É só uma coisinha sem importância. Adalgina Amorim – caatingueira de Lagoa dos Negros, município de Casa Nova – BA

ENIGMA NA NOITE

Jió e Jesu, irmãos, habitantes da Caatinga de Curaçá (BA), no mergulhar da noite, em conversa funda sobre os mistérios do além, chegam às suas conclusões: Jió: -Deus existe, mas não existe alma. Alma é uma besteira que o povo inventou, uma coisa sem lógica. Jesú: - Existe alma, mas não existe Deus. Deus é uma ilusão. Gerou-se do primeiro medo.

DECISÃO DO SENHOR TUTU

O senhor Tutu, caatingueiro à moda antiga, viúvo, um pouco mais de oito décadas, vivente solitário na casa que herdou dos pais, fumante, odeia bebida, adoeceu e foi internado. Sentido os incômodos do ambiente hospitalar, fugiu e se abrigou na casa de um ex-genro. A médica de seus cuidados sabendo de seu paradeiro foi até lá, na intenção de convencê-lo a dar continuidade ao tratamento. Quando ele a divisou ainda na entrada da porta, exclamou: - Ói, doutora, a senhora pode me pedir tudo, menos deixar de fumar, de beber e de raparigar, viu!

FEIJÃO COM POMBA

Esmeraldo Lopes Não é que a falta de criatividade remeteu à nomeação de “bandas musicais” com os mais terríveis nomes? No início, lá pela década de 50, 60, por aí, apareceram os chamados conjuntos musicais. Mais para cá apareceram então as bandas, estas como aqueles com nomes justificáveis. No Nordestes, devido à popularização do forró, um infeliz teve a triste idéia de criar uma banda de forró, a exemplo das de rock, e lascou lá um nome roubado da mistura de dois ícones de nossa culinária. Daí em diante a culinária foi atacada até chegarmos a bandas utilizando o nome de peças íntimas de mulher. A musicalidade delas está abaixo do lastimável, as letras são um verdadeiro Deus nos acuda, cantadas por vozes espremidas, um verdadeiro horror! Mas o certo é que fizeram sucesso, e os forrozeiros autênticos, aqueles de triângulo, zabumba e pandeiro caíram em abandono. Em qualquer festa na Caatinga só tem público se for com banda. Os forrozeiros mais estruturados correram botaram umas meninas dançando, um ou outro instrumento sofisticado, arranjaram umas caixas-de-som e sobrevivem assim. Galdino Leite, tocador da Lagoa de Zé Alves (Chorrochó – BA), aperreado pela concorrência, saiu à cata de um nome e tacou, com bastante originalidade, FEIJÃO COM POMBA, naquela que chama de “minha banda”. Em qualquer ajuntamento de gente à cata de alegria, Galdino se faz presente. Leva a sanfona, o triângulo, o pandeiro, a zabumba e a fiação para conexão em alguma caixa-de-som, se houver aonde chegar. E vai chegando e metendo o dedo na sanfona, logo, logo aparece um que pega a zabumba, outro se achega no pandeiro e quando alguém se atreve a pegar o triângulo, Feijão com Pomba está formado. Em seu repertório não cabe letra de voz espremida, canta só o que gosta, sem carregar nenhum complexo. Se o som mais alto da atração da festa invade o ambiente onde ele toca, sorri e diz: “Tão querendo arremedar eu, mas não chegam nem perto”. E do alto de sua felicidade provocada pela felicidade de seu público ele alardeia: “Toco por R$ 100,00, se não tiver vou por R$ 30,00, e se de tudo também não tiver toco só pela alegria”.

Messias, o autêntico

- Tem um nome feio, uma coisa horrível!, um palavrão! O nome feio é marido.

CONCLUSÃO IRRELEVANTE

Trabalhador bom, marido dedicado e esposa decente só se arranja se tomar dos outros. Zé Luna (popular Rabo de Cabra)

Influência consciente

Luizinho (84 anos) se encontra com Pedro Monteiro (na mesma faixa de idade),em frente à Igreja da cidade. Eles ali conversando e as pessoas passando. Nisso, Pedro Monteiro fala: "Êta, Luizim,tanto checheuzim novo, mas não adianta mais..." Luizim, responde: "Nós num é mais, já foi, mas ainda rebera".

MUCUNÃ

JÁ COMI GOMA DE MUCUNÃ. MAMÃE FEZ PRA MIM EM UM TEMPO DE SECA GRANDE. MUCUNÃ É TÃO RUIM, QUE SE UM SUJEITO COMER MUCUNÃ E MORRER CEM ANOS DEPOIS, AINDA MORREU DE MUCUNÃ. Frase do Senhor Sindolfo - Curaçá - BA.

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