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DIVINDADE SEM PARAÍSO
Esmeraldo Lopes

O paraíso é o túmulo dos fracos e dos idiotas. Em qualquer que seja o paraíso, sempre haverá um deus, não importa se do bem, ou se do mal. Sim, do mal, pois que o inferno é o lugar da felicidade dos diabos. Por quantos tormentos passaria um diabo no céu? Por tantos quantos passaria um anjo no inferno. Em qualquer que seja o paraíso, sempre haverá um deus a guiar os passos, a ordenar o pastejar do rebanho. E o rebanho em seu seguir, temeroso, amedrontado pelo som das dobradas da chibata cortando o vento, se queda diante da ordenação do deus entronado, entoando o canto morto: “Eu aceito o meu destino. Eu mereço o castigo, meu bom deus”. Triste céu, triste inferno! Tristes todos os paraísos, túmulos da demência, túmulos da covardia. Esqueçam-se os paraísos, que quero falar da vida. Todos os homens sem paraíso são deuses, porque obreiros de si e se lançam na tormenta das agonias do mundo, rindo, chorando, suportando, se indignando, tropeçando, levantando, se julgando, proferindo as próprias sentenças. Silêncio, ação, solidão, angústia, silêncio.... Divindades sem paraíso, habitantes do vácuo universal.

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