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Funeral
Esmeraldo Lopes

O único sujeito que não faz cara de sem graça em um velório é o morto. A face dele é sempre plácida, porque ultrapassou o mistério da vida e da morte, mas não sabe disso. Mergulhado na profundidade do espaço vazio e eterno da inexistência, ele é pura paz. E a placidez do rosto do morto faz contraste com a angústia e a cara sem graça dos presentes ali. Entre os presentes, os que sofrem, os que imitam sentir, os apenas por consideração. Mas não importa a diferença. O que importa é que o morto deverá estar lá, palpável, exibindo seu rosto de paz, para a certificação da morte. E na certificação da morte deita toda dor, todo disfarce e a impotência conformada. Conformada no selo do sepulto. “Ainda deu para eu pegar nele assim... antes de fecharem o caixão”. Fim. Saudade. A borracha do tempo.

Ausência de certificação da morte: o desaparecido. A espera desesperada, sem fim. As horas, os dias, os anos. Esperança que se enche, esperança que se esvazia. A procura, o olhar de busca, a imensidão do mundo, o que pode ter sido, o que não poderá ter sido. A dúvida naufragada na dúvida, sem trégua, sem terreno para pouso de conformação.

Todos os dias, uma mãe no mesmo proceder. Tomar banho às três horas. Às quatro, dirigir-se à esquina de passagem concorrida de transeuntes. Os transeuntes passando no ir de uns e vir de outros. Ela lá, plantada no recoste de um poste, olhos atentos, esticados ao longe, ao perto, à direita, à esquerda, e, de repente, o espaço vazio do sem gente na rua. Um vulto solitário em movimento. Ela espera. Ele se aproxima. Uma voz abandonada salta de dentro dela sem motivo de razão: “Não, não é ele. Ele não voltará mais...” Leva as mãos à cabeça de cabelos desbotados, circula os olhos por todo o espaço e volta para casa, sem força, sem esperança, e fala alto para si: “Um dia ele vai voltar”.

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