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ESTRANGULAÇÃO
Esmeraldo Lopes

Escrevo durante o dia. Se dou essa informação é para que se distancie a idéia de que estou embalado pelos tormentos e  fantasmas da noite. Todo mundo sabe que as imagens noturnas deixam a gente mais sensível, e os monstros da memória ganham terreno. Ganham terreno no agasalho do latido longínquo de um cachorro, no vento redobrando nas folhas, na sonoridade rouca do assoprar de um ventilador, no abrigo do som do silêncio total. Na noite, os sentidos desprezam as formas, penetram os íntimos, mergulham com lucidez no profundo dos esconderijos e atingem as essências.     Fiquem, portanto, sabendo que escrevo durante o dia, o horário mais pobre para o correr da imaginação, pois nesse horário o espírito se encontra envolvido pelos chamamentos imediatos, oprimido pela chibata das regras de tolerância, atarantado por invariáveis estímulos que cobram atenção. Durante o dia, a luz espanta as visagens para longe, encandeia a visão e dá resistência às formas. Formas que se harmonizam e encontram proporção em arrumados de disfarces. Mas vem que vem a noite, e as imagens do dia são filtradas. Os fantasmas se apóiam no encosto da memória, fazem revelações. E a nitidez translúcida. A disputa entre razão e vontade, a aliança entre vontade e desejo. “O desejo é triste”, a vontade é bruta, a razão é navalha. E volta o dia. Ao oprimido, a decisão: liberdade ou atrofia da alma, do corpo, da vida.

A vontade não pode ser suprimida por decreto, mas pode ser estrangulada por ação. Quando não se dispõe de tempo suficiente para esperar que uma folha caia naturalmente, urge que ela seja arrancada a golpe de instrumento qualquer, ou mesmo da mão. Assim ela seca e se perde espatifada nos bagaços do mundo. Seus vestígios também acabam por se decompor, pelo pisado dos bichos na terra seca, ou na podridão das lagoas, dos brejos, dos pântanos, no intestino dos insetos. É a natureza.

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