Árbitro relata pedra e ofensas de Diego Souza, mas não cita pênalti polêmico.
Tite elogia Bélgica e admite favoritismo do Brasil: "Pela história e o que vem fazendo"
Maioria das mortes violentas em SP é causada por conflitos interpessoais ou pela polícia.
Renca: governo revoga decreto que liberava mineração em reserva na Amazônia

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 1/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 2/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 3/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 4/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 5/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 6/6
ALUNOS
Esmeraldo Lopes

Uma árvore de beira de rio fica no seu lugar, assistindo a corrente das águas, o batuque dos peixes, o descer das moitas, dos galhos soltos, das folhas, o movimento dos barcos. Ora a água se abarrenta, ora fica translúcida. Os peixes, as piabas se entrecruzando, as pedras comandando os remansos.  O tempo vai e vai, e ela lá, vendo o rio se aproximar quebrando o barranco, provocando o afloramento de suas raízes. Mas o rio é o mesmo, com os mesmos batuques de peixes, com as mesmas aves voando e moitas descendo.

Na escola, eu ali, os alunos chegando, os alunos saindo. As mesmas vozes, os mesmos gritos, os mesmos passos, gestos e inquietações, os mesmos aborrecimentos, aquele monte de corpos adolescentes carregados de energia. Os alunos como as águas do rio: a permanência do que passa. A multiplicidade de seus rostos formando uma cara eterna: a cara de alunos. Os nomes? Minha memória não os guarda. Sempre conheci meus alunos pela cara. Um ou outro é mais saído, tem nome, que logo a ferrugem do tempo corrói, e ele volta ao anonimato, diluído na composição da face geral.

Os alunos sempre passantes em multidão, ano a ano, pelo mesmo lugar. Eu ficando, ficando. Acabei me assumindo como se assumiria uma árvore de beira de rio. Mas de um rio tormentoso, devastador das árvores das margens, em degeneração.

Voltar | Enviar por e-mail
escort bayan
Júpiter.com.br - Esmeraldo Lopes - Todos os direitos reservados