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PONTO MORTO
Esmeraldo Lopes

A musiquinha perdeu o sentido. Quando a escuto puxando alguma manifestação, sinto uma tristeza... As pessoas caminhando sem vida, ali, como se estivessem em acompanhamento de funeral, pior, como se estivessem envergonhadas por estarem em ato de arremedo de protesto. Não a cantam porque ela é distante e lhes chegou por mandado de ritual vazio. E aquela moqueca de gente andando, com as bocas silenciosas, ao som que vem do carro-de-som: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...” Mas a cantiga soa fraca, sem sentido... nos meus ouvidos também. É que ela foi o embalo de uma época que morreu, morreu e enterrou o grito de brabeza e de dignidade de quase todos que a entoavam com esperança. Agora encontro, ou vejo pela televisão, alguns daqueles rostos barbudos e entusiastas, no passado recente, em posição de ponto morto.

Há muito, entendi que todo ato encontra sua justificativa no encanto de argumentação com palavras bem cunhadas. Pois aí é que está: para disfarçar a dureza da vida e a fraqueza da alma, as pessoas vão fazendo elaborações, e dependendo do caminho que tomem, acabam por entrar em situação de inanição mental. Por que escrevo isso? Porque me vem aquela gente tão falante em revolução, a paralisar meus urros de indignação, dizendo: “É preciso entender, ter calma, que é o processo”. E tudo é o processo, devemos esperar pelo processo, nos conformar com ele... Resignação absoluta. A impressão que tenho é que se essa gente se sentar sobre um formigueiro, em silêncio e sem movimento, esperará que as formigas façam seu trabalho, afinal, é o processo.

Processo, palavra para dizer: fluxo dos acontecimentos. Dos acontecimentos acontecidos na torrente do entrecruzamento de infinitas ações, misturadas com o mexido dos fenômenos naturais, mas, o homem no meio, desesperado, no imprimir de sua vontade. Vontade, isso que os senhores do encolhimento agachado, perderam. Perderam e se põem à margem da estrada à espera, em gesto de omissão profunda, entortando a boca de tanto falar “é o processo”, “é o sistema”.  E quanto maior a reivindicação testada em certificados do grau de intelectualidade, maior a paralisia. Paralisia justificada com ornamento vocabular sofisticado. Mas, o que esse ornamento encobre? Encobre a postura de quietude de vida dos que se fizeram casta beneficiária, e se ajeitam à custa dos sacrifícios e da dor povo. E da condição em que estão, sem cantiga de força, adulteram cantando para o silêncio de si mesmos:

 

“Eu estou contente Porque eu tenho um emprego Sou um dito cidadão respeitável E ganho oito mil reais Por mês...”

Processo, auréola de ponto morto, dos enchedores de latrinas.

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