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Nostálgico genético
Esmeraldo Lopes

Não sei por que, mas minha suspeita mais recente é que o meu ser como sou seja genético. Evidentemente que o dizer de uma coisa dessas saindo da boca de um sujeito que estudou Sociologia, ou pensa que estudou, é de arrepiar. Mas é aquela coisa: andei papagueando o repetido dos livros: “o homem evolui”; “o homem é histórico”. Um dia, me veio aquele estalo que isso poderia ser uma grande besteira. E me firmei na idéia que hoje convicto: o homem que sou não varia nenhum milímetro do sujeito que balbuciava através do repertório de cem palavras, ainda habitando nas cavernas. Os sentimentos são os mesmos, assim como as necessidades, ansiedades e desesperos. Mas nada mudou? Sim, as formas. O troglodita sou eu em outra forma. Retirem-se as formas de nosso presente e tudo volta à idade da pedra em um ligeiro de relâmpago. E o sustentáculo das formas não é outra coisa senão o destemor e o medo. Os “civilizados” se indignarão na escuta desse afirmar, mas não posso fazer nada. Se eles gostam de ser “civilizados”, do século não sei o quê, que sejam, e que se enfartem por suportar o insuportável. E dentro desse meu pensar, sugiro que os médicos criem um diagnóstico mais adequado para certos falecimentos: “causa mortis: ‘civilizado”.

“Vivência! Consciência!”. Com essas duas palavras mágicas os “entendidos” proclamam de modo cabal, toda a origem da diferença de personalidade. De minha parte digo: isso é tempero de forma, que a essência é genética. E é nisso que me apego: as pessoas não mudam, se escondem, ou são escondidas. Quem não precisa se esconder, desconfiar de si? Tenho medo de mim e me envergonho dos disfarces que tantas vezes usei e dos que ainda usarei, e que impedem o meu ver de minha própria face. Não me conheço, não posso me conhecer. O homem é um ser que leva a vida arranhando à procura de si, sem jamais poder se encontrar. O que conheço de mim, o que suspeito que alcancei? Uma certeza na infinitude de dúvidas e obscurecidos: sou um nostálgico genético. Vivo querendo reprise do passado, não apenas para revivenciá-lo no bom, mas também para corrigi-lo nas desfeitas, que incorri, que aceitei, e que me fazem mal. Vingativo? Não lamento por isso. Minha nostalgia solicita essa postura. Alimento-me da esperança que deita nas curvas dos rios. As curvas... passagens obrigatórias de tudo o que descamba na levada das águas. Todo rio tem uma curva, ao menos uma curva, e é nela que espero, espero, enquanto a morte não vem, de tocaia, na expectativa da possibilidade de correção do passado. Essa conversa de oferece a outra face é coisa de Jesus, e o fim dele todos sabem: está até hoje pendurado no sacrifício da cruz imaginária. Mas... como ele era filho de Deus, não pode servir de exemplo para mim: sou da raça humana.

O que eu queria dizer ainda não disse, para exemplificar minha nostalgia genética. Acho que a vida devia acontecer em dois lances: um para aprender e outro para viver. Se assim, me esforçaria por poucos passos repetidos. Ter os mesmos pais; ser pai dos mesmos filhos, para ser o pai que não fui; estudar Sociologia na mesma Escola de Sociologia e Política, na mesma época, convivendo com os mesmos colegas e ser o sociólogo que não consegui ser; por fim, ser o que nunca consegui: professor, como acho que um professor deve ser. No mais, que a nostalgia viesse a fazer pasto na liberdade do passo de outras lágrimas de vida.

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