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"Civismo" esmolé
Esmeraldo Lopes

                    Que não se olhe para trás, para que assim se possa deixar de lado ares de saudosismo. Olhe-se no presente e ver-se-á que por todos os campos campeia um novo tipo de civismo: o “civismo” esmolé, filho bastardo dos Diretos Humanos. Filho bastardo. Isso mesmo, que os Direitos Humanos foram alimentados para resguardo dos direitos políticos dos cidadãos, contra a violência das ditaduras. Depois perdeu o foco e passou a englobar tudo, e tudo virou uma questão de cidadania. O político se diluiu no social, entrou em anemia, se espatifou.

Direitos Humanos... atendimento das necessidades dos indivíduos, reconhecimento dessas necessidades. O Estado a serviço disso. Um tipo de Estado filantrópico, clemente, culpado, paternalista. Todo mundo com direitos. Com direitos sem a necessidade de cumprimento de deveres. Dever? O que é isso? Alguém está mijando na rua, assaltou, estuprou, agrediu? Culpa da sociedade, do Estado que não educou, que não conscientizou. Enfim chegou-se a uma sociedade de vítimas, de coitadinhos, mas “cidadãos” com direitos a serem observados. Afinal, os direitos são uma conquista da humanidade, da civilização. Aos indivíduos compete apenas o benefício do benefício. Benefício sem ônus, é claro. Uma síntese disso: “cidadania” sem cidadão. Até aqueles indivíduos que se estampam pelo garbo da renda, pelo grau elevado de instrução, pelo consumo ostensivo, pelo empoleiramento em cargos e posições de destaque, não podem ter o merecimento do nome cidadão. Não têm ação, têm comportamento. Só os interesses estritamente individuais os movem. No mais não se distinguem da massa de coitadinhos, sendo também coitadinhos, pelo menos naquilo que concerne à postura diante das questões de definição política. Nesse assunto, não entender, não se incompatibilizar, se omitir, silenciar, afinal, “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

“Civilizados”, uma gente sem energia, “compreensiva”, fraca, botam os olhos no mundo com ar de salvadores. Verdadeiros cruzados dos “direitos”. A cada três palavras que emigram de suas bocas, uma, pelo menos uma, é: “direitos”. A palavra dever só lhes vêm quando se trata de exigência para com o Estado, para com a sociedade.

Certa vez, me botei a criar porcos. Alimentava-os, cuidava da limpeza dos chiqueiros, não lhes deixava faltar água e recomendava cuidados especiais com a higiene. Eu acho que “os porcos também têm direitos”. O que isso tem a ver com esta conversa? Simples: quando eles estavam no grau que eu julgava adequando, os abatia. Eis tudo aí. Os “Direitos Humanos” são uma grande ceva. Os agentes do Estado sabem disso. Traduziu-os em um nome: “cidadania”. Macaqueou direito para todos. Não é preciso ninguém conquistar nada, basta chorar, clamar nos rádios, denunciar, pedir, inchar o peito e dizer: “Eu tenho direito!” Não sei mesmo para que ainda existe nos dicionários as palavras reivindicar, conquistar. É que foi aberta a era de um novo tipo de civismo: o “civismo” Esmolé, instituidor de uma sociedade de párias.

Falei mas não cheguei no lugar que eu quero. Chego agora. Os alunos gastavam o juízo querendo alinhavar idéias para despejá-las na resolução de uma prova. A sala de aula parecia um deserto de roído. De repente, uma gritaria em vozes infantis do lado de fora: “Queremos justiça! Queremos justiça!”. Imaginei que a meninada, da escola que funciona no prédio visinho ao local onde eu aplicava aprova, estivesse em pau com a diretora, ou com alguma professora. Desloquei-me até a balaustrada e avistei tudo. Os meninos brincavam de “políça e bandido”. Os que soltavam o refrão eram os que estavam presos. Enquanto os presos cobriam os rostos com camisas e inflamavam as mãos, os “poliças” – gritos isolados saíam: “poliça filho da puta” -, circulavam nervosos empunhando armas fictícias. Com pouco, a cadeia foi rompida. Os bandidos saíram em perseguição aos “poliça”. Esses correram esbaforidos, mas logo foram alcançados e mortos. O alarido da comemoração da vitória dos bandidos. Vendo aquilo, pensei: “Meus porcos, se lhes faltava comida, também arrombavam as cercas, mas não sabiam se vangloriar”. Eles não eram aprendizes de “cidadão”, não podiam ter orgulho desse “civismo” esmolé, que comemora a glória de  pária.

A professora - podia ser a diretora - aparceu: “Meninos, o recreio acabou”.

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