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O caminho
Esmeraldo Lopes

Nos templos, a difusão dos traçados certos dos caminhos mortos para o além-vida. A pregação da morte em vida, para a conquista da vida após a morte. Corpos vencidos pelas agruras do viver, pranteando, alimentando-se com a fantasia definitiva da fé, formam rebanho, e pregam os ouvidos na pregação: “A verdade, a luz, a vida”. Espalhados por todos os lugares, mas grudados no chão do aquém, a auto-exposição variada de pregoeiros que, entre rabiscos rebuscados e palavras enfeitadas, dizem o lugar do pisar certo do caminho das pedras. Uns se ancoram na objetividade dos fatos relacionados, palpáveis, delineáveis, complicam o evidente, explicam o inexplicável: “idiotas da objetividade”, no batismo de Nelson Rodrigues; outros se ancoram em refrões que soam melodiosos nos ouvidos de ingênuos em desespero: “pensamento positivo”, “acredite em você”, “os mandamentos do sucesso”, “seja um vencedor”, “os passos da felicidade”...  Vozes mansas ecoam desde o longe da história, transportadas em gemidos, alimentadas pelo mistério que dá vida a vir, e se dissipam no infinito de possibilidades. Põem-se em escarafunchamento da mente. Morrem em fundo pensar, com o peso da dúvida da certeza.

Não há e nem haverá quem explique com exatidão o motivo dos fios se enroscarem, de formarem emaranhados que a razão não pode compreender. A este respeito, as explicações dos cientistas... que não se confie nelas. Os cientistas pensam que explicam, mas não explicam: iludem-se.  Quanto a mim, carrego uma forte suspeita que os fios se enroscam para nos mostrar sempre e para sempre como a vida é.

Não há caminho, apenas a tênue trilha aberta pelo pisado leve de nossos passos, mas fica sempre no nosso atrás. E a trilha se fecha sem vestígio, no balanço de pergunta afiada, no assopro do vento do tempo. De cá fico a pensar: “A vida é uma coisa assim: você não escolheu nascer, mas tem que pagar com sofrimento para viver”. Mas viver para quê? Para viver, ora! Tudo se encerra aí. Quanto ao caminho, quanto ao segredo da vida... O segredo da vida é que a vida não tem nenhum segredo.

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