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Espermatozóide inteligente
Esmeraldo Lopes

O acaso é o milagre do milagre. Posto que isso, todo milagre é a ocorrência do absurdo. Uma noite mal dormida, um minuto de atraso, uma leve chateação, um fuxico, qualquer caminhar por caminho de outra direção de um ancestral, o tropeço de um espermatozóide há dois mil anos, e a matéria que compõe e dá forma ao ser humano que hoje tonteia na tecelagem da vida no mundo, estaria dispersa na infinitude das substâncias que se combinam aleatoriamente na natureza. De acaso em acaso, o absurdo vai acontecendo e se repetindo. Não estou falando do absurdo da existência da espécie, que esse foi o passo primeiro do absurdo do qual decorre o outro que é o da existência do indivíduo. Depois de todos os acasos anteriores, milhões de espermatozóides na disputa pela fecundação de um óvulo. Corrida cega de puro instinto. A vida como imposição. Não. Não nos é dado o direito à escolha alguma, e mesmo assim, eis nos aqui, pendidos pelo peso dos fardos que vamos fazendo na vida. Mas, mesmo que nos fosse dado o direito à escolha, a conseqüência seria sempre e eternamente a angústia e o tédio. Não importa quando, onde, a situação. Sempre a angústia e o tédio a nos arrastar pelo oceano infinito da vida, em um suceder de acontecer sem fim, nos impelindo sem governo de direção. Não, há uma direção segura: a morte. Apenas a morte é direção. No mais, absurdos se combinando com absurdos, fazendo milagres.

Não suportamos o oscilar infinito entre angústia e tédio. Mas estes são o prêmio da vida. Carecemos de sentido, mas não há sentido. Então, inventar sentido: religião, filosofia. Religião: a ordem do pensamento morto, de um deus sádico, cruel, que se alimenta da glória afirmada na desgraça humana. Filosofia: a ordem da busca infinita, desesperada, viva. Não adianta. Não pode haver resposta, que o absurdo se faz da combinação aleatória de sucessivos acasos, e na vida, nunca se sabe onde se vai dar. Resta-nos as sentenças: o homem nada mais é que seus atos e as conseqüências; a vida um delírio que preenche o espaço entre o nascimento e a morte. Delírio de dor, com lampejos de alegria. No fim de tudo, fora todas as conversas sem fundo, os espermatozóides inteligentes são os que resolvem não fecundar.

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