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De castigo na pensão de Ambrozina
Esmeraldo Lopes

Ambrozina é habitante da rua, de uma rua bem no meio da Caatinga. Vive de agasalhar gente sem pouso próprio no lugar. Lá, quem procurar ajeitamento de sono, conforto para barriga, recebe a indicação: “É ali. Ali é a pensão de Ambrozina”. Foi nessa que eu fui. Havia chegado da secura empoeirada das estradas da Caatinga. Procurei cura para o incômodo do corpo em um bar, e lá, conversa, conversa e... “Aqui tem hotel?”. Três vozes: “Vá lá em Ambrozina”. Como era dia de movimento de festa, corri para garantir vaga. Fui entrando, batendo palma. Uma voz lá dentro se soltou: “Vá se chegando aqui pra dentro”. Dei-me frente a frente com uma mulher. Pela cara já se via logo que era um tipo despachado. “A senhora é dona Ambrozina?” Ela fez cabeça de confirmação. “O que o senhor quer?” “Hospedagem”, respondi. Ela fez golpe de exame em meus olhos, vigiou meu corpo. “Quem é o senhor e o que anda fazendo aqui?” Falei meu nome, disse no vago o meu motivo ali. “Tá só ou acompanhado?” “Estou só”. Fez silêncio de cálculo. “A gente ajeita. Só tem uma coisa: a pensão fecha às dez, comida só até às dez. Se chegar depois fica na rua, que eu não abro a porta”. Sem saída, fiz gesto de aceitação. Saí avaliando. Como ia fazer para dormir às dez se meu horário de sono é na madrugada funda? Me veio que quando bebo, bebo e como, caio em sono fundo. Foi o que fiz. Às dez, nem mais, nem menos, cheguei. “Por que não veio mais cedo? Eu devia não servir mais a janta”. A comida batendo na boca e o sono apertando. Não sei se terminei a refeição. Sei que acordei no horário que, pelo costume, vou dormir. Acordei ao som de batida de panelas. Ambrozina já estava nos mexidos de seu trabalho, agoniada na luta para fazer fogo forte, de manter o asseio da cozinha impecável. Fiquei ali por perto dela, procurando puxar conversa. Ela me olhava com o rabo dos olhos, mas não era por suspeita de ameaça de perigo. Era por outra coisa. Eu vi lá dentro do pensamento dela. Ela pensava: “Sujeito preguiçoso”. E eu estava na espera da ordem: “Abane o fogo, pegue um pau de lenha, se mexa homem.” Mas o seu pensamento não saiu do pensamento. Quando me embalancei para a saída, ela veio com simpatia: “Gostou do ambiente? Eu faço o que posso para ajeitar vocês. Aqui não carece ficar até tarde na rua. Quando precisar é só se chegar.”.  O tipo despachado se desmanchava em sorriso de alma.

No outro dia, um conhecido apareceu sorrindo, falando do que ela havia falado a meu respeito: “É ele? Ele não teve a consideração comigo de se apresentar direito. Se eu soubesse... É que me disseram que quando a gente tá perto de se aposentar aparece uns homens fazendo pergunta, querendo atrapalhar. Eu pensei que ele fosse um desses”. E o conhecido concluiu: “A lei de Ambrozina é dura: “Na noite do dia que você saiu, chegaram lá um rapaz e uma moça, gente que trabalha com mineração, querendo hospedagem. Ela foi logo dizendo: ‘Se quiserem dormir aqui vai ter que ser em quartos separados. Você que é homem lá no quarto do muro e você que é mulher, aqui dentro’. O rapaz, indignado, falou que em todo lugar dormia junto com a moça, que era casado. ‘Cadê o documento que prove? Em minha pensão, se quiser é assim, que aqui tem que obedecer ao meu regulamento. Aqui ninguém esculhamba”. A dupla foi botada de castigo no remoer da noite longa.

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