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Pipoco na fila
Esmeraldo Lopes

A fila estava de agoniar, não tão pelo número de pessoas, mas pelo seu não andar. E ali, naquela agonia, todos olhando para o funcionário do banco que se mexia no caixa. Ele, ora metia os dedos na máquina, ora parava a atenção nos papéis. Não apresentava sinal de nervosismo, nem de insegurança. A paciência do universo fazia descanso em seu semblante. Mas parece que as pessoas tinham feito jura de encontro, naquele dia, naquela hora, naquele lugar para chatear as outras. Cada uma que chegava no caixa ia consumindo os minutos e todo mundo ali olhando, se embalançando sobre os pés, e quando parecia que o infeliz estava por se despachar, lá abria uma bolsa ou sacava do bolso mais alguns papéis, papéis sempre complicados. Como os enfileirados se apressavam em agonia, davam um passinho para a frente, na tentativa de ficarem mais próximas do fim daquele aperreio. E quando um desgraçado se desembuchava do balcão, lá ia outro, aquele que estava em primeiro lugar, que tanto reclamara pela demora, e abria uma bolsa de onde retirava as complicações mortificadoras de nossas esperanças. E os olhos dos da fila corriam fazendo vistoria nos apetrechos de mão dos postados no adiante de cada um.

De tanto que foi o ficar ali sem progresso, os mais aperreados foram soltando seus “Absurdo!”,  “Parece que pensam que a gente não tem o que fazer!”..., dizendo assim para todos e para ninguém. Daí a pouco, a fila fica uma verdadeira esculhambação: uns voltados para um lado, outros para outro, e ainda alguns fazendo parelha em conversa de ocupação vazia de tempo. Uma mulher baixinha, que carregava uma criança no braço ocupou o primeiro lugar. Estava acompanhada do marido. Dava para se ver - sem dúvida - que era gente sem hábito de cidade. Ela trazia uma bolsa pendurada. Criança para a direta, bolsa para a esquerda, o marido de lado. Tratava-se de um casal jovem e de pouco notar. Ali na frente era como se não existisse, pelo desapercebido da atenção dos circunstantes. Nada mais que a ocupação de espaço.

A campainha do caixa fez seu blinbom. O marido se apressou - a mulher atrás -, entregou algo ao funcionário. O funcionário fez olhado rápido e pediu mais algo. O marido cochichou na direção do ouvido da mulher. A mulher se desembaraçou da criança colocando-a nos braços do marido e começou a remexer na bolsa. Tira e tira e achou, entregando-a de rápido. O funcionário examina e examina, pergunta, o marido responde, a mulher intervem, e a fila agoniada, com toda a atenção no casal, mas atenção desprezível. Aconteceu o desembucho, ele se foi. E um e mais um ocupando o lugar, na marcha da demora. E aquele desassunto sem fim. Já se tinham ido uns três, quando o casal voltou. A mulher na frente, só com a bolsa. Falou com o funcionário e o funcionário mexeu, revirou os papéis da gaveta, outros que estavam sobre o balcão. Disse: “Não”. A mulher: “Olhe direito. Só pode ter sido aqui. E lhe dei”. O funcionário respondia:“Não”. Ele calmo, a mulher se zangando, se zangando. Quando se bateu na esperança perdida, voltou o olhar para a fila. Os olhos dela rangiam. E nesse ranger ia fitando nossas faces, examinando o chão de nossos pés, fiscalizando nossas mãos. Todo mundo calado, em suspense. Ela ia e vinha nesse assim atormentador. Ali todos eram seus inimigos e no meio deles estaria o ladrão, remoia por dentro. Fosse ou não isso o que ela pensava, era o que todo mundo pensava que ela estivesse pensando. Ela não tinha mais tino. Seus olhos já não rangiam, explodiam nos nossos. O marido a acompanhava fuzilante, esperando a ordenação dela, coisa como “É esse aqui!” E os da fila se esforçavam por se manterem em indiferença, mas na verdade todos se encolhiam. Saíram carregados de ira. Logo depois, apareceu o faxineiro do banco com uma identidade entre os dedos, se dirigindo ao caixa: “Pendure aí para ver se o dono aparece”.

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