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23 de Junho
Esmeraldo Lopes

Hoje é noite de São João. O barulho de bombas, rojões, traques e uma parafernália de outros fogos de artifício mexem com a noite por todos os lados. Alguns emitem som seco, oco. Outras soltam barulho que repercute varando o espaço. Há ainda os fogos que viajam assobiando no ar. Eu não vejo, mas sei que as chuvinhas e as cobrinhas fazem um festival colorido onde quer que haja criança. O silêncio, em tudo, é perturbado pela promiscuidade dos estrondos, que vão de brandos a ensurdecedores, sem obediência de compasso de tempo. Aqui, ali, clarões coloridos vêm a meus olhos pela treliça da janela de meu quarto. Há um cheiro de fumaça de lenha queimada, misturado com cheiro de pólvora e de carne assada. Vozes de adultos e gritos de crianças se misturam com o barulho dos fogos e cortam o som das cantigas de forró, sem fazer sombra ao tumtumtum das zabumbas. As fogueiras, com certeza, estão acesas.

Nas casas deve haver animação, e canjica, e milho assado, e rostos alegres, e crianças embevecidas de tanto alegrar. Nada disso é anormal na noite deste dia. É a vida se fazendo festa. A noite de São João é assim. Antes fora mais que assim. Mas não se deve falar do antes. Vive-se o agora. E este agora deve ser assim para todo o sempre. Que se rogue que o seja. Aquelas crianças fui eu, foram meus irmãos e meus colegas, depois foram meus filhos, e antes foram meus pais. Neste momento, a animação está descampando por muitos e muitos lugares, quase da mesma forma, fazendo a gente ser a gente. Meninos, adolescentes, jovens, adultos, velhos... todos encantados pela noite da alegria, fazendo a longa e eterna costura das gerações.

A noite avança. As crianças tentarão resistir ao sono e, a bem dizer, não dormirão. Mais próprio é dizer que elas desmaiarão. Uma após a outra irão se quedando nos sofás, no colo das mães, das avós ou serão conduzidas debaixo de protestos beiçudos para as camas. Em cada fogueira ainda sobrará alguma que, solitária, tentará fazer vigília às labaredas fumacentas, na intenção de embalar-lhes a vida, ateando o último toco de lenha que não se queimara no todo. Mas o sono vem, e o último combatente de um sonho luminoso, carregado de vida, tomba desfalecido, expondo um semblante de profunda alegria e esperança. E amanhã ao acordarem, uma a uma, ainda procurarão nas cinzas da fogueira morta reconstituir a magia do hoje. Poderão ainda encontrar o sinal de fogo em um tição, e tentarão reanimar a vida, como operando o milagre da ressurreição. E olharão nos arranjos da festa as bandeirolas desajeitadas testemunhando o que foi, e terão a certeza que não foi um sonho.

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