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SOLIDÃO
Esmeraldo Lopes

Não perturbe minha solidão de mim. Quando ela bate, eu me abandono e o corpo se aperta em uma dor desalentada, anestesiante. Às vezes não sei de onde vem e nem quando vai. Só sei que não provém de nenhuma espera e que se vai sem motivo de esperança nenhuma. Sem omissão de verdade, até que me traz a serenidade mansa da impotência: um tipo de paz moribunda, inodora, asséptica, despida de imagens e de prazeres. E fico imobilizado, abandonado de mim, e me auto-entrego ao vazio do nada, mergulhado na audiência de meu silêncio. E minha casa... não sei se túmulo, não sei se útero. O tempo... o tempo perde o sentido, e o mundo mingua, resumido-se num corpo imóvel que pensa, que pensa sem compromisso de razão, na sala das solidões noturnas. Na sala das solidões noturnas, eu e o mundo. As imagens espectram-se sem assombro, perfilando libertas de ordem, se governando ao arbítrio do caos, indiferentes à claridade, ao escuro. O juízo nem se desliga e nem se liga: existência inexistente. A sensibilidade, reclamando silêncio e abandono, explode dolorosa, carregando as dores do mundo, trazendo de volta as vergonhas, as alegrias, as tristezas, o não acontecido, o inimaginado, o acontecido, tudo sem alinhamento de suceder, de aparecer, de desaparecer. O passado, o presente e o futuro, tudo junto. O sol nasce, o mundo acorda e me empurra para o viver. Os espectros se recolhem cansados, para o lugar de não sei.

A solidão do mundo é tormenta. Tritura a alma e chicoteia o corpo apartando-me do mundo. Aí eu desespero acocorado, acantonado no ressentimento dos vencidos. Mas ela não precisa de sala, nem de hora. Só precisa de um corpo que se abate. E ela me colhe, e me faz inimigo do mundo e de mim. Caminho insensibilizado pelos traçados da vida, sem atenção na folha que rola, na voz que me vem, na imagem que se quer no meu olhar. Todo o mundo é minha dor, que faz de mim nada. Os outros... minha opressão, minha negação: terríveis testemunhas da desgraça. Ausência de mim com os outros. As vozes, o diz-que-me-diz, o bailado dos olhares sem destino, mãos se abraçando sem ânimo de verdade. Cerveja vazia e conversa sem fundo. Fingir alegria em festa sem alegria. Nada chega, o tempo passa, e se enche de desacontecer.

Solidão acompanhada, que terrível solidão! Não! Não me contamine de você. Você é superfície, ser sem ser que se acredita sendo. O seu mundo é frívolo, por isso aparenta alegria. Olhe as ervas daninhas que crescem ao seu lado... Parecem-se com você. Deixe-me na imersão das águas turvas do meu ser só. Nele, perambulo no vaguear de mim mesmo, esperando, procurando não sei o quê, em um perpétuo desesperar. Mas eu não escolhi. Sem corrida de propósito, me fiz vida assim.

Não! A solidão não é paz, é inferno. Mas, porque estranhar a solidão? Ela é minha inelutável companhia. Os outros? Aos outros, só a minha superfície. Se ao menos eu me conhecesse!, quem sabe, se me daria ao menos a mim, sem conflito. Mas aí eu seria superfície sem mim. O sentido da vida... Por que ela precisaria de sentido? Se ela tivesse sentido não existiria nem religião, nem filosofia.

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