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GÊNERO AMALUCADO - II
Esmeraldo Lopes

A idade vai se pondo na gente e em alguns idos, na viagem pelo tempo, o presente começa a ser medido pelo passado. Como as coisas mudam! Ponho-me apegado nesse refletir e vou refletindo pelo que vejo no meu pouco andar. Se não se busca matéria para refletir, aquiete-se. Basta um pouco de atenção e o mundo nos vem, se mostrando, se denunciando. Pois não é que agora o mundo anda a me denunciar a situação dos homens? Homens? Não sei se esse plural pode ser tão plural assim. Eis aí o problema, tudo é questão de conceito.

As mulheres gritam aos quatro cantos que falta homem. Falam isso nas escolas, nos bares, na rua. Olho para os lados e vejo um bando de sujeitos que eu apostaria que fossem homens, mas elas insistem em dizer que não há homens, que o material está em extinção, muito escasso mesmo. Instigado por esse reclamo generalizado, passei a fazer filtro com meus olhos. Percebi que várias das que dizem não haver homens são casadas, outras são noivas, outras têm namorado, e por que então esse queixume todo? Para clarear a questão, me botei a decisão de fazer averiguação apurada. Não precisei fazer muito esforço e cheguei na causa real do sentimento delas. É que elas chamam de homem aquele tipo de sujeito que há anos atrás dominava o cenário de qualquer lugar: dominador, carrancudo, decidido, delimitador de território, provedor. Mas esse tipo de homem elas juram de pé junto que não lhes serve. Puro engano. Nessa conclusão reside toda a causa da insatisfação feminina. Elas não sabem também que a causa-raiz de seus descontentamentos está em uma palavra mágica: civilização.

Os “homens” se civilizaram. Maquiavel, após colher lições da história, aconselhava os príncipes: “Em tempo de paz, é necessário empreender a tropa em atividades grosseiras para que os soldados não se afeminem”. Como não se cuidou que esse ensinamento tinha outras aplicações, chegamos onde chegamos. Os ventos da vida moderna suavizaram a natureza das atividades e as relações entre os homens foram envolvidas por contornos de sutilezas. Os camaradas descuidaram da têmpera e se entregaram a finezas. Despojaram-se dos hábitos “bárbaros”, iniciando esse processo pelos usos. Passou-se dos usos aos modos e dos modos ao pensamento. Como “o hábito faz o monge”, estamos no hoje dos homens desnaturados. Homens? Eis aí o problema, tudo é questão de conceito. É verdade que no correr do olhar ainda dá para a gente distinguir o gênero das pessoas pelos apetrechos naturais, mas quando se observa os modos, aí vão se tornando indistintas. A gente começa a ficar sem saber, pela confusão do misturado e da inversão de papéis. Como marca distintiva, acaba sobrando só os apetrechos da natureza, mas hoje eles não dizem muito. No sapecar do olho em qualquer direção dá-se com o uniforme de civilizados. Uns se trajando na combinação ditada pela estilista da moda, outros exibindo maneiras afeminadas expressas nos gestos, no olhar, na tonalidade da voz e até no emprego de um vocabulário próprio da figura imaginária de anjos. Entre eles, há aqueles, que exageram na intromissão do território feminino. Ornam-se com brincos, com pircens, com pulseiras, vestem batas coloridas, calçam sapatinhos delicados e acabam penetrando mais fundo, adotando o pensar das mulheres.

Esses civilizados esqueceram-se e se imiscuíram no mundo, no entendimento íntimo das mulheres, tomando para si parte da sensibilidade delas e em curto tempo pouco se diferenciam delas. Alguns até chegam a acompanhar as esposas ao ginecologista, não apenas para conduzi-las, mas para participar nos encaminhamentos do parto, lamentando por não poderem sentir os incômodos, a dor, engravidar junto. Nisso, manifestam, sentiriam o maior prazer. Outros acham isso muito estranho, mas como é a civilização, acabam também caindo no conto, com medo de serem chamados de retrógrados, de machistas. Mas não para aí. O homem tem que ser civilizado, e um ser civilizado tem que demonstrar a fineza de seu trato tomando como amigo o novo namorado ou esposo de sua antiga mulher. E a coisa está tão funda, que já tem até ex planeando fundar fã clube de ex-amantes de sua ex-mulher.

O resultado de tudo isso é um mar de civilizados com bundas chochas, encorujados, acabrunhados, insossos, sem almas, compondo um exército de mutilados. No andar com as parceiras não têm capacidade de imprimir rumo de direção e estão sempre na expectativa de seu comando. Não importa que ainda sejam provedores ou que simplesmente sejam sustentados. Não importa que não tenham se apetrechado com os estilos afeminados de vestir e de gesticular. A postura débil de ser se generaliza e agarra até aqueles que ainda pensam e afirmam em voz grave: “Sou homem!”. Disso escapa um ou outro, que ao invés de servir de exemplo, é rotulado de antiquado. Mas como as mulheres também foram desnaturadas, adentrando o território masculino, ao os vêem, soltam em uníssono o refrão: machista. E passam com seus encoleirados, puxando-os com a corda da civilização, bem trançada com argumentos os mais estapafúrdios possíveis. E por esses argumentos, de repente, os civilizados começam a se gostar assim.

Os encoleirados, ou civilizados, seja lá como se queira chamá-los, se esmeram no trabalho de agradar suas mulheres com presentes, e muitos as chamam de “meu mô”. Quando as esposas se entendiam, exatamente por efeito das finezas dos trastes que as acompanham, destratam-nos e eles, sem capacidade de reação, dão uma risadasinha envergonhada e vão para os bares, contar e ouvir piadas sobre a estupidez das mulheres. Não são homens, não são homossexuais, são maricas. Seus filhos não os tomam como modelo, e, sem conhecerem quem lhes dê freios, caem na gandaia, sem limite, sem referência.

Eu não podia imaginar que a coisa pudesse chegar a tal ponto. A televisão estava ligada e apareceu uma reportagem que mostrava cenas do casamento de uma dama da sociedade paulistana. Estiquei os olhos e vi. Vi bem visto. A dama se exuberava para as luzes que a focavam. Do lado dela um sujeito maquiado, acabrunhado, estatuava-se sem que ninguém lhes desse atenção. Quando quis falar, a repórter retirou o microfone. Ele não era nada, nada mais que um cachorrinho encoleirado, um mero estrupício engravatado: era o noivo. Sobre um sujeito assim não se pode aplicar nem a denominação de gigolô: seria um agravo ao termo. Desse tipo existem aos montes. Não são civilizados. Não embutiram na personalidade as credenciais para essa designação, mesmo que designativa de acanhamento. São apenas meio-machos, garotos de companhia. Não importa a idade que tenham, são garotos de companhia. Meio-machos porque, da macheza reservam apenas os impulsos sexuais desacompanhados do elemento básico na composição de um macho: o instinto de domínio.

Mas, e os homens, onde estão? Perdidos por aí. Existem em minoria e estão com uma grande missão, a missão de chamar esse bando de atoleimados, gigolores, sustentados, meio-machos, imbecis metidos a otários a tomarem atitude de homem. Sinceramente, desejo ainda ser testemunha de uma guerra. Não quero só ser testemunha. Quero ser participante. Sabe para quê? Para ver como vão se comportar esses tipinhos civilizados que andam se preocupando com o esmalte das unhas, esses cujas esposas engravidam e eles é que pegam o entojo. Quero ver a postura desses meio-machos diante de situação-limite.

As guerras não são de tudo mal, elas, às vezes, corrigem a deturpação dos conceitos e impõem recobro de atitudes, eliminando as desnaturações. Enquanto nada acontece, rogam as mulheres sensatas em seu silêncio: QUE OS HOMENS TOMEM ATITUDE DE HOMEM!

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