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Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 1/6

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Lembrança
Esmeraldo Lopes

Antes a ilusão era o combustível de minha vida. Ela não era ilusão. Eu a chamava de projeto ou de inexorabilidade histórica. Ela me carregava de esperanças. De tropeço em tropeço fui aprendendo que tudo se dilui e se torna poeira, massa informe e que todo o esforço, toda a luta, enfim, todo o sentido de algo se esgota em um passado que eu não tenho convicção de que a dor, o sacrifício valeu à pena, mas fez vida em mim. Passei a desconfiar da ilusão e a lutar contra a esperança. Viver no terreno do presente, agarrado apenas ao mínimo de estabilidade necessária à existência. Não acreditar nas expectativas que a vida me força a estabelecer. Aceitar a anarquia do mundo e viver anarquicamente. Eis aí tudo o que eu quero. A última fronteira da esperança que a minha existência me força a manter. Mesmo assim, de vez em quando a ilusão me colhe, mas logo os tropeços da vida me devolvem à condição de anarquista sem utopia. Eu sou um anarquista sem utopia: eis aonde cheguei. Na casa dos 24 anos conheci uma moça. Ela era minha colega de faculdade e se chamava Maura. Carregava beleza, mas era uma beleza sem ânimo. Os seus olhos olhavam sempre como se fora para muito longe, e a quietude paciente de seu jeito levantava suspeita de mergulho profundo no universo dos mistérios. Um dia ela olhou nos meus sonhos, sorriu piedosamente e falou: “Que pena! Tanto brilho em seus olhos, tanta vida em seu corpo, tanta esperança! Mas tudo isso vai esvaecer”. Olhei para ela como se visse a vida da morte. Faz muito tempo que não a vejo. Faz muitos anos que não tenho notícias dela, mas de quando em quando me vem sua face de tristeza, a expressividade sem brilho de seus olhos e escuto a sonoridade mansa de sua voz profética.

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