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Palavras
Esmeraldo Lopes

As palavras... É preciso saber o que as palavras dizem, o que se pode ou o que se diz com elas. Entre uma coisa e outra quase sempre um oceano. De minha parte vivo a me perturbar, porque ando desconfiando que elas andam fugindo de mim. Sinto dificuldade de capturar-lhes. Detenho-me em suas formas gráficas e sonoras, que a mim se apresentam de modo cristalino, mas vivem a me negacear as almas. Tenho medo de não alcançar a capacidade de penetrar no âmago delas. É possível alguém penetrar no âmago das palavras? Desconfio que não, porque elas são vida, uma vida que se faz em nós e que se completa em nós: em nosso olhar, em nosso gosto, em nosso querer, em nosso ser. Não! As palavras não são objetos que possam ser manipulados a nosso bel prazer. Elas carregam consigo suas verdades e seus ditames mutantes, e por meio delas nos conduzimos, e nos enganamos, e nos fazemos felizes e nos fazemos sofredores. Eu e o outro e nós e o mundo. Entre eu e os outros e entre nós e o mundo, as palavras. Elas se apresentam sob variadas formas de signos e sons, criados pela necessidade que sentimos de ser, de conhecer, de dizer, de trazer ao mundo um mundo que sem elas ninguém vê, ninguém sente, ninguém ouve. Um mundo que está dentro de cada um de nós e que só pode tomar forma e existência através delas. “No princípio foi o verbo” e o verbo se fez na vida, e faz vida. Com elas viajamos em nós, levamo-nos ao mundo e trazemos o mundo nós. Pelas palavras eu sou e digo o que sou, coloco-me diante de mim e dos outros e ponho ordem na desordem do mundo. E se eu perder a faculdade de conversar com as palavras? Aí alguém dirá quem sou eu e se fará meu rei. Verei com os olhos dos outros e pensarei que penso, mas não pensarei. Guiar-me-ei pela fé cega de alguma verdade distante de mim. E viverei no mundo da irreflexão e da superficialidade, mexendo-me como um autômato em estado de pura sensação. E as palavras não passarão de formas vazias com as quais me porei miseravelmente no mundo. Preso no meu corpo, não passarei de um animal com a sombra de humano.

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