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ESQUECIDOS
Esmeraldo Lopes

Em meu coração só existe o nome de pessoas classificadas em duas, e em apenas duas listas: a lista que contém os nomes daquelas que eu gosto e a lista onde constam os nomes daquelas que eu odeio. Na lista das pessoas que eu gosto foi preciso fazer uma distribuição que obedece a um critério. Há as que eu confio muito, um punhado de mão fechada; há aquelas que eu confio pouco, um bocadinho; por fim aquelas que eu não confio de jeito nenhum, um bocadão, mas meu gostar delas advém do fato de se mostrarem como são, não pelo querer, mas pela incapacidade de disfarce. As pessoas que odeio, disponho-as em linha frontal, na mira do cuidado de meu olhar. Entre elas umas são vis, outras nobres. Chego até a devotar respeito por algumas que carregam nobreza, porque crêem ser um bem o mal que me leva a odiá-las. Às vis... estas carregam consigo a ação combinada dos vermes e micróbios. Sua destreza é a arte de camuflar. Sua obra: arquitetar o diabo, depois lamentar pelo resultado da desgraça, queixando-se dele. As que me são indiferentes não cabem em lista nenhuma, pois tão logo elas saem de minha presença deixam de existir. Mas existem pelo menos por alguns momentos. Há outro tipo de gente que só por um grande acaso e muito esforço, o catado da memória espectra: são os esquecidos. Os esquecidos são seres que não conseguem sequer ser odiados. Não têm lugar nem à luz e nem à escuridão. Podem até estar no mundo, mas não têm existência. São sombras sem rosto, sem corpo, de um passado morto, que o esforço da lembrança reluta em rebuscar. Não, não são esquecidos pela indistinção. Os indistintos não possuem rostos. Possuem corpos que formam paisagem. Os esquecidos são os que ficaram. Alguns foram muito importantes, marcaram presença em minha vida, mas um dia... Aí apareceu que não eram o que se tinha que fossem. A decepção, depois o aborrecimento do engano. Raiva!, amargura... distância, e os vultos, longe, longe, longe, se perdendo, sumindo, se foram desaparecendo, e desapareceram, sem cor, sem imagem, sem alma. Apenas uma lembrança leve de que um dia algum alguém ocupou um lugar, que não lembro bem... Qual era mesmo o seu nome?

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