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DESEJO
Esmeraldo Lopes

Nelson Rodrigues, que é conhecido como tarado, pela falsa imagem que criaram dele, disse, embora outros já o tivessem dito antes, que “o desejo é triste”. É verdade. Sempre senti isso, embora nunca tivesse chegado a essa expressão. Pois vamos lá. O desejo manifesta um sentimento de impotência. Se eu tenho o que quero não preciso desejar. Só posso desejar aquilo que não tenho. Têm desejos que podemos realizar pela simples ação unilateral. Isso ocorre quando desejamos um objeto, e um objeto é um objeto, qualquer coisa sobre a qual eu atue a partir de minha própria vontade sem que ela possa reagir. Se desejo algo inexequível, como ir ao sol, aí estou delirando. Se desejo algo exeqüível, aí desenvolvo as estratégias e vou à luta. Só depende de mim. Meu corpo vai sofrer porque terei que me submeter às condições impostas, dadas no objeto, mas é um sofrimento calculado, previsto e, portanto, passível de controle. Como já disse, o desejo é triste. Mas ele é triste mesmo quando alguém deseja um outro alguém. Aí não tem mais objeto, mas outra pessoa, que pensa, sente e que também tem querer. Quando não há correspondência, o sentimento de impotência se manifesta. Isso pode ser resolvido à força, é assim que funcionam os tarados, os chantagistas e uma variedade enorme da fauna humana. Mas que prazer há nisso se não há correspondência? Esse território para mim só vale se for pleno, sem limites, sem censura íntima, sem bloqueios, sem vergonha: uma dádiva total. Se não é assim é desejo frustrado. Portanto é impotência, é tristeza. Se ele é unilateral, problema do ser desejante, mas se alimentado pelo outro, a recusa é improbidade.

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