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A IGREJA
Esmeraldo Lopes

Quando eu era menino, por imposição da família, da escola e pela pressão social, fiz catecismo, fui batizado – aos tapas, é verdade -, fiz confissões. Como quase todos os meninos do meu tempo de menino, fiz primeira comunhão e caminhei para a igreja. Não há como negar que todos esses cumprimentos me marcaram profundamente. No cumprir desses cumprimentos um mundo estranho de mistério e temor foi-me penetrando e entranhou-se no mais íntimo de mim. Quando me pus com a cabeça sobre o pescoço, abandonei a igreja. A partir daí só em situações especiais: casamentos, batizados – muito poucas vezes – e mortes. Sem ser assim, poucas exceções. Em qualquer que seja o local que eu tenha entrado em uma igreja, a imagem e a sensação sempre foram as mesmas: cheiro de incenso, de vela queimada, vozes cantando veneração, silêncio profundo, ar de penitência, proximidade da morte, culpa, arrependimento, o olhar piedoso dos santos e, às vezes, cheiro de bosta de morcego. Nunca tinha parado para pensar sobre o porquê da igreja se fazer com essa imagem, ou antes, das pessoas fazerem a igreja assim. O motivo que eu encontrei e que me interessa é aquele que me veio e que se pregou em meu juízo de forma cristalina: as pessoas têm medo da solidão, temem o ido irreversível dos seus feitos, não suportam o seu passado, angustiam-se diante da certeza do inesperado futuro, sentem o peso doloroso da vida presente e se desesperam diante da certeza da morte. Por isso elas precisam rezar. Precisam de um canto onde possam celebrar tristezas e alegrias, esperanças e desesperanças e de momentos para lavar a consciência, maculada por atos e pensamentos. Precisam de um lugar e de momentos para purgar. O fogo das velas queima as máculas. Queima as máculas dos vivos e dos mortos. Assim crêem os crentes. Por isso um crente não se detém com seriedade nem diante da vida e nem diante da morte. Para o crente sempre há a chance do perdão e a esperança de uma vida eterna e feliz, após a vida.

O crente é um ser atormentado e tormentoso. É atormentado porque acredita no inferno. É tormentoso porque acredita no perdão. Terá sempre um deus piedoso para ser tomado como cúmplice. Arrependa-se e tudo ficará bem, que este deus-cúmplice lhe socorrerá!

O homem sem igreja, sem cumplicidade de deuses, tem que se suportar e agüentar, na sua solidão, a dor do ato por si julgado como mal, suas venturas e desventuras. Fica na imensidão do mundo, entregue a si mesmo, e tem que ser seu próprio juiz e carrasco. Não tem perdão. Quem não tem igreja, se sabe só, e arde até as cinzas sua própria solidão. Se acende uma vela, sabe que o faz para si mesmo, para arrancar os fantasmas da escuridão de sua memória. E aí remói.

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