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Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 1/6

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Agonizante
Esmeraldo Lopes

O corpo em tropeço, beirando a trilha do inevitável fim. A consciência pulsa vida, grita, implora permanência, eternidade, mais um pouco, um pouquinho de mais vida, de vida sem dor. Toda consciência é certeza da morte. Contida no corpo, ela acompanha o cambalear, o agonizar, o irresistir dele, de si. Clama, clama... Os olhos aflitos irradiam esperança, desespero. Um bálsamo, um milagre, um impossível. A dor é um só preso em si, um em si que sente, que existe só dor. O mundo, os outros: tudo paisagem, indiferença, curiosidade, estupefação, impotência: o nada circundante. A agonia é solitária, solitária como vida intensa. O corpo: prisão instransponível da vida, túmulo da dor, da alma. Abandono do mim. A vida-consciência não pode migrar, não pode fugir. Enquanto é vida não pode inexistir. Condenação, pena: sentir, sentir. Um defrontar-se consigo, sem forças. Batalha cega, delirante, vacilante, às portas do mistério, sem a escolha do ficar ou do ir.

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