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Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 1/6

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Estigma
Esmeraldo Lopes

Ele não me conhece. Não sabe que eu sei, nem sequer desconfia. Eu vejo seu andar mortificado, sua face sem expressão, seu olhar sem vida e, no relâmpago de uma passagem na rua, escuto sua voz plangente. Não fora assim sempre. Tinha vida alegre como os de sua idade na idade que tinha, e gozava do privilégio das considerações sociais. Cometeu um latrocínio. Chocou a sociedade, a família e a si. Pelo arrumado dos arranjos não foi preso, mas se prendeu em um círculo de culpa, procurando redenção. E os anos. E seu ser desvanecendo. Tudo no prosseguimento do curso da existência, e ele estancado no ato culposo, se penitenciando, se penitenciando e perdeu a força de ser, mantendo-se pelo puro estar vivo, morrendo todo dia. Sempre manso e prestativo é indiferente aos sucedidos comprometedores acontecidos ao seu redor. Pode-se dele dizer que é uma alma santa, pelo proceder do depois. Não sei se ainda carrega algum remorso, ou se o remorso passado fez o seu jeito de ser. A cidade cresceu, pessoas morreram, pessoas nasceram, o mundo mudou, mas, com certeza ainda há olhos que se lembram e bocas que falam. Ainda há presenças que o fazem lembrar. E ele passa manso, inofensivo, expiado: um vivo que morreu. “Bom rapaz”, diz a moça que o espia. E, com pena, fala o que ouviu falar. Os que escutam escanteiam os olhos, com espanto silencioso.

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