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Diante da morte
Esmeraldo Lopes

Diante da morte só o silêncio é verdade. Só ele pode fazer companhia ao desalento de quem sofre pelo vazio da inexistência acontecida. Se falamos, se choramos, se desesperamos diante da morte, é porque não suportamos a sua profunda indiferença pela vida. Ela não admite companhia. Nos prega uma terrível lição: nascemos sós, vivemos sós, morremos sós. A sentinela não é consolo para o morto. O morto não precisa mais das coisas da vida. Os vivos é que precisam se lembrar no morto e nele viver e reviver o que nunca mais voltará a ser vivido, o que pode nunca ter sido vivido. Diante da morte, lamentos pelo que não poderá mais ser, pelo que não foi, mas que poderia ter sido. Talvez não tenha dado tempo, talvez não se tenha atentado, talvez fosse impossível. O tapinha nas costas, as palavras ao pé do ouvido, a mão amiga, o olho choroso do solidário, tudo isso é inútil. A dor da morte se apodera por inteiro do corpo de quem a sente, e este é apoderado pelo sentido e pela imagem da dor. Dor! Profundamente infinita dor. O enterro é um ato imediato, de sofrimento anestésico. Longa e angustiosa é a labuta solitária do sepultamento. Abre-se um vazio que não se preenche, que não se quer preencher. Um sepultamento no corpo de quem o vive. E leva meses, e anos e, por vezes, toda eternidade de uma vida.

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