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ACADEMIA
Esmeraldo Lopes

Não gosto dos acadêmicos e nem da academia. A academia mata a vida. Lá se aprende como se mata lentamente, passo a passo, toda a emoção, todo o suspiro de vida ardente. Por conseqüência é o lugar onde se morre no mesmo ritmo em que se aprende a matar tudo o que penetra os sentidos, tudo o que se percebe pela alma. Triste destino este que nos auto-impusemos: para ser “gente”, é preciso fazer um estágio na casa da morte e do assassinato da alma. Muita gente, a maioria das pessoas que segue esse caminho, que trilha nas veredas da academia, nunca mais retorna à vida. A academia não é outra coisa senão o martírio dos pensadores, das almas vivas, e o depósito dos medíocres. Na academia, cada professor se entrona, faz-se rei, e como todo rei, forma seu séqüito. Dana-se a enquadrar a vida em fórmulas, a estabelecer verdades, tudo em conformidade com os cânones. Emoldura o mundo, e tudo que não cabe na moldura é extirpado. Objetividade, objetividade, objetividade. Eis aí a realidade, tudo sobre a realidade, a realidade desnuda – o que chamam de ciência. O mundo fica assim: transparente, decretado, mensurado, empobrecido. Mas há outro pensamento, do mesmo jeito, por outros caminhos. Subjetividade, subjetividade! Cabe tudo, absolutamente tudo que possa ser enquadrado no trono do jogo de palavras, de explicação do inexplicável. Tome-lhe criação de conceitos. E tudo fica conhecido-desconhecido. A crítica, a crítica da crítica, a desconstrução, e assim vai. O que acontece na vida é sempre algo à parte. O puro discurso como valia. De qualquer jeito, o mundo que se encaixe. Aulas, palestras, artigos, muitos artigos. Graduado, mestre, doutor: certificação do saber morto. Verdade institucionalizada. O curso da vida prosseguindo. O mundo feito para artigos, teses, dissertações, monografias. Academia. Plenário de mentes domesticadas, no encanto de preceptores sem vida, que pregam a assepsia imobilizadora diante do mundo. Necrotério dos pensadores, fábrica da glória do saber que emana “da caverna”.

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