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A FEMINISTA
Esmeraldo Lopes

Esmeraldo Lopes

Sala de professores. Por pouco não tomei um soco quando disse que não cortava cabelo em salão unissex. Uma colega levantou-se dizendo que eu era preconceituoso, machista, inseguro, homofóbico... e que ela tinha muito orgulho por ter um irmão homossexual. Ao fazer tal pronunciamento em jeito e feição de delicadeza de fera, entrou no banheiro arranhando a garganta. O barulho alto de seu escarrar percorreu toda a sala. A mínima parte dele vazou pelo espaço da porta entreaberta, mas o restante se incrustou no mobiliário, nas paredes, nos corpos de alguns colegas. Adveio silêncio. No entra e sai de professores... ou “trabalhadores em educação”, o ambiente se renovando, mas os chegantes sendo infectados pelas partículas odientas desprendendo-se das paredes, do mobiliário, infectados pelas partículas ainda em flutuação no ar. A sala carregada, coberta por sonoridade sombreada, enlutada, sinalizando cautela. E as palavras presas, em segredo, recusando comunhão, escondendo-se na paz das pessoas de paz. Inesperado, uma colega adentra na sala ignorando o estar - às vezes a ignorância se traveste em divindade para salvar a pátria – e começa a falar sobre o sofrimento de uma amiga sua que acabou de descobrir traição do marido. E no toque desse som, a colega, aquela que escarrou e que me descarregou no esgoto, sem se voltar para ninguém, resolveu proclamar a receita para o sucesso conjugal de mulher: - “Homem não presta. São todos assim. Por isso, o trabalho de meu marido é fazer o que mando. Ele vem me trazer, vem me buscar e a gasolina eu controlo. Sei tudo o que ele faz e onde anda. Toda vez que o telefone toca ele tem que atender. Nunca deixo ele saber meus horários. A casa, o apartamento, a poupança..., tudo é em nome de minhas filhas. Sei lá se ele não vai resolver virar sacana!” E a sala foi ficando deserta, silenciosamente deserta.

09-01-18

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