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CONVERSA CANALHA
Esmeraldo Lopes

Poucas coisas no mundo se igualam, em canalhice, ao dizer de comunista quando este se põe a berrar as expressões liberdade de expressão, democracia, participação. Nessa matéria, ganha com boa vantagem do apenas politicamente correto. O politicamente correto está o tempo todo saculejando a boca com a pregação de paz, de amor, de convivência com a diversidade, de tolerância plena, de irmanação universal, de fim das fronteiras, de derrubada dos muros... mas, quando  alguma atitude ou opinião ventila em divergência a algum ponto de sua pregação, declara guerra, e só não elimina o divergente por não dispor de arma ao alcance da mão ou... de coragem. Mas explode em ódio mortal, ameaça banimento e atira palavras de excomunhão que compõem  seu pobre e diminuto universo: machista, racista, xenófobo, homofóbico, reacionário, retrógrado, moralista, conforme o caso, e, em todos os casos, o indefectível “fascista!” E se fecha no seu grupo ridicularizando o desafeto, procurando meios de destruí-lo seja lá como seja. Nada, absolutamente nada que contrarie seu ver, seu pensar, seu ser, merece respeito, atenção. E seu pensar, seu ver, seu ser, enquadrados em uma bolha contendo verdades inquestionáveis, definitivas, eternas. Bolha emoldurada, estampada com as cores da permissividade, amarrada com narrativas arbitrárias, elaboradas por algum sapiente da paz universal, definidor de verdades absolutas, das regras do bem pelas quais se orienta e sem as quais o politicamente correto não sabe assoprar uma palavra, nem dar um passo.

Em matéria de recorrência a guru para botar alguma ideia na cabeça, o comunista no mesmo ser do politicamente correto. Não sabe fazer oração, pois só sabe ver pela cabeça alheia. Pega reza pronta na Bíblia escrita por Karl Marx ou em algum catecismo escrito por Lênin ou por Gramsci ou em cartilha com rabiscado acerca dos princípios do socialismo científico ou no dito de alguma divindade de gueto. E fica engolindo, remoendo e recitando verdades de acontecidos, de a acontecer inexorável.

Vem-me uma cena. 2013. Manifestações em muitas cidades. E em muitas cidades, por todos os lados, gente prometendo protestar. Protestos contra tudo, absolutamente tudo. Cada participante gritando o seu querer, sem ligança para o querer de quem a seu lado. Velhos, crianças, jovens, pobres, ricos, mulheres, homens, enfim, o povo, no sentido total do termo, protestando. E quem não fazia comparecimento por corpo, fazia acompanhamento sentado em sofá, mirando televisão. Nesse clima, topo com um comunista, conhecido meu. O homem trazia estampado na face um sorriso largo, um olhar resplandecente, deslumbramento superior ao de Cristovão Colombo ao se deparar com a América. Levantou a mão para me mostrar um livro. Era um livro escrito por Lênin. Olhava com fascínio para ele e se voltava para mim. Queria uma resposta de meus olhos, alguma manifestação de minha boca. Disse-lhe que conhecia o livro, que já o havia lido. Ele me respondeu dizendo que também já o lera, mas que o estava relendo, se debruçando sobre ele com atenção atenta para entender o momento, as manifestações em acontecimento. Eu lhe disse que aquele livro fora escrito há quase cem anos, pensado em realidade de outro país, de outro povo. Ele retrucou: “É claro que eu sei disso!, mas aqui ele explica tudo o que está acontecendo, é só saber ver. Na Rússia foi assim também. A Revolução de 1917 foi desse jeito!” Não ocultou sua insatisfação... e frustração com minha posição, com minha observação. Algum tempo depois voltou a me encontrar e, ao me avistar, foi dizendo: “Viu os Sem Terra?! Pararam o trânsito, invadiram a Secretaria, destruíram os experimentos do laboratório! É a Revolução que está a caminho! Bote as barbas de molho! Os burgueses e a pequena burguesia vão ter o que merecem!” 

A idiotice é perdoável, temos que tolerá-la. Aliás, cada um de nós é ou foi idiota de algum modo, em alguma circunstância, em alguma dimensão da vida. Nesse assim, ao perdoarmos um idiota, uma idiotice, estamos, de alguma forma, também nos autoperdoando. Mas a canalhice não pode ter perdão, não merece tolerância, complacência. Canalhice implica astúcia, e gera ruína, maldade, supressão do ser do outro. E é exatamente isso o que faz o comunista. Com toda a força que a garganta permite, com toda a habilidade que o verbo possibilita, reivindica e luta, em nossa sociedade, pelas chamadas liberdades democráticas, mas cala diante das atrocidades e assassinatos cometidos contra a população durante todo o período de existência da União Soviética, principalmente durante o governo do bandido e genocida Stálin; omite a violência, as injustiças, assassinatos de milhões, cometidos pelo governo Comunista da China; finge que não sabe do massacres em massa de pessoas no Camboja pelo Khmer Vermelho, sob o comando do comunista sanguinolento Pol Pot; solidariza-se com o feroz, sanguinário e absolutista governo da Coreia do Norte; apoia as medidas restritivas das liberdades democráticas na Venezuela; aplaude a inexistência de liberdades democráticas em Cuba.  Diante dessas realidades o comunista emudece. Pior: nega. Se apertado por questionamentos, fala com voz miada: “Houve erros”; “Ocorreram desvios”, “Foi uma questão de necessidade histórica”. E se perguntado sobre a existência da liberdade de expressão e de participação em um governo comunista, com convicção cínica responde: “Liberdade de expressão, de participação são liberdades burguesas! A burguesia tem que ser morta, a pequena burguesia tem que ser submetida! Não podemos deixar espaço para o inimigo se manifestar, lutar contra nós”. O restante da população? O comunista estica o peito: “A população será protegida contra a cultura da burguesia, contra os membros da pequena burguesia. A população será reeducada”. E respira fundo, joga olhar em realidade idealizada. Vê-se autoridade, em algum comando, determinando a vida, indicando o seguir do povo e o povo calado, obedecendo. E todos na crença irrevogável das mesmas ideias, submetendo-se às aspirações que lhes apontam, que lhes impõem. Um único pensar, uma única voz.

10.06.17 

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