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"MAMÃE ÁFRICA"
Esmeraldo Lopes

Não entendo. Não dá para entender! Como podem ser tão ingratos aqueles que emigram da África subsaariana em direção ao Ocidente? Como ousam abandonar a mãe África tão deslumbrante, tão múltipla, tão significativa culturalmente, em tudo abundante, altiva? Por que desprezar, desprender-se de um paraíso assim?

“Mãe África”, paraíso. E é por ser paraíso que há gente, no Brasil, renunciando à brasilidade para se autonomenclaturar afrodescendente. E essa gente reivindicando ligação direta, fincamento de raízes na “terra dos ancestrais”. E em passeio da imaginação e deslumbramento de raciocínio fanático, salta 400, 300, 200 anos e enxerga os supostos ancestrais circulando em ambiente de felicidade pura, dançando, fartos, livres, gloriosos, na paz de paz plena. E o flutuar lento dos olhos navegando inebriados entre visões. E faz do ver dessas visões verdade sem dúvida. “Ah! África, minha África!”

Brasil: “opressão, exploração, discriminação, miséria!” E a gente afrodescentente se põe no anseio de africanizá-lo. E quer anular a história, negar o seu caráter mestiço, destruir a ideia de nação, de povo brasileiro. Esconjura Darcy Ribeiro, Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda... “Não, não há mestiço. Ou alguém é negro ou branco ou amarelo.” E no alopramento para enegrecer o país, declara que mesmo um branquinho de “zóio azul” que carregar uma “gota de sangue” vinda de ascendente negro é negro. E nisso renega os rastros da ascendência índia, da ascendência branca, da ascendência amarela. Como chegaram a essa “verdade” irrevogável, inquestionável? Importando-a dos Estados Unidos. A bem dizer, roubaram-na... Dizendo de modo leve, apanharam-na das organizações racistas que, lá, instituíram a regra “da gota de sangue”. Colonizado é colonizado, não tolera autonomia, gosta de pensamento doado, furtado, empacotado. Tem de beber água nas fontes alheias, tem que se autoafirmar rejeitando a si e se olhar com olhos estrangeiros. Mas como assim, se os racistas brancos americanos estabeleceram o princípio da supremacia branca? Cópia feita de cabeça para baixo! Aqui, a gente defensora da regra “da gota de sangue” prega a supremacia negra. “Negro é lindo”, “Orgulho de ser negro”, “Beleza negra”, “100% negro”, “Poder negro”... E se enche de ressentimento, reivindica privilégio, canta canto de vitima... Cobra “dívida histórica”, protesta contra cultivo de competência, vê a meritocracia como agravante das desigualdades sociais, como “geradora de injustiças” e vislumbra revanche contra os não negros. E mais: essa gente anseia por ver toda a sociedade quedada a seus pés. E nesse querer, a conquista – recusada pela sociedade - da obrigatoriedade da imposição do estudo das “Relações Étnico-Raciais e o estudo de História e Cultura Afro-Brasileira, e História e Cultura Africana” em todas as escolas. Parênteses aqui. Não estou falando de pretos, de mestiços. Estou falando dos autonomenclaturados afrodescendentes.

Enxergando com o pensamento forjado nos Estados Unidos e lubrificado na Europa, os afrodescentes vendo o Brasil sem unidade de povo, de cultura. Proclamando-o multiétnico, multicultural, despedaçado em minorias. Injustiça minha. Alimentando e juntando-se a esse entender e defender, intelectuais arrivistas, estudantes sem seriedade de dizer, gente da elite remoendo sentimento de culpa, participantes de coletivos “progressistas” vomitadores de palavras de ordem desatinadas.

Afrodescentes! Esqueci de dizer. Expressão também copiada. Copiada dos negros americanos. Brasileiro colonizado, andando na América, ouviu de um negro: “Eu sou afroamericano”. Aí, viu-se no desejo de encontrar nomenclatura para si. Já vinha no batido de sua cabeça o decreto de que brasileiro é coisa sem fé. Batucou, assuntou e rascunhou: “Sou afrobrasileiro”. Mas, pensou, pensou e pôs questionamento: “Brasileiro?” “Brasileiro, não. Sou afrodescendente”. “A-fro-des-cen-den-te!” Gostou do som, gostou da expressão, grudou-a no cérebro, modelou-a na boca e se pôs a assoprá-la para os cantos do mundo, com peito estufado.

Enquanto os afrodescentes cantam e celebram o paraíso africano, africanos de verdade abandonam sua terra, seu povo, seu tudo. Emigram no rumo do Ocidente se atiçando estabanadamente no deserto imenso. Deserto sem caminho, sem recursos para oferecimento de provimento de vida, deitado em distâncias sem fim, tendo como cenário apenas o se emendar, lá no longe nunca alcançável, do amarelado esbranquecido da areia com o azul do céu. Sabem, têm consciência que correrão riscos de morte lenta por sede, por fome, por insolação; de que se submeterão plenamente à vontade de transportadores-traficantes e correrão riscos de ser aprisionados e sujeitados por escravagistas inclementes. Sabem que atravessarão regiões em guerra, países sem lei ou com leis que não lhes darão direito algum. E ainda assim, põem-se em marcha. Não esmorecem mesmo sem ignorar que depois de tudo isso, os que sobreviverem, terão de enfrentar a barreira do mar, a possibilidade de expatriação.

Água até o fim do mundo. A maré batendo revolta na areia, nas pedras, trazendo aviso de perigo a mandado do mar. Os africanos migrantes fazem do aviso esperança, e entram em barco, em bote. O mar tão grande, infinito, pavoroso... A sensação é a de que é muito mais amedrontador que o deserto! O sacolejo das ondas... No sacolejo das ondas, o barcão vira barquinho, o bote se mostra coisinha qualquer. E ambos dançando doidos, perdendo rumo, descambando onda abaixo, jogados onda acima. Dentro deles, pernas se entrelaçando, corpos grudados, cheiro de suor, de fezes, de urina, choros, olhos desesperados, sede, fome. Horror! Água, água, ondas, céu! O azul do céu mergulhando no azul do mar, fechando o mundo por todos os lados. Os migrantes tragados pelas sombras do desespero. Alento, desalento, alento, medo... Por sorte, um navio, o avistar de terra. Ah!!!

Agora, a mendigagem de busca de ser um ser na Europa, em alguns países da América. Mas o acontecer pretendido dificultoso, negado. E, apesar disso, os imigrantes querem ficar, brigam para ficar. Correm, se escondem, choram, pelejam... Aguentam...  não querem... De modo nenhum querem voltar.

Por que africanos fogem do paraíso?  A África de verdade, continente. Continente imenso, cheio de países e cada país esquadrinhado por nações, por etnias, por tribos. Países, nações, etnias, tribos se engalfinhando em guerra contínua por motivos étnicos, pelo poder, pelas riquezas, por território, por recursos naturais, por diferenças do que quer que seja... Na verdade, raros são os países da África. Quase sempre, o que, lá, é denominado país, não passa da aglomeração de etnias, de tribos mantidas dentro de um território por força de força bruta. E cada tribo com seu rei, com seus príncipes se impondo, dominando, explorando, oprimindo os comuns. De modo geral, os povos africanos rigidamente submersos em suas tradições, fechados no quadro de cultura ancestral. E o se alastrar de pobreza miserável, de violência sem fronteira, de conflitos sem fim, da falta de tudo.

“Intelectuais” de olhar míope-zarolho-zambeta, politicamente corretos do mundo, afrodescentes, inventam explicação sem fôlego: “A África sofreu espoliação de suas riquezas, viu sua população desestruturada, dizimada pelos colonizadores; os países imperialistas sufocaram suas economias. Por isso não se desenvolveu”. E arrematam: “Os países colonizadores, imperialistas, têm dívida histórica com a África. Têm o dever de acolher seus imigrantes”. Ocidentais lavados em sentimento de culpa se condoem e engolem o ditado. É verdade que houve espoliação econômica, desestruturação e dizimação da população das regiões colonizadas, mas essas populações nunca vão se reestruturar? Imobilizar-se-ão para sempre nesse passado à imagem do desenho de Cristo crucificado? Os povos africanos não sabem viver sem colonizador? Se sabem, por que correm atrás de seus antigos opressores, exploradores e discriminadores, sujeitando-se a humilhações que estes lhes impõe?

 Dívida histórica com a África?! Cobre-se de quem deve. Portugal fica em outro continente. O Brasil não deve nada aos africanos. Aos africanos que foram trazidos para cá como escravos?... A seus descendentes há dívida, sim! Dívida por um passado de sujeição, de discriminação, de negações muitas. Mas estes se fizeram brasileiros e mestiçaram e se ombrearam com mestiços, com índios, com brancos pobres, partilhando alegrias, amarguras, dissabores, condições idênticas. E foram se fazendo e sendo feitos no balanço dos improvisos, agarrando-se aos resíduos de sobras, ambientando-se nas margens, sem reconhecimento de direitos... No resumo de tudo, negados. Estes, os brasileiros a quem o Brasil deve. Deve e tem que pagar! Mas tem de pagar com o recurso de verdade sem máscara. Não com o uso de ilusões, com percorrer de trilhas pavimentadas com ressentimento, com sentimento de revanche, com dádivas originadas em sentimento de culpa. Cotas, “concessões de direitos”, medidas protetivas? Não! Não porque esses recursos servem apenas para manter o status quo camuflado em invólucro de magia. A dívida cobrada e paga no contado do respeito, do direito, do reconhecimento; na adoção de medidas que possibilitem desenvolvimento de competência, incremento de meritocracia, o surgimento de autoafirmação cidadão. E aí, a cor se dilui e as distâncias de origem perdem força. Brasileiros.

Eu poderia ser preto. Nesta cor minha condição não se alteraria. Mas sou mestiço. Tenho ascendência de gente africana, de gente índia, de gente branca, de gente mestiça de um jeito, de gente mestiça de outro jeito... e de mais outro e outro. E essa gente foi se batendo, se fazendo, se refazendo e me fez. Ninguém pode tirar nada disso de mim. Não pode, não quero, não permito. Não sou afrodescendente. Sou brasileiro, brasileiro nato de 500 anos, com traço milenar de sangue nativo compondo meu ser. Mesmo considerando os tormentos, as maldades, a que foram submetidos meus ascendentes de origem africana, agradeço aos traficantes que os trouxeram para o Brasil, por terem livrado suas descendências das condições de existência atormentadas oferecidas pela África, por elas não estarem agora se vendo forçadas a se atiçar nos braços do desespero, atravessando desertos e mares e guerras, enfrentando, humilhadas, ameaças de repatriações. O legado que meus ascendentes africanos deixaram para mim em sua pátria? Está à disposição de qualquer afrodescente ou politicamente correto que o queira, sob a condição de que me deixe em paz e não se arvore a jogar sobre mim a nomenclatura afrodescendente.

30-08-17

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