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APLAUSOS DO DESESPERO
Esmeraldo Lopes

O grande erro da mente é a recusa de ver o que os olhos registram. E ao alcance dos olhos, em luminosidade para bom enxergar, a germinação da semente de um Estado policial no Brasil. Estado policial? Sim.  Perto de um Estado policial, um Estado ditatorial como o que vivenciamos no passado recente e até a ferocíssima ditadura chilena de Pinochet ganham a feição de criança de colo. Dirão especialistas que todo Estado ditatorial é também policial e vice-versa e que estou falando besteira. Mas não. É preciso olhar direito. Ambas as formas de estado surgem como reação a situações idênticas. A diferença entre eles está no objetivo e no modo de agir. O Estado ditatorial, vencida a situação que motivou o seu aparecimento, estabelece rumos para a sociedade e impõe modos de proceder que conduzam aos propósitos que ele estabelece. Tem um caminho a seguir. E na busca desse caminho, amedronta, cerceia, oprime, controla, mas também promove ações, programas, planos. Tem projeto. Sua estrutura de poder requer centralização, disciplina, organização burocrática. Seu funcionamento demanda conhecimento, quadro técnico com nível razoável de qualidade. Em tocar diferente, o Estado policial não sinaliza sua atuação com base no futuro, mas no passado, no presente. Desenrola toda a sua existência se batendo contra as causas que motivaram o seu surgimento e contra tudo o que contraria o ver, o existir de seus dirigentes. Nada a propor. É inteiramente reativo. E se o Estado ditatorial amedronta, cerceia, oprime, controla ações dos membros da sociedade, o Estado policial aterroriza. Aterroriza pelo seu agir sem regra, sem aviso, sem limite, sem oferecimento de garantia de segurança. Voga pelo impulso da vontade e dos braços do seu comandante. E abaixo do comandante, a miríade de agentes espalhados pelos órgãos e pelos espaços públicos e privados, por todos os recantos do território nacional, pondo atenção nos movimentos da população, no comportamento de indivíduos. O comandante sabe que, em obediência à prática das ações necessárias ao cumprimento de seus propósitos, de sua vontade e manutenção de sua autoridade, seus agentes precisam agir sem embaraço da Lei, com a certeza de não serem molestados pelos atos que executem e dispor de condição privilegiada para o seu ser e para o bem-estar da família. E o comandante atende essas precisões e as garante, desde que seus agentes se mantenham fiéis e obedientes a ele, independente da posição que ocupem. Sim! No que pese a predominância dos vínculos de informalidade, há hierarquia no Estado policial. Hierarquia instável, precária, horrenda, fundada na impetuosidade, na capacidade de ação, na lealdade irrestrita ao comandante. E para manter posição, para galgar espaços, os agentes se vigiando, disputando confiança, posição, exaltando fidelidade, temendo desgraça por queda em descrédito, negando tolerância, complacência a qualquer praticante de ato de agravo à ordem, ao grande chefe.

Na ordem de um Estado policial, a Justiça genuflexa, a sociedade civil castrada, a população atarantada, oscilando entre bater palmas e expelir lágrimas, caminhando entre segurança e medo. No entanto, ele, o Estado policial, aparece, eleva-se nos braços e abraços das esperanças dessa mesma população. Pois antes dele, ela aturdida, moída pela instabilidade apavorante provocada pela desordem social. Desordem social voando nos atos bandidos ladrões, assaltantes, estupradores, traficantes, e assassinos, extorsionários, corruptos...; alimentando-se no sentimento de impotência fertilizado pela impunidade, pela omissão e complacência das autoridades; desordem social plantando-se pela graça de instituições degeneradas, de agentes institucionais irresponsáveis, apáticos; desordem social fortalecendo-se pela invasão e inversão de valores, de regras de condutas, de posturas agressivas à moral, aos costumes, às estruturas sociais e mentalidades reinantes; desordem social inflando-se pelo processo de desinstitucionalização decorrente do atendimento e imposição dos imperativos de minorias sobre o restante da sociedade; desordem social revigorando-se pelo lançamento da população na aceitação compulsória do inaceitável, forçando-a a silêncio civilizado, garroteando-lhe com ameaças de processos através de leis feitas sob inspiração alienígena. E dentro desse afogamento, a população pedindo, clamando, gritando calada: “Socorro!!!”, “Me acuda!!!”

Ao escutar os gritos silenciosos da população, os sociais democratas, os liberais calados, indiferentes, no seu quieto, fingindo nada ver, até são cúmplices, condescendentes com os atos que levaram a sua inquietação; as Forças Armadas, assistindo com os olhos acesos, mas paralisadas; “forças progressistas”, escutando, mas zombando: “São reacionários”, “É a pequena burguesia acuada, ha!, ha!”, “É a massa alienada!”, “São os atrasados!” E grita defesa “dos direitos humanos”, vitimiza o banditismo, proclama a supremacia dos interesses das minorias, afronta instituições, instiga desobediência dos filhos aos pais, prega a heterofobia, estimula quebra de disciplina, propõe o fim da nação e a eliminação das fronteiras... No ir desse acontecer, a população no só de si mesma, na solidão do deserto, ouvindo a zoada do vento, vendo o esvoaçar de areias, o tempo ganhar jeito de tempestade. O assoprar do vento ficando forte. No meio do zunido dele, o ecoar de uma voz enumerando as aflições, os queixumes da população, ponto por ponto. É a voz de um candidato a comandante arrebanhando corpos, ouvidos, bocas para formar um coral, um coral de milhões de vozes com apenas uma voz fazendo o refrão: “Eu mando prender”, Eu mato”, “Eu boto para tomar vergonha”, “Eu capo”, “Eu expulso”, “Eu demito”, “Eu garanto respeito”, “Comigo não vai ser assim, não!” “Aqui no Brasil, não!” “Todo mundo vai dormir tranqüilo...” A população... desesperada, deseja, entusiasma-se, aplaude, apoia, espera. E no que mais motivo de insatisfação surja, a voz responderá sempre, sempre responderá. E ainda que venha acompanhada por um chicote, ela se fará presente trazendo uma solução.  Solução temperada com medos, com alegrias, com lágrimas. A população vai e vem, aplaudindo por gostar, chorando por desgostar. Assim foi na Indonésia em 1965, assim o governo das Filipinas, hoje. E é isso o que vejo no horizonte próximo, no Brasil. As pedras estão postas e o comandante se anuncia, já é anunciado. Nesse clima, com sorte cairemos em uma ditadura militar.

05-07-2017

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