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ContosEsmeraldo Lopes
CANTO DO IMIGRANTE
Esmeraldo Lopes


Henrique não pensava que fosse assim. Para falar a verdade não fazia nem mesmo idéia pouca. A vida era o futuro. Um futuro bem longe daquelas coisas de todo dia, chatas, feias, sem vida, de vera agoniadas. "Uma maldição!" O corpo como pagador. Um puro instinto de futuro o mantinha. Vivia como se fugisse da vida, mas tinha um extremo apego a ela. Deixar o tempo correr para que a era se completasse, fizesse idade suficiente para se ir. Enquanto isso não acontecia, desenhava na memória figuras confusas, bonitas, diferentes, existentes não sabia onde. Mas a vida estava nele de um outro jeito e ele fazia força para não ver, não sentir: sua casa, as comidas, as roupas, as festas, os objetos, as conversas... A mãe, o pai, os próximos puxando da lembrança assuntos sem tino, falações sem sentido, a aconselhar rumos do jeito certo de se ser. As esperanças da mãe, as ordens do pai. O seguir fiel dos irmãos embasbacados. "Idiotas!" Os caminhos retos, limpos, mortos. "Ser assim, não!" Um sofrer em ouvir. Um tempo vivo, mas já apagado. Os dias... como eram compridos. A gente triste nas mesmas histórias de sempre, rindo risadas sem gosto. Só nas crianças, em algumas delas, havia alegria de olhar com brilho. O mundo de seu lugar. Tudo em merecimento de desprezo.

Henrique pôs-se no tempo e se foi sem peias. Esquecer a infelicidade da vida de amargura, já ida. O sonho em despejar de encanto. Enfim um mundo vivo, aí a afogá-lo. Mas não viu as figuras desenhadas na memória, antes. A verdade do desejo, agora. As diferenças se mostrando e ele querendo, sem entender, tendo dificuldade de se encontrar, impressionado. Não calculava tanta coisa: o que via, o que não via e sabia, e em tudo o que existia. Era como se tudo aquilo fosse só do pensar. Henrique sabia, aquele mundo não lhe vinha. O corpo ainda a padecer de agonia. Perambulava na esperança de achar. Em desespero não se quis ver em queda. Conheceu dificuldades, percebeu a infinidade dos caminhos que no mundo se fazem. Sem satisfação fácil de alegria sentia-se no mesmo, com a mesma necessidade de ilusão, desiludindo-se. Mas não era a mesma coisa. Se mexeu, se virou, andou no tempo. Conquistas teve, não como imaginara. Nem céu, nem inferno: vida suada.

O mundo do caminho que Henrique fez, o fez vencedor. Um vencedor sem muitas grandezas, na média dos que nele viviam. Os olhos botados no atrás de sua história mostravam bem a diferença. Mas na vida de Henrique as novidades se cansavam. Todo dia como todo dia e não sentia vontade, até temia caminhar. Assim também seus amigos, desassuntados. Sabia que estava ficando velho. As pessoas do seu começavam a morrer e encontrava a solidão de si. Agarrava-se aos filhos, aos netos, mas assustava-se pela pouca importância dos finados, ligeiro esquecidos, de rastros apagados. "Não! Eu não sou desnecessário! Eu fiz, eu sou!" Mas não fazia convicção no achado. A alegria perdia a graça. Deu a se entregar a si, no retorno da memória.

Refletiu regalado nas estrelas que lhe alcançavam. Viu-se em falta com o mundo. Que mundo?! O seu não lhe era. Pasmo, variado queria a gente com quem se parecia. Foi-se em busca, pensaroso. Não era mais, não existia mais, não tinha mais. Os próximos, os irmãos em outro ser. Os pais, só no guardado de memória. Fotografias amareladas testemunhando um dia.

Sobrou caminhar no chão pisado; rever as pedras, os paus, as paredes, o céu; ouvir de novo o canto dos passarinhos reencontrados; escutar as conversas do tempo passado, isso não mais. Às vozes apagadas de falar. Henrique em desconsolo, rondou lacrimento o espaço de sues primeiros passos. Em descuido do tempo, o monturo. Futucou-lhe em desengano. Não imaginava, mas despontaram coisas: molambos, cacos de vidro, restos de calçados, pedaços de brinquedos - mensagens do passado, pedaços da história, uma vida. Mas não tinha vozes, não tinha c

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