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Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 1/6

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ContosEsmeraldo Lopes
A CRAIBEIRA CELESTIAL
Esmeraldo Lopes


Seu Euzébio tinha toda a certeza: “O céu existe, aqui mesmo nas caatingas”. Para provar sua certeza contava a todos um sonho que havia tido quando ainda era menino. Contava seu sonho a todos independentemente de se interessarem ou não por sabê-lo.

Certa vez, ainda menino, sonhou que estava a caminho do peador quando se perdeu. Andou, andou e andou no meio da caatinga seca sem saber onde ia. Queria voltar para casa mas não conseguia. Assim passaram-se dois dias, ele no mato. Bebia água das lagoas e comia raizes de imbuzeiro. Já se sentia fraco e desanimado quando avistou, em meio ao seco do mato, um pé de craibeira enorme, todo florido. Para lá se dirigiu. Quando chegou perto da craibeira, avistou algo jamais visto: uma infinidade de pessoas sorridentes, bem vestidas e que caminhavam sem tocar o chão; pássaros de todas as cores e tamanhos cantando em grande festa; animais de todos os tipos andavam pelo meio das pessoas sem se incomodarem e, no centro da sombra, um homem sentado em uma enorme cadeira olhava tudo. “Era Deus com certeza!”. Ficou parado olhando o movimento e quando resolveu se juntar àquela gente, - “Merda! Acordei!”. Era um sonho, mas era um sonho de verdade. “Vi tudinho do jeito que vejo vocês agora, com esses olhos que a terra há de comer”. As pessoas riam e diziam: “Seu Euzébio tá inzonado com o céu!”.

Já velho e adoentado, seu Euzébio não se prestava ao serviço de campo. Passava os dias andando de um lugar para o outro, vigiando o fazer de todos e palpitando em tudo. Conhecia muitas histórias e as estripulias da vida. Por isso achava que tinha o dever de ensinar aos que não conheciam tanto da vida. À tardezinha botava um tamborete debaixo de uma árvore que existia na malhada de sua casa e ficava esperando que alguém chegasse para uma prosa. Seu Euzébio vivia assim e vivia feliz.

Um dia Seu Euzébio resolveu sair pela malhada para pegar lenha. Catou um pauzinho aqui, outro ali e assim fez um feixe de lenha na medida de suas forças. Levou a linha às costas, tomou o caminho e seguiu. Andou muito e não conseguiu chegar em casa. “Como é que pode? A casa fica tão perto e eu caminhei um tantão e não chego? Vôte!” Continuou caminhando até que a luz do dia sumiu completamente. No escuro da noite ele não desistia: “Tô perto de casa. Chego já!” Nesse chega que não chega, o dia amanheceu. Seu Euzébio já estava cansado e não se entendia mais. Ao meio dia o sol batia a pino, no centro da caatinga seca. Muito cansado e abatido, seu Euzébio botou os olhos no longe e viu a copa de uma enorme craibeira florida. Parou, tornou a olhar e pensou: “Se parece com a craibeira do meu sonho. Será?”... Botou-se na direção da árvore com toda a ligeireza. Na rapidez dos passos a lenha tremia sobre sua cabeça e ele nem mais sentia o peso que carregava, a fome e o cansaço que o castigavam. Quando chegou debaixo da craibeira sentiu o fresco da sombra, o cheiro das flores e viu um tapete de flores amarelas no chão. Jogou a lenha sobre as flores caídas, sentou-se e ficou assuntando o mundo. Silêncio. Ouviu um barulho de água, perto. Procurou e encontrou um caldeirão de pedra cheio de água. Bebeu até se fartar. Circulou a árvore olhando em todas as direções. Percebeu um grande buraco no tronco dela. Dirigiu-se a ele e sem pensar enfiou a mão. Sentiu uma espetada forte no dedo. Retirou a mão do oco do pau e caminhou pela sombra escutando suas pisadas suaves. Com pouco as flores foram se colorindo, os pássaros iniciaram a aparecer em bandos e de todos os tamanhos e cores. Animais de todos os tipos foram chegando e várias pessoas passaram a surgir, deslizando pelo ar. “É o céu! Os anjos! Eu sabia. Deus! onde o Senhor está? Como o Senhor é bom. Deus! Como tudo é alegre. Por que está se escondendo?! Por que o mundo está tremendo? Eu sabia. Ninguém acreditava. O céu existe!. Deus!, eu quero Lhe ver”.


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