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Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 1/6

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ContosEsmeraldo Lopes
SINAIS
Esmeraldo Lopes

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O povo está cansado de desproteção, de impunidade. Por muito tempo se encolheu na impotência e grande parte dele ainda está nessa situação, mas já vislumbra possibilidades de saída da condição em que se encontra. E essa possibilidade nasce exatamente da descrença total naquilo que apenas “intelectuais” e ingênuos classificam como instituições. Mais adiante que esses tais seres, o povo descobre-se só e começa a acreditar em sua força. E, ainda que titubeante, ensaia os primeiros passos para o erguimento de sua segurança. E esse erguimento orientado em tino próprio, sem intermediário, sem observância de prazos, de ritos, aplica uma lei feita ao vento de cada acontecimento, de cada instante, de cada lugar. Assim, lava a própria alma ao aterrorizar seus aterrorizadores.



Ontem, uma senhora que presta serviços no prédio onde habito, chegou destambocando um riso largo, vivo, intenso, muito intenso. A alegria fugindo de seus olhos, enlaçando a todos que chegavam ou que saíam. Suas palavras revelando a iluminação: “Eram dois. Um já era conhecido. Estava acostumado a fazer coisa errada com a gente. A polícia prendendo, às vezes, e no outro dia ele fazendo a mesma atrapalhada por perto. Aí, agora, agorinha, esse tal, junto com um comparsa, foi tomar o celular de uma moça. Ela nem é da rua. Aí veio gente de um lado, do outro... caíram com um no tapa, no chute, no cacete, na pedrada... E o sangue espinando da cabeça dele... E aí alguém gritou: ‘E o outro! Olhe ele ali!’ Aí, ouvi um pipoco e quando olhei já tinha um sujeito se estrebuchando no chão, com as mãos se sacudindo no ar. Eu quero ver quem ainda vai fazer  coisa errada lá onde eu moro!” Caso isolado, alguém pode julgar. Ao abrir o Twitter, deparei-me com cena fresca e idêntica, ocorrida em Manaus, no distante de 4.600 quilômetros. Nela, o regozijo de dezenas de pessoas aplaudindo e seguindo, em entusiasta explosão, um pequeno grupo de soldados. Emotivo do festejo: acabavam de matar quatro dos cinco assaltantes que haviam roubado uma casa lotérica e feito reféns. O outro assaltante não morreu por ter, em rápido-ligeiro, se rendido. Um dia antes desses sucederes, o proponente do Pacote Anticrime, Ministro Sérgio Moro, freneticamente comemorado quando sua presença anunciada em show musical. Mas isso já esperado, pois o mesmo, por onde passa, plantando, espalhando e animando esperanças. Enquanto isso, o Congresso Nacional sabotando e mutilando as medidas de combate ao crime; o Supremo Tribunal Federal ordenando a soltura de criminosos de todas as estirpes; e delegados, promotores, juízes, assombrados pela temência da ação da Lei de Abuso de Autoridade, criada na medida certa para proteger delinquentes. E como isso não bastasse o estampar, nas redes sociais, da voz de um ex-presidente condenado por corrupção, dizendo que “não suporto mais ver jovens sendo presos por terem roubado celular. Eles roubam para arranjar um dinheirinho e depois vão para um barzinho tomar uma cervejinha”.



Por enquanto, o povo iniciando reação diante daquilo que mais diretamente ao alcance de seus sentidos. Mas já começa a perceber o que está acontecendo nas escolas. E dá sinais de repulsa ao jeito e ao comportamento de certos sujeitos vestindo nome de professor, de diretor. Quando souberem no que esses tais sujeitos estão querendo transformar seus filhos, por certo, a resposta virá sem dó, sem piedade, com abrangência cega. Não é miragem. Próximo a mim, uma diretora, diante da falta de trabalhadores para limpar o mato do muro da escola que dirige, resolveu trazer dois bodes de seu sítio para que esses, ao se alimentarem, limparem a área. Pois bem. Estudantes tiraram foto dos bodes pastando no terreno da escola. E a dita diretora se viu apavorada, ao receber a presença de alguns pais dizendo-lhe: “Se acontecer qualquer coisa a meu filho, a conversa vai ser com senhora”. Mas o assombro maior dela quando um lhe disse; “A conversa vai ser curta”.  Entretanto eu afirmo e não tenho dúvida. O que mais apavorou a diretora não foram as palavras, mas a postura daquela gente que sempre silenciara nas reuniões de pais e mestres, que sempre se mostrara submissa, cordata, empinar a voz, acender os olhos e exibir vigor destemeroso. E, se com a diretora assim,  mais terrível será a reação do povo aos políticos, a personalidades, de suas cidades, quando descobrir que, ao votar, ao apoiar, ao acreditar no vereador, no prefeito, no padre, no pastor, está sendo traído, pois estes alimentando o monstro que se prepara para devorá-lo. Aí, o ai, ai, ai ao som da eclosão de gritos rimando o “aquele ali também”.



 



01-12-19


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