Nem tão distintos: Renato e Zidane brilham no comando com vestiário na mão
Preço médio da gasolina fica praticamente estável na semana, acima de R$ 4 por litro, diz ANP
Volkswagen Polo 1.6 x Fiat Argo 1.3: comparativo
Maranhão possui maior proporção de pessoas em condições de pobreza extrema, segundo IBGE

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 1/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 2/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 3/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 4/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 5/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 6/6
ContosEsmeraldo Lopes
A SAÍDA
Esmeraldo Lopes



De minhas grandes tristezas, quando eu estava em São Paulo, a maior era o cinza do tempo e a ausência de visão do nascente e do por do sol. São Paulo era vista por mim como uma cidade opressiva e esplêndida ao mesmo tempo. A diversidade e as luzes da noite me encantavam, mas sua dureza nunca se deixava perder de vista e se bater contra mim. Vivi lá por alguns anos em um eterno desentender. Lá eu aprendi o significado das palavras insegurança e indiferença. Voltei para Juazeiro, desiderato meu, em parte, porque, se São Paulo me ofereceu muitas possibilidades como a de estudar, me expulsava o tempo todo, e isso desde que lá cheguei. Sobrevivi e voltei para a região de minha nascença, desejo que levei e que me trouxe de volta. Achava que aqui era possível outra coisa. Quando a gente está longe de uma situação a fantasia faz pasto na imaginação, e tudo parece ser possível, e sem muita dificuldade. O reencontro com as árvores, com as pedras, com os berros, com os caminhos, com as caras de parecenças conhecidas, com o som das vozes de tempos atrás. Começar. De empreitada em empreitada me vi sendo vencido dia-a-dia e perdi irremediavelmente o encanto. O que eu queria, era o que ninguém queria, ou queria sem se sacrificar. Descobri-me fantasioso, aluado, indesejado, além das alcunhas que bem me botaram, ficando mais fortemente gravada aquela que me estigmatizou: RADICAL. Eu que me acostumara, no tempo de infância, a acompanhar o trabalho de ferrar o gado, vejo-me, agora, também ferrado. Outros ferros tentaram me por, como o de tarado, mas esses logo desapareciam pela fraqueza da insistência dos ferradores, aliás, todos bastante débeis no caráter, visto que sempre preferiam o trabalho nas trevas dos cochichos. Confesso que nada disso me abateu profundamente em nenhum momento. Até, por muitas vezes, me serviu de instrução, pois passei a compreender melhor como funcionam os covardes. É claro que sei que não sou e que nem nunca fui lá essas coisas, mas sempre procurei dar oportunidade para aqueles a quem eu atacava se defenderem, e sempre soube reconhecer minhas merdas, que, aliás, me fazem sofrer.

Aqui a coisa é meio sem saída. Ou se é povo mesmo, e se fica nesse povoar sem rumo, à espera passiva de alguma alegria desbotada; ou se é mandarim, com toda a pompa dos navegantes sem direção; ou se é um imbecil, fazendo avaliações vazias pelos cantos, durante a noite e, durante o dia, obedecendo aos mandarins, quando não se está bem colocado em alguma ONG, de onde são proclamadas soluções empacotadas para os problemas da humanidade, e nem se desconfia que não são nada mais nada menos que membros eméritos de alguma organização cujo fim real é gigolar os pobres. É verdade que há, nessa região, alguns pingados que pensam, mas esses têm que se esconder, sob o risco de receberem o tratamento dispensado aos bezerros: o mourão. Perspectiva?: procurar pai-de-santo ou esperar a sorte no acaso, nestas terras de gente de sentimentos fracos e de emoções rasas. “Aqui, em se plantando, tudo dá”: sal.

Curaçá-Juazeiro-Petrolina têm um rio e eu não sabia que fosse possível viver em um lugar que não tivesse um rio, mas não posso mais viver em uma cidade que apenas tem um rio. Tempos desse estive em uma cidade sem rio e fiquei admirado do fato das pessoas não sentirem falta de um. Eu achava que em uma cidade sem rio não podia haver sorriso, mas lá as pessoas sorriam. Não é que eu vivencie o rio. Para dizer a verdade quase não o freqüento, quase não o contemplo. Poucas vezes fiz isso, mas o fato de saber que há um rio - e que rio! -, me fascina e apascenta minha alma. Ao contrário, o mar sempre me assombrou. Das poucas vezes que andei pisando no mar, em três delas ele quase me engoliu. O mar tem cara de infinito. Seu esplendor me apavora e seu barulho faz calar minha alma, oprime meus sentimentos e elimina minhas forças.

Nunca me pensei morando em uma cidade beira-mar. Eis-me, agora, pensando em morar em uma, por decreto de auto-exílio, é verdade. Morrer aqui e renascer lá. Com certeza lá também tem disso, mas o que importa se o mar tem profundeza e imensidão! E se o mar me tragar? Tem nada não. Ele tem as infinitas faces de sua perspectiva para me dar.


Voltar | Enviar por e-mail
escort bayan
Júpiter.com.br - Esmeraldo Lopes - Todos os direitos reservados