'Vivo na minha casa como se vivesse numa cadeia', diz filha de idosa candomblecista
13º, RAS, Previdência... EXTRA tira 10 dúvidas do servidor do estado após o depósito dos salários atrasados
Comunidades da Zona Norte do Rio são alvo de megaoperação das Forças de Segurança
Homem é baleado e morre após bandidos invadirem prédio no Centro do Rio

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 1/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 2/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 3/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 4/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 5/6

Sobre Caatinga e Caatingueiros Parte 6/6
A PAZ DOS SUICIDAS

                                                                                                                 Esmeraldo Lopes

A cidade plantada em idos longínquos, mas vingou sem força... e mirrou. Esse é o dizer de agora. Lá atrás, era avistada como lugar de progresso. Tinha padre, juiz, escrivão, major, capitão, fazendeiros. A feira era grande!, juntava para mais de cento e cinqüenta pessoas, quando as coisas andavam boas. Todos, ricos, pobres, moravam nas terras das fazendas. Para melhor entender, a feira pariu a cidade. Foi ela quem fez enxame de gente. Aí um padre botou ideia de construir igreja no lugar de seu acontecimento. E levantada a igreja, ao seu redor, foram construindo casas. Cada pessoa graúda mandou levantar a sua, para pouso confortável em dia de feira, para agasalho da família nas ocasiões de acontecimentos religiosos, para marcar posição de distinção. E não se sabe se resultou de combinação ou de determinação, mas sucedeu que as casas foram alinhadas no formato de retângulo. Na cabeceira, a Igreja. O cemitério defronte a ela, mas lá no fim da rua, fechando o retângulo. A Igreja olhando o Cemitério, o Cemitério olhando a Igreja. Olhando a Igreja e o Cemitério, uma fileira de casas de um lado, outra do outro. Bem no meio do retângulo um cruzeiro de madeira de lei, fincado com firmeza, assistindo o vento caminhar levantando poeira, vendo a luminosidade do sol se chocar contra a terra e a quentura efervescente tremeluzir rastejando pelo chão. Ah! Na parte do fundo da Igreja, fazendo-lhe guarda e se guardando, a casa do juiz, a casa do padre, a casa do major. Na medida em que a rua em aproximação com o cemitério, as casas se amiudando em altura e se estreitando na largura. O rastro de tudo isso está lá, gravado nas ruínas morrendo, morrendo nas ruínas mortas. E no acurado de vista curiosa, de ouvido afinado, sinais de viventes dos tempos de longe avistados nas lápides dentro da Igreja, nas sepulturas do Cemitério velho, nas casas que insistem em afirmar testemunho de algum dia de esplendor, embutidos na memória dos vivos, dos vivos que gostam de repetir os ditos dos pais, dos avós, de contar casos que lhes chegaram pela sombra de memória retalhada.

O Cemitério velho em ruína arruinada, morto, sem defunto novo. O seu portal pela metade, suas sobras querendo desabar; o muro desmoronado sobre o alicerce, arrodeando sepulturas rachadas, esburacadas, afundadas no chão, desmanchadas pelo tempo; arrodeando ossos humanos expostos, cruzes pendidas, apodrecidas, despedaçadas, despencando, desaparecidas. E do lado de fora, na frente do Cemitério, pedras semi-encobertas e esbandalhadas sobre suaves elevados de terra desalinhados, quase imperceptíveis, os ainda perceptíveis. Resquícios de covas, sim! “Enterram mortos aqui por que não havia mais espaço lá dentro?” “Não, aqui fora estão só as pessoa que se mataram. Quem se mata fica pecador condenado às trevas, sem salvação. Cemitério é terra de campo santo, sagrado. Em antiga data era assim: quem fazia esse serviço ficava condenado a viver sem a proteção da benção divina. Não tinha nem direito a cruz na cova.” Silêncio. Vento quente soprando sem força; o sol tinindo; o tuin de cigarras atravessando o calado; portas e janelas abertas, sem gente; a Igreja só; um menino caminhando atrás de uma velha que atravessa a rua, arrasta um brinquedo. Olhares escorregam pelo chão, procurando rastro de covas. Mas o tempo...

Naquele chão, desprotegidas das santidades, das bênçãos dos padres, dia e noite, covas de suicidados se mostrando para os olhos de quem olhe na direção do Cemitério, de quem entre, de quem saía da cidade. E a cada olhado o retorno à memória da marca de algum conhecido enterrado ali, o rebrotar na mente do saber das agonias eternas destinadas às almas dos suicidas. Agonias, aflições, provadas pelos esturros, pelos gemidos, pelas latumias, pelas gaitadas assombrosas vindas da direção daquelas covas, à noite... nas noites de lua, nas noites de breu. E, por vezes, o apiedamento duro: “Coitados! Estão condenados!” Um rogar fraco enviado na intenção deles, mas se sabendo sem valia nenhuma. “O Cão é inclemente, ri de nossas preces”. Mas às vezes, o ressoar mudo de sentença impiedosa, vinda de inimigo, de reprovadores de quem vai contra a vontade de Deus: “É o merecido!” E o desespero impotente, envergonhado, de familiar querendo acudir morto seu vivente naquela situação. O amedrontamento com o futuro de si: “Deus!, livrai-me de fraqueza para que eu  não caia nessa tentação!” E o familiar atolado na lembrança última da cena de morte de seu morto que se matou; a lembrança dos zumbidos cochichados pelo povo a respeito do ato rodopiando seu ouvido; a rememoração do castigo de não poder levar o morto para a última reza de corpo presente na Casa de Deus, de não poder lhe ofertar a benção do padre; a volta do sofrimento por ter sido obrigado a cumprir o dever de enterrá-lo do lado de fora do Cemitério, na parte do chão destinado aos desgraçados. O ver e rever eterno daquelas covas, e o remoer e remoer de compaixão por ter certeza do destino inexorável de seu morto. E o familiar compassivo plantando-o na cabeça, reavivando-o em seus sonhos, projetando suas sombras nos sombreados da casa, escutando acordado lamúrios agonientos vindos do terreno de enterro dos suicidas. E acende vela, e reza, e reza e suplica a Deus. Dorme vencido, inundado em água de piedade. Sem agüentar a dor, procura o padre. Escuta: “O que você ouve, o que você vê, não é a voz e nem é seu filho. É o diabo dentro da alma dele ou fingindo ser ele para fazer à senhora cair em tentação, também”. Aí, de recurso, só o caminho da casa do feiticeiro, para dar cumprimento a trabalho de despacho da alma do suicidado, para domação das estrepolias dos diabos. Esse recurso usado em segredo, mas todo mundo sabendo e comentando em cochicho silencioso.

Na claridade da presença dos outros, o familiar cala. Mas não consegue deixar de ouvir as histórias sobre as presepadas das almas dos suicidas, sobre seus aparecimentos mal-assombrados nos caminhos, em todos os lugares. Também escuta os gritos, as lamúrias, que partem da direção das covas deles. Sabe que existe invenção, mas acredita que quase tudo é verdade. Abala-se ao ouvir o grito dos meninos: “Passe por longe das covas dos condenados, doido, senão a alma do finado fulano lhe agarra!” E o converseiro na feira sobre a assombração do finado beltrano aparecendo no pé de quixabeira, enforcado, embalançando e gemendo; e o testemunho de alguém que garante que quase morria por uma alma ter agarrado na mão de sua montaria e a botando no chão, quando passava, ao anoitecer, perto da cova do finado sicrano. Tira o chapéu, levanta a perna da calça, abre a camisa e mostra os estragos. E ao ouvir isso, do meio do ajuntamento que escuta com os olhos esbugalhados, uma confirmação exclamada: “Uma burra forte como a sua, compadre, cair!? Perto da cova do finado sicrano?! Ráaa. Só pode ter sido a alma dele mesmo que agarrou a mão dela, sem dúvida!, ordenada pelo diabo para fazer o mal!”  

Um prefeito resolveu melhorar a cidade. “Este cemitério não dá mais agasalho a mortos novos, não cabe.” É verdade que a população cresceu pouco... Não, a população não cresceu, até diminuiu, mas o cemitério é pequeno, pequeno, apertado. Do lado de fora, as covas dos suicidados vão andando, tomando o lugar do povo caminhar, dos veículos circularem. O prefeito soltou: “Desse jeito não dá!” Resolveu fazer cemitério novo, um pouco afastado da cidade. Fez. E nesse fazer, decretou o sepultamento dentro dele de todo tipo de morto. “Assim fica melhor”, disse. O padre fingiu que não gostou, mas não fez nada contra. O povo também não botou contrariedade. E o Cemitério velho foi entregue ao descanso do abandono.

Muitas covas de suicidados enterrados ao redor do Cemitério velho, há tempo, sumiram completamente do alcance das vistas das pessoas. Os enterrados nelas, agraciados com o esquecimento, fundidos no mesmo nome: suicidados. E suas almas rebatizadas com o chamado de espírito rúim. Os suicidados em datas mais recentes, também envelhecendo, suas covas minguando, se escondendo debaixo do chão, suas feições se esvaindo, suas histórias silenciando. E deixaram de fazer assombração, de gemer, de lamuriar. Vão escapando da lembrança do povo no ritmo da carreira do aumento da idade dos vivos. Raros ainda possuem nomes, mas estes estão trancafiados na cabeça dos mais velhos, vindo ao som de boca com raridade. E suas histórias perderam força de amedrontamento, não atiçam medo, não encontram quem queira escutá-las com olhos acesos. Seus sofrimentos... Quem se apieda deles? Estão seguindo, se aprofundando na trilha dos esquecidos e em breve, a morte de suas almas.

30-072017

APLAUSOS DO DESESPERO

    Esmeraldo Lopes

O grande erro da mente é a recusa de ver o que os olhos registram. E ao alcance dos olhos, em luminosidade para bom enxergar, a germinação da semente de um Estado policial no Brasil. Estado policial? Sim.  Perto de um Estado policial, um Estado ditatorial como o que vivenciamos no passado recente e até a ferocíssima ditadura chilena de Pinochet ganham a feição de criança de colo. Dirão especialistas que todo Estado ditatorial é também policial e vice-versa e que estou falando besteira. Mas não. É preciso olhar direito. Ambas as formas de estado surgem como reação a situações idênticas. A diferença entre eles está no objetivo e no modo de agir. O Estado ditatorial, vencida a situação que motivou o seu aparecimento, estabelece rumos para a sociedade e impõe modos de proceder que conduzam aos propósitos que ele estabelece. Tem um caminho a seguir. E na busca desse caminho, amedronta, cerceia, oprime, controla, mas também promove ações, programas, planos. Tem projeto. Sua estrutura de poder requer centralização, disciplina, organização burocrática. Seu funcionamento demanda conhecimento, quadro técnico com nível razoável de qualidade. Em tocar diferente, o Estado policial não sinaliza sua atuação com base no futuro, mas no passado, no presente. Desenrola toda a sua existência se batendo contra as causas que motivaram o seu surgimento e contra tudo o que contraria o ver, o existir de seus dirigentes. Nada a propor. É inteiramente reativo. E se o Estado ditatorial amedronta, cerceia, oprime, controla ações dos membros da sociedade, o Estado policial aterroriza. Aterroriza pelo seu agir sem regra, sem aviso, sem limite, sem oferecimento de garantia de segurança. Voga pelo impulso da vontade e dos braços do seu comandante. E abaixo do comandante, a miríade de agentes espalhados pelos órgãos e pelos espaços públicos e privados, por todos os recantos do território nacional, pondo atenção nos movimentos da população, no comportamento de indivíduos. O comandante sabe que, em obediência à prática das ações necessárias ao cumprimento de seus propósitos, de sua vontade e manutenção de sua autoridade, seus agentes precisam agir sem embaraço da Lei, com a certeza de não serem molestados pelos atos que executem e dispor de condição privilegiada para o seu ser e para o bem-estar da família. E o comandante atende essas precisões e as garante, desde que seus agentes se mantenham fiéis e obedientes a ele, independente da posição que ocupem. Sim! No que pese a predominância dos vínculos de informalidade, há hierarquia no Estado policial. Hierarquia instável, precária, horrenda, fundada na impetuosidade, na capacidade de ação, na lealdade irrestrita ao comandante. E para manter posição, para galgar espaços, os agentes se vigiando, disputando confiança, posição, exaltando fidelidade, temendo desgraça por queda em descrédito, negando tolerância, complacência a qualquer praticante de ato de agravo à ordem, ao grande chefe.

Na ordem de um Estado policial, a Justiça genuflexa, a sociedade civil castrada, a população atarantada, oscilando entre bater palmas e expelir lágrimas, caminhando entre segurança e medo. No entanto, ele, o Estado policial, aparece, eleva-se nos braços e abraços das esperanças dessa mesma população. Pois antes dele, ela aturdida, moída pela instabilidade apavorante provocada pela desordem social. Desordem social voando nos atos bandidos ladrões, assaltantes, estupradores, traficantes, e assassinos, extorsionários, corruptos...; alimentando-se no sentimento de impotência fertilizado pela impunidade, pela omissão e complacência das autoridades; desordem social plantando-se pela graça de instituições degeneradas, de agentes institucionais irresponsáveis, apáticos; desordem social fortalecendo-se pela invasão e inversão de valores, de regras de condutas, de posturas agressivas à moral, aos costumes, às estruturas sociais e mentalidades reinantes; desordem social inflando-se pelo processo de desinstitucionalização decorrente do atendimento e imposição dos imperativos de minorias sobre o restante da sociedade; desordem social revigorando-se pelo lançamento da população na aceitação compulsória do inaceitável, forçando-a a silêncio civilizado, garroteando-lhe com ameaças de processos através de leis feitas sob inspiração alienígena. E dentro desse afogamento, a população pedindo, clamando, gritando calada: “Socorro!!!”, “Me acuda!!!”

Ao escutar os gritos silenciosos da população, os sociais democratas, os liberais calados, indiferentes, no seu quieto, fingindo nada ver, até são cúmplices, condescendentes com os atos que levaram a sua inquietação; as Forças Armadas, assistindo com os olhos acesos, mas paralisadas; “forças progressistas”, escutando, mas zombando: “São reacionários”, “É a pequena burguesia acuada, ha!, ha!”, “É a massa alienada!”, “São os atrasados!” E grita defesa “dos direitos humanos”, vitimiza o banditismo, proclama a supremacia dos interesses das minorias, afronta instituições, instiga desobediência dos filhos aos pais, prega a heterofobia, estimula quebra de disciplina, propõe o fim da nação e a eliminação das fronteiras... No ir desse acontecer, a população no só de si mesma, na solidão do deserto, ouvindo a zoada do vento, vendo o esvoaçar de areias, o tempo ganhar jeito de tempestade. O assoprar do vento ficando forte. No meio do zunido dele, o ecoar de uma voz enumerando as aflições, os queixumes da população, ponto por ponto. É a voz de um candidato a comandante arrebanhando corpos, ouvidos, bocas para formar um coral, um coral de milhões de vozes com apenas uma voz fazendo o refrão: “Eu mando prender”, Eu mato”, “Eu boto para tomar vergonha”, “Eu capo”, “Eu expulso”, “Eu demito”, “Eu garanto respeito”, “Comigo não vai ser assim, não!” “Aqui no Brasil, não!” “Todo mundo vai dormir tranqüilo...” A população... desesperada, deseja, entusiasma-se, aplaude, apoia, espera. E no que mais motivo de insatisfação surja, a voz responderá sempre, sempre responderá. E ainda que venha acompanhada por um chicote, ela se fará presente trazendo uma solução.  Solução temperada com medos, com alegrias, com lágrimas. A população vai e vem, aplaudindo por gostar, chorando por desgostar. Assim foi na Indonésia em 1965, assim o governo das Filipinas, hoje. E é isso o que vejo no horizonte próximo, no Brasil. As pedras estão postas e o comandante se anuncia, já é anunciado. Nesse clima, com sorte cairemos em uma ditadura militar.

05-07-2017

A CERIMÔNIA

                                                                                                                 Esmeraldo Lopes

Foi no dia da festa maior da cidade. Agora já não sei como dizer. Antigamente a festa maior era a festa do Padroeiro. No dia desse dia, todo mundo quedado no dever da celebração em homenagem a ele. Homenagem com procissão, com missas. Reza, reza... cânticos! Os demais lugares da cidade deitados em silêncio, descansando entregues à solidão. Só depois de todo o acontecer dos rituais de louvor ao Santo é que o povo tomava o destino que quisesse. E no fim, a multidão se desmanchava em rumas. E em rumas as pessoas iam se distanciando da Igreja. Nesse distanciar, as rumas se esgarçando em magotes. Mogotes de gente para um lado, para outro, seguindo em frente... No andar das passadas, pessoas ficando por aqui, pessoas se encaminhado na direção da rua da direita, na direção da rua da esquerda, pessoas se açoitando no rumo da testa. Nisso, os magotes se dissolvendo de pouco em pouco até desaparecerem. Sim, alguns desses magotes eram mais crescidos e crescidos permaneciam até alcançarem a praça onde a moçada procurava encanto, sonho de ternura ou emburacarem em alguma casa onde houvesse comemoração de festa de casamento, de batizado, onde estivesse marcado encontro entre parentes ou adjunto de confraternização de pessoas de amizade aprochegada. No mais se avistava gente andando sozinha, em dupla, em trio... à procura de algum lugar que lhe oferecesse bastança para encher os olhos, animar-se com alegria de conversa, de bebida, de dança ou na esperança de satisfação de algum desejo escondido. E para o satisfazer desses tipos de querer, casa de conhecidos, balcão de botequim, principalmente salão onde tivesse acontecendo samba para dançar forró, para ficar curiando. A Igreja ficava só, fechada e o Padroeiro descansando.

Voltando a dizer. Foi no dia dedicado ao Padroeiro da Cidade. Agora, nesse dia, os acontecimentos que mais atraem gente deixaram de ser os voltados para os festejos dele. A procissão, a missa no mesmo tocar, mas com multidão fraca, com fiéis de fervor magro e rezas que não mostram força de fé. O badalar do sino soa sufocado e até as chamas das velas parece que ficaram preguiçosas, aproveitam qualquer assopro do vento para dormir. Os outros lugares da cidade em animação de música alta, de gente se movimentando entre palcos, bares, barracas e amoitados em torno de carros de som barulhentos, em festival de bebidas. E quando o padre pausa ou afrouxa a voz, o barulho da alegria da rua vem rodopiar na nave da Igreja e atentar os ouvidos dos fiéis. Assim! E nesse assim, o padre vai lá, vem cá, faz o proceder de todo padre em celebração de missa, até pronunciar as palavras esperadas por muitos dos poucos jovens presentes: “Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe!” Ele, o padre, cansado, vê-se. Também ansiava pelo momento de pronunciar essas palavras. E no que o fez, o povo se derramou portas afora. E, fora algumas pessoas de idade alta, as outras foram invadidas pelo chamamento do barulho da música, e, em formato de procissão desorganizada, rumaram na direção dela. Em mão contrária ao ir dessa procissão, dois pequenos agrupamentos. Um na frente, outro atrás, mas em distanciamento próximo.  No agrupamento da frente, em terno branco, arrodeado por pessoas também em trajes aprumados, um homem com o corpo, com o rosto bem chicoteados por traquejo de labuta nos campos da Caatinga. Carrega consigo o transcorrer de mais de sessenta anos e a nomenclatura: viúvo. No agrupamento logo atrás, em roupa branca, cabeça decorada com coroa de flores também brancas, carregando um buquê na mão, uma mulher. Mulher não!, moça velha. No ver e rever de seu ser cheio de rastros deixados pela lida, depositado nela o transcurso de uns cinquenta anos, talvez quarenta cinco, não menos. Noivos. Sem dúvida, cortejo de casamento mirando o rumo da Igreja. Mas cortejo solene, solene mesmo, com há muito não se via. Foi abrindo caminho entre as pessoas que andavam em sentido contrário, induzindo-as a lhe darem passagem, a se afastarem para os lados. Nesse ir o espaço ficando limpo de gente. A Igreja desertada. Dentro dela, três ou quatro pessoas caladas, conversando sozinhas em silêncio de segredo, além do padre, de seu auxiliar. O padre bocejando, à espera do último compromisso embutido na ocasião do festejo do Santo, acompanhou sem entusiasmo a entrada de pessoas na Igreja pelas laterais. Viu nisso aviso da chegada dos noivos. Os noivos - ele levado pela madrinha, comadre sua, ela conduzida por um irmão -, tomaram o destino da entrada principal da nave. E adentraram no recinto em cadência de passo ritmado. Ele adiante, ela um pouco atrás. Ambos andando com majestade, fitando o altar, alvejando o Santo, dispensando atenção aos circunstantes. A assistência dispersa pela nave, quase toda formada por curiosos. E os curiosos prendendo risinhos nos cantos da boca, soltando olhar zombeteiro, murmurando, exibindo postura cínica. Concentrados perto do altar, os membros do cortejo, acompanhando o desenrolar do acontecimento alimentados por transbordar de respeito, de consideração, de admiração.

O padre apressado. À chegada dos noivos ao altar, sem prolegômeno nenhum, deu início à celebração do casamento, encaminhando a cerimônia ligeiro, soltando palavras sem eco. Os noivos não viram padre naquele padre. Mas foram envolvidos pela atmosfera da Igreja, alcançados pelo cheiro das flores que enfeitavam o altar, invadidos pelo resto do cheiro do incenso queimado na última missa; viram-se envoltos no colorido da decoração feita para enfeitar o agasalho do Padroeiro no seu dia e até desconfiaram que os santos lhes houvesse cumprimentado. O lugar era aquele, mas faltava padre, um padre mesmo.  Aí, sem combinação, os noivos se refugiaram na recordação do ser de uma cerimônia de casamento. E ouviram as palavras cadenciadas, banhadas em mistério divino, saindo da boca do padre de outro tempo que saltou ali arrastado por suas lembranças. A voz dele com timbre forte, ecoando no ambiente. Os noivos absortos. E de repente ouviram a voz do outro padre, do padre presente ali, cortando a voz do padre da recordação, trazendo para perto de si a atenção dos noivos pela insistência da repetição da pergunta: “Cadê as alianças?” E no seguir: “Agora diga comigo: Eu...” Foi atendido. O ato praticado.

Os conjugues recebem ainda na Igreja os primeiros cumprimentos. Mas o lugar marcado para o recebimento deles era outro. A face da esposa, resplandecente, aureolada por um sorriso plácido, natural; o esposo sério, deixando escapar alegria orgulhosa pelos olhos. Os curiosos, pasmos, despidos do cinismo. Não zombam mais. Observam os movimentos em silêncio reverenciador, mas não entram na atenção dos conjugues. E estes, encaminham-se no rumo da saída da Igreja, altivos, embebidos de dignidade, em passos firmes, seguidos pelo cortejo. Retomam o caminho do lugar de onde vieram e vão passando cerimoniosamente por ruas desertas, por ruas enfeadas pelo tumulto de gente estabanada, pelo ribombar desordenado, esvoaçante de sons desconexos, desarmônicos, temperados com palavras estúpidas.

28-061-17

RECICLAGEM

           Esmeraldo Lopes

O planeta está se reciclando. Há quem diga que a temperatura tenha entrado em reviravolta. Não sei se é verdade, mas o desandamento dela bate em nossa fronte. Dizem alguns cientistas que o nível das águas dos oceanos subirá dois metros ou três, na brevidade de pouco tempo, e que faixas imensas de terras em regiões densamente povoadas ou não serão inundadas e que ilhas oceânicas imensas desaparecerão. E águas doces subterrâneas e milhares de quilômetros de rios, e lagoas, estão sendo invadidos por águas salgadas, perdendo serventia para plantação, para apascentação de sede. E a anunciação da previsão de que áreas semi-áridas se transformarão em desertos, áreas tropicais ganharão vida semi-árida, áreas temperadas vestirão roupa tropical e até que espaços de regiões glaciais se desnudarão do gelo e se darão a algum tipo de cultivo. Não sabemos no que essa reciclagem dará na chegada ao seu final. Mas o ver de agora anuncia que milhões e milhões de pessoas se deslocarão tangidas pelos efeitos climáticos, invadindo países, desmanchando nações, disseminando desespero, plantando conflitos, avolumando miséria. No acontecer do acontecer disso, milhões e milhões de pessoas dos locais invadidos reagirão para não serem desalojadas, para não serem importunadas e o chão se estampará em cor vermelha e ossos ficarão esparramados pelo chão. A barbárie se plantará na cara dos mais violentos, dos que dispuserem de meios para melhor se proteger. Todo discurso moral se esfarrapará no vento dos confrontos; todo rastro de reflexão ética se transformará em instrumento torturante de quem a praticar. Será o triunfo da barbárie entronada, sem máscara, sem vergonha, orgulhosa.

No cenário da catástrofe em andança, pode-se dizer, ninguém se organizando para enfrentá-la, para minorá-la. Expansão da produção, ampliação do capital, elevação da qualidade de vida, aumento e extensão de direitos humanos, discurso de cultivo de felicidade, de amor, de humanidade... Medidas, postura contra constrangimento moral... Destroçando as contas desse rosário, empresários, religiosos, políticos, universitários, jornalistas, professores... E a juventude estimulada para o desfrute fácil da vida, atentando-se para o prazer, para o puro da felicidade, organizando a vida pela guia da liberdade sem rédeas, treinada para respirar irresponsabilidade. Eu fico pensando: “Como essa gente se confrontará com o real do acontecer que se encaminha? Será que terá como arma apenas a expressão ‘QUE  A B S U R D O!!!” Pelo hoje, estou vendo que sim. Pensando bem, não será a reciclagem do planeta também a imposição para a reciclagem dos humanos? É de ver que no final de tudo, morrerá toda a frescura e sobrarão homens-homens, mulheres-mulheres que viverão, por bom e longo tempo, livres da existência de gente politicamente correta.

26-06-17

DOIDOS DA CIDADE

                                                                                                                 Esmeraldo Lopes

Não é saudosismo, mas lembro com saudade... Não é saudade. Talvez... recordação serena. Pois é, lembro com recordação serena, mas viva e alegre, dos doidos de minha meninice. E por essa recordação vou percebendo que através da observação do comportamento dos doidos, a gente chega logo à conclusão que a doidice varia no jeito de existir. Nessa variação, um tipo de doido quase sem ser doido. Doido apenas por proceder em pequeno desajuste com a maneira, com o ritmo que a gente achava que deveria ser. Às vezes em grande desajuste, mas, mesmo assim, ele, o doido, embutido na companhia da gente, acompanhando-nos no nosso seguir, mas a seu modo. Referindo-se a ele, a gente dizia: “É abestalhado!”, “É doentinho...” Outro tipo de doido: o doido quieto. Um doido, simplesmente doido. O tempo todo dentro de si, em nada e em ninguém mexia e nem dava ligança para o mundo. Pelo que a gente notava, vivia no viver de uma planta, de um bicho inofensivo. Não dava para saber o que ele pensava, nem se pensava. Acho que vivia pelos sentidos. Existência inexistente. Do seu interior a estampa da imagem da felicidade, indicada pela postura de indiferença com as coisas, com as pessoas ao seu redor. O povo botando roupa nele, intentando cobrir-lhe “as vergonhas”. Ele urinando, defecando na calça, deixando-a cair, livrando-se dela, da camisa, pelo comando de alguma ordem da vontade. Quando agoniado, lançava as mãos sobre a cabeça, esfregava a face com força, coçava a barriga, a virilha e saia em passo apressado seguindo rumo incerto, olhando o mundo sem atenção. E nesse seguir, quando andava nu, ao passar por alguma rua onde houvesse moças, meninas, acontecia de alguém soltar um grito de aviso no ar: “Entrem em casa. Vai doido nu aí!” As meninas, as moças entravam correndo e tomavam posição com os olhos acesos para curiarem, pela gretas da janela, da porta, “as coisas” do doido.

O doido manso... Esse tipo de doido também não oferecia nenhum perigo. Não enquanto doido! Havia doido manso gracista. Esse gostava de contar histórias, explicar o motivo, o sentido dos acontecimentos. Histórias, explicações, às vezes, na maioria das vezes sem tino. E embora as histórias fossem sempre as mesmas e as explicações não variassem de natureza, quando se punha a falar, ouvidos desocupados, poucos ocupados, saltavam para os olhos procurando ouvir bem. E risos, gaitadas redobradas. Alumiado por felicidade, o doido se ia de canto em canto presenteando sua alegria, divulgando verdades sem cabimento de lógica nenhuma ou com lógica, mas sem rastro de acontecer, com acontecer falseado. E suas histórias, suas explicações, colocando todos no mesmo sentir pelo mesmo ouvir; rolando de boca em boca na rua; preenchendo os espaços vazios de assunto; transformando o doido em celebridade, alongando sua vida na memória do lugar. Havia o doido manso que não era gracista, mas se dava à serventia de todo mundo que o solicitasse. Chamado, estava pronto a serviço pequeno, ligeiro: dar recado, ajudar em alguma arrumação, fazer transporte de objetos..., mas sem regra de seguimento. Uma vez uma coisa, outra vez outra; hoje aqui, amanhã ali. Agia no querer da vontade da hora, não se via na obrigação de atender a ordem de ninguém. Mas quando aceitava algum mandamento, não admitia sua alteração. Não se dava a seguro de segredo, a invencionice de mentira. Cuidado com ele! Sem reserva de conseqüência, ato visto, ato anunciado; palavra escutada, palavra propalada. O pensar, o achar de doido assim!? Só doido pergunta. A vida desse tipo de doido, correndo mansa, mas um dia, alguém dizia uma palavra, uma frase que o doido não gostava. Pronto! O nascimento de um apelido. O inferno! Aí, ao grito do apelido, o doido fora de tino, ensandecido, jogando pedra, pegando facão, soltando palavrões. De doido manso passava a doido varrido. E as pessoas de bom estar anunciavam a sentença pública: “O que ele fizer de mal terá por responsável aquele que o aperreou”.

Fazendo-se íntimo de todos, com liberdade de entrança em qualquer lugar, escolhendo as casas onde fazia ponto para tomar café, beber água, comer ou só para sentar e se por em silêncio ou a falar, o doido ensimesmado. Não, não! Recebia e devolvia cumprimentos, oferecia respostas a perguntas, mas respostas curtas, no atendimento exato da pergunta. Suas perguntas? Raras. Palavra dirigida a alguém? Apenas o suficiente para manifestar o querer que queria. “Quero água”, “Quero café”, “Tem pão?, “Quero farinha” ...  Na casa, no ambiente onde chegasse, sentava-se, recostava-se na parede ou na guarnição da porta, punha-se a debulhar palavras. Não se dava a entabulamento de conversa. Pouco ou nada se interessava pelo que os outros diziam, mas manifestava entendimento na conformidade do seu querer. Falava sem necessidade de ter quem o ouvisse. De vez em quando, falava mirando o ar, dando a impressão que conversava com alguém. No seu falar, assuntos do tempo que não era doido ou que era pouco doido, assuntos do seu mundo particular, com situações possíveis e impossíveis, com personagens próprios, desconhecidos dos ouvintes. Ora por outra, o aparecimento de referência a situações conhecidas, o nome de gente com existência certificada pelos mais velhos, mas vivente láaa atrás. E um assunto agarrando outro, saindo em murmúrio sem segredo. E um gole de café, e uma baforada no cigarro de fumo-de-rolo. A fumaça dançando, espraiando-se no vento, temperada pelo cheiro forte de fumo. De repente, silêncio, os olhos do doido serenando em passear vago. Sem anunciação, levanta, sai alardeando seu ir com o chap-chap da chinela. Vai. E vai rua acima, rua abaixo, rua abaixo, rua acima. Todo dia nesse zanzar assim, esperando a hora do sol deitar, para deitar também, e levantar amanhã na madrugada ainda escura, para esperá-lo acordar.  

Doido apertado tinha. Doido por aperto do juízo na conformidade com o tempo, com a situação. O sujeito era... digamos, quase normal, mas vinha uma fase da lua, um acontecimento e ele apertava. E quando apertava, entrava em fúria louca. Então, ter cuidado, esperá-lo voltar para posição reaprumo. E ele se mostrando empirriado, com os olhos agitados, com cara azeda, desconfiado, esticando os ouvidos para assuntar o que falavam... se a respeito dele. E todo mundo murchando de prevenição. Aí, um dia, o doido se desdoidava. A cara, o jeito, o proseado, tudo voltava ao normal do acostumado. Mas mesmo assim, a turma, por perto dele, pisava com jeito, atentava em cuidado de falação evitando inflamá-lo. 

O doido varrido atinava uma besteirinha. No que aceitasse qualquer comida que a boca não enjeitasse, bebesse a água que o nariz não recusasse, segurava roupa no corpo, circulava com rumo traçado, elegia lugares de predileção para o seu visitar, mas não se ligava a ninguém, embora aceitasse chegança distante de familiares com contato continuado. Só falava quando perguntado. E quando perguntado, as palavras descosturadas, referindo-se a assuntos salteados, com tudo se desencontrando. Vivia em agonia, subindo, descendo, entrando nos armazéns, saindo sem atenção de comprimento a quem quer que fosse. Como vivia sob o mando do querer do corpo, sem freio a regulamento de norma, que todo mundo se prevenisse contra o que ele pudesse fazer. Os comerciantes, quando o viam se aproximar, corriam para proteger os sacos de farinha, de açúcar..., as rapaduras. Em descuido, lá se ia a mão dele mergulhando na farinha, no açúcar, para sacudir punhados na boca. Nas andanças, quando passava perto de uma mulher desprevenida, o estalo de palmada na bunda dela. E quando a mulher se assuntava para o ocorrido, o doido já batucava em outro canto. Mas no seu ir, no fazer que fazia, não punha ninguém em risco de vida. Quer dizer, se ninguém lhe agoniasse! Quando lhe agoniavam, aí pedra viajando sem destino, esturros, palavras sem nexo voando. Aí, o doido correndo aloprado, empurrando, esmurrando quem em sua frente. Por ser assim, o dizer repetido, insistente dos adultos, divulgado por todo mundo: “Não aperrei fulano. Ele é sem culpa. Não atina nada! Cuidado, cuidado!”

Não, o aqui escrito não abarca o jeito de todos os doidos. Cada doido com seu jeito e eram muitos sujeitos com jeito de doido. A doidice rejeita qualquer tipo de enquadramento, até o do emolduramento por palavras em papel. A cidade sabia disso e se esforçava para tolerar suas manias. Quando algum doido aloprava em fúria braba, lá se iam os homens junto com os policiais para pegá-lo e levá-lo para a cadeia ou amarrá-lo. E ele era mantido nesse estar até ser atingido pelo estado normal do seu ser. Mas a cadeia era pública, pública no sentido de ser aberta ao público. Só a cela era fechada.  Aí a gente ia ver o doido na cadeia para saber se ele já tinha se acalmado. Era no clima dessas linhas que a vida dos doidos ia se tramando na cidade.

Depois, já no tempo do agora, fiquei sabendo. Para a doidice, a pior forma de maltrato é a solidão. O tempo mudou, ou seja, mudaram as formas do acontecer das coisas. Pessoas foram embora, pessoas que ficaram tiveram ideias, costumes, comportamentos modificados; pessoas estranhas assentaram residência na cidade; policiais, juízes, promotores, delegados desembaraçam suas ações alheios ao entrelaçar vida do povo, sem pesar o drama, as relações, o jeito de viver dos habitantes. Para o bem retratar da coisa, não há mais habitante na cidade. Nela só moradores. Em verdade a cidade desapareceu tomando forma de acampamento. Sobraram algumas ruas, algumas edificações, mesmo assim em outra cara. E aí, os doidos, coitados, caíram em estrangeiramento. Estranharam o mundo, foram estranhados por ele. Os comerciantes os repelem, as casas com as portas fechadas, as pessoas não toleram suas manias, sentem-se agredidas, ameaçadas por eles e, em resposta, os agride; no mínimo de alteração, a polícia os prende. E os doidos tornaram-se anônimos. Agora, sem nome, sem conhecimento, sem lugar, tomaram forma de sombras semoventes. Os doidos novos se agasalham constritos em casa ou se expõem aos abusos de estranhos; os doidos velhos zanzam pelas ruas, por estradas, procurando a cidade perdida, sozinhos.

20-06-17

SERÁ?

ASSISTINDO AO VÍDEO QUE MOSTRA ALEXANDRE GARCIA SENDO AGREDIDO, PERGUNTO? SERÁ QUE EXISTE ALGUM PETISTA QUE NÃO SEJA CANALHA?

https://www.youtube.com/watch?v=NCQIoeSq6UM

AS FORÇAS VIVAS DA NAÇÃO

Esmeraldo Lopes

Acompanhando o noticiário, colocando atenção no dizer de comentaristas e de expoentes da política, de dirigentes de organizações, de especialistas em assuntos ligados à vida nacional, dia a dia, vou sendo reforçado na convicção de que há, entre os formadores de opinião do Brasil, um pacto para escamotear aspectos sérios da realidade do país. O motivo que leva à formação e sustentação desse pacto, não sei. Não pode ser burrice. Será prostituição intelectual? Covardia? Cumplicidade com a ordem social predadora?... Os dirigentes, os formadores de opinião, entrelaçam-se na trama miúda dos acontecimentos, desviam o olhar de problemas gigantescos, calam quanto ao futuro ou o ornamentam com expectativas carregadas de esperança. E nesse falar, a gente vê e ouve: palavras, palavras, palavras sem força, nuas de verdade, de vontade, de determinação. Tão leves que no ligeiro, logo, logo seus dizeres escapolem da lembrança da gente. E entre um palavreado desses e outro, o pipoco de notícia de rebelião em presídios, de arrastões, de índice de desempenho de estudantes abaixo do sofrível, de ataques a agências bancárias... estupros, estupros, estupros coletivos, morros dominados por bandidos, assassinatos de  natureza variada, desassistência nos hospitais, superlotação de cadeias, estelionatários, corrupção com propina de milhões, de bilhões, juízes comprados, parlamentares corruptos, presidentes ladrões... Desastre dos órgãos de segurança; falência dos órgãos de saúde, há muito, estrangulados e piorando; a educação rodopiando no lixo; a justiça sem merecimento de crédito, partilhando safadeza. No tumulto do simultâneo de tudo isso, o povo deixado a si mesmo, habitando no mundo da barbárie, da insalubridade, improvisando a vida... todo dia!, acostumando-se à lamúria de choros, desenvolvendo habilidade para limpar lágrimas, para amortecer dores, acomodando-se a injustiças, inventando astúcias para conviver com ladrões, com bandidos, para driblá-los... e tolerando, e suportando, e agüentando mais, mais, mais, cada vez mais.

No pavor da agonia que nos atinge, há quem olhe e procure meio de se mexer para providência. Mas, cadê!? Os órgãos do Estado tomados, em seus postos diretivos, por pessoas caracterizadas pela falta de caráter, de amor próprio, de responsabilidade, de comprometimento social, mas sempre e necessariamente subservientes aos dirigentes maiores, e quando alcançam o cargo através de eleição, quedam às imposições, às chantagens dos funcionários-eleitores; muitas organizações da sociedade civil agonizando, anêmicas, desprovidas de conteúdo, sem proposição, com finalidades perdidas, quase sempre guiadas por arrivistas; outras organizações da sociedade civil subjugadas, capturadas, postas a serviço de Partidos Políticos, de organizações globais; Partidos Políticos existindo apenas pelo ordenamento de letras, arrumados no jeito de agrado para corruptos, para oportunistas; os movimentos sociais, aloprados, distantes das questões da população, levantando bandeiras despranaviadas, sem capacidade de mobilização. E o pior. O pior mesmo! Tão logo algumas pessoas iniciem processo de organização de grupo visando defender propósitos próprios, agir contra situações, contra interesses que consideram incômodos, aloprados, arrivistas, oportunistas de partidos, de movimentos e de organizações dopadas por ideologias lunáticas, fazem ruma para interferir no seu destino, para empurrar-lhe suas bandeiras, suas formas de luta ou travarem oposição cerrada. E aí, a sua desnutrição, o seu esvaziamento, a sua morte.

No panorama do aqui descrito, olho para o Brasil e procuro. Procuro querendo achar forças vivas que neste país lancem vela ao vento. Olho com os olhos, com a mente. Procuro nos jornais, nas entrevistas de revistas, nas entrevistas disponíveis na internete. Circulo a cidade, informo-me a respeito das ocorrências de outras cidades. E o que encontro, o que vejo? Vejo por todos os lugares uma massa de indivíduos acabrunhados, voltados para si, vivendo em existência marginal, oprimida, por ter seu pensar, seu estilo de vida rechaçado por críticas e ameaças veladas, por não se verem nos conceitos circulantes e impostos, por não se verem nas verdades difundidas pelos meios de comunicação, nos discursos e interpretações dos formadores de opiniões, dos dirigentes da sociedade, das chamadas minorias. E no meio dessa massa amorfa de indivíduos, desponta com força, elevando-se do chão a topo alto, as Forças Armadas. Embaixo, quase no nível do chão, os Evangélicos, o Movimento Gay. No nível do chão, camuflando-se no meio do povo, mas com poder de mando forte, organizações de bandidos – PCC, CV, Sindicato do Crime. Por fim, derramados por toda a sociedade, açambarcando grande poder e infiltrados nas instâncias nobres do país, nas instituições mais elevadas, nas mais simples - públicas e privadas, laicas e religiosas -, agindo de maneira institucionalizada, corruptos de toda natureza e porte. Estes, embora apareçam, sejam apresentados e vistos de modo isolado, em verdade, independentemente de suas origens, filiações políticas e religiosas, fazem parte de um pacto não escrito, não divulgado, não confessado, mas comungado. Pacto que congrega indivíduos e organizações que possuem como nutriente básico de vida a corrupção e pelo qual se defendem e atacam ferrenhamente.  Eis aí as forças vivas da nação.

13-06-17

CEGUEIRA PROPOSITAL... E MORTAL

Esmeraldo Lopes

Não sou europeu e nem moro na Europa. Caso morasse lá, providenciaria duas coisas: preparação de estado de espírito para morrer estourado por bomba ou atropelado ou esfaqueado e aquisição de um kit oração. Teria que aprender a orar na língua local. Não sei se na França, Inglaterra ou Alemanha oração em português vale alguma coisa. Será que por lá os santos entendem português? Acho que teria que aprender uma das línguas deles. Carregaria o kit oração dentro de uma mochila e não me apartaria dela. Escapando da morte, estaria sempre pronto para me irmanar, em oração, com os solidários às vitimas o terror islâmico. Mas não sei rezar, e não acredito na eficácia de oração para enfrentar situações do duro da vida. Sou ateu. E mesmo que não fosse ateu, acharia mais eficaz adotar a postura de um religioso, capitão de polícia, que conheci. Antes do confronto com bandidos, tirava a pistola, escorria a mão delicadamente sobre ela, fixava-a e orava: “Eu sou evangélico, mas você não!” Partia para o enfrentamento do que fosse.

 Não tenho arma e nem habilidade para fazer uso de uma. Se andasse armado, a polícia me pegaria na primeira esquina, dar-me-ia solavavancos e me lançaria em prisão. Então, se eu morasse na Europa, teria que adotar outro recurso dos civilizados: cantar hino patriótico, depositar flores, expor cartaz com dizeres pesarosos, transportar tristeza no semblante, tudo isso ao redor do local de celebração de cada cerimônia em homenagem às vítimas de partidários do Islã. Teria também que aprender que o terrorismo islâmico é resultado de “uma ideologia que entende ‘equivocadamente’ que ‘os nossos valores são incompatíveis com o islamismo”, como acredita - e quer impor sua crença ao mundo ocidental - a primeira-ministra da Inglaterra, Theresa May e a cordilheira de politicamente corretos, capitaneados também pela primeira-ministra alemã, Angela Merkel, e a mais nova expressão da demência européia e presidente da França, Emmanuel Macron. Na frase da primeira-ministra a chave da compreensão da questão: equívoco, “equivocadamente”. Quem é mesmo que está equivocado nesse entendimento? Os islâmicos enxergam essa incompatibilidade de forma cristalina. Ela não pode ser escondida, nem disfarçada. Está estampada em cada gesto, em cada símbolo, em cada costume, nas aspirações de ambas as civilizações. Mas os civilizados ocidentais, os politicamente corretos, não podem aceitar essa realidade, pois ela vai contra suas convicções. E essas convicções marteladas pelo iluminismo, sacramentadas pelo cristianismo. E preferem morrer se vendo pelo enxergar do enxergar de quem está ariado: o olho mostra uma coisa, mas a mente registra outra. E ainda que a mente registre o amostrar do olho de modo fiel, eles forçam interpretação para conformidade com o seu acreditar, chegando, esse acreditar ao inacreditável, como ocorreu com a posição dos politicamente corretos ao comentarem o ataque ao jornal Francês Charlie Hebdo, em 2015, quando jornalistas foram caçados e mortos com cenas de requinte desgraçado: “Mas eles mexeram com o islamismo! Desenharam, representaram Alá em imagem, e os islâmicos não aceitam isso”. Nas letras dessas frases e de muitas outras que seguiram o mesmo caminho, a indicação da aceitação da submissão do mundo ocidental aos imperativos do islamismo, o prenúncio do lançamento de nossa autonomia no lixo, a morte da estrutura básica de nosso ser: a liberdade de expressão.   E aí vem uma pergunta: “Estando no Brasil, você não se considera seguro?” Não!... Claro que não! Lembre-se: o Brasil é um país de colonizado, de povo que faz questão de ser colonizados até hoje, e o colonizado acha que tem o dever de seguir a cartilha do colonizador com mais presteza que ele. E aqui não há uma cordilheira de politicamente corretos, há um oceano. E são ferozes! Carregam com ardência o entusiasmo dos irresponsáveis, se fortalecem com o silêncio dos indiferentes e com o sono dos ingênuos. Entrincheiraram-se nas universidades, nos meios de comunicação, no Ministério Público, no parlamento. Por isso, digo: Estamos lascados! Ou entramos na luta logo ou seremos despossuídos de nós. E neste caso, só tardiamente descobriremos que caímos no conto de cegos propositais. E estes, quando questionados, buscarão se desvencilhar de suas fantasias “civilizatórias” e “politicamente corretas” declamando com ar cínico: “O que está acontecendo é um absurdo! A gente não sabia que daria nisso!”

07.06.17

CAVALO DE TRÓIA ISLÂMICO

                                                                                           Esmeraldo Lopes

O islamismo é cama de intolerância máxima. E essa intolerância vai do significado da palavra islã, que é submissão, até as proclamações e incitações de guerra santa contra infiéis. Infiéis: todos os que não são muçulmanos. Essa, sentença fonte de ódio, incremento de luta mortal contra todos os que não abracem o Islã. Inspirada em uma doutrina bruta, tosca, lastimável. Ensinamento desgraçado: “... Alá: aqueles que estão verdadeiramente com ele serão severos com os infiéis”. Chibatada, decepação, decaptação, enforcamento, apedrejamento... recursos pedagógicos frequentemente utilizados onde predomina, plantando terror, semeando pânico. E onde predomina, perseguição inclemente a cristãos, a ateus, a ciganos... a quem quer que possua doutrina outra ou adote posturas que não se ajeitem na cor do som dos mandamentos do Alcorão.  Como pode ser comprovado o dito aqui? Fácil, observe o que ocorre no Irã, o que sucede com quem exponha uma Bíblia ou um crucifixo no Arábia Saudita, faça pregação não islâmica no Iraque ou no Paquistão, questione o islamismo na Indonésia. Veja a situação dos não islâmicos no Egito, observe o que está sendo preparado na Turquia... Não é preciso ir longe e nem observar a situação onde o islamismo predomina. Basta por olho no comportamento dos muçulmanos que habitam outros países. Nesses países, fecham-se em si e condenam o comportamento, o modo de vida da população nacional, recusam-se a aceitar, a respeitar os valores dela. Intentam impor sua crença, seus costumes para enquadrar os nativos, e depois disso tudo, vestem a máscara de vítima e alegam que não estão sendo respeitados, que não estão sendo acolhidos. No Brasil, isso não? Como não! É que aqui ainda não são tão muitos. Mas veja a ousadia! Mesmo sem possuírem expressão numérica, já se meteram a querer impedir manifestação de brasileiros, como ocorreu recentemente em São Paulo, e já deram início à plantação do jihadismo na versão estado islâmico, lembram não? E as mesquitas vão sendo brotadas, e líderes religiosos islâmicos encontram espaço em meios de comunicação para se proclamarem campeões do pacifismo, de tolerância, de convivência harmônica com as diferentes manifestações culturais. Pura lorota. Lorota canalha. E vão engabelando otários afirmando que são a favor da emancipação das mulheres, e aceitam participar em cultos ecumênicos... Você conhece algum ato de religiosos islâmicos condenando a situação a que as mulheres são submetidas nos lugares onde a doutrina deles se fez lei? Posicionando-se contra a sharia (lei islâmica) ou contra os apedrejamentos de adúlteras ou contra o enforcamento ou lançamento de homossexuais das alturas para a morte? Contra a condenação à morte de mulheres que mataram ao se defenderem de estupradores? Hem? Qual é o nome dos líderes e quais são os movimentos religiosos islâmicos que condenam os ataques oficiais do Irã, da Arábia Saudita... aos que não são muçulmanos?

Os líderes islâmicos, os muçulmanos no Brasil, na Europa, no mundo ocidental, agasalham-se debaixo da coberta do pensamento liberal, amparam-se nas constituições professantes da liberdade de culto. Liberdade de culto que, bem visto, condenam, no escondido do pensamento, na prática e na doutrina. Pois bem. Passou da hora do Brasil e de todos os países do mundo ocidental efetuarem, em breve tempo, curta modificação em suas constituições, mantendo o “sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos”, entretanto, acrescentando uma frase: com exceção do islamismo, dado seu caráter intolerante e beligerante. E que as mesquitas sejam fechadas. Mas isso não vai acontecer.

A civilização ocidental cegou-se. Cegou-se por se agarrar fanaticamente às convicções de um cristianismo, de um humanismo suicida. Um tipo de suicida homicida, pois a vítima se transforma em protagonista de seu assassinato, embalado pelo suspiro de afeto, pela condescendência com o assassino. A oração da civilização ocidental no compasso do “repudiemos a xenofobia”, “venham todos”, “não discriminemos”, “somos todos irmãos”, “vivamos a paz”, “toleremos”, “cultivemos a diversidade cultural”, “por um mundo sem fronteiras”... Enquanto no Ocidente esse estado de espírito, estampidos com cheiro de pólvora no Iraque, na Síria, na Líbia..., consequência de entrechoques por desentendimentos internos, por ataques externos. Sangue fazendo caminhos pelos chãos, edificações em arruinamento, gritos ornando horrores, noites insones, dias incendiados. Guerra sem fronteira e onde todo lugar é uma trincheira. Desabrigamento geral. Desesperados batendo em retirada. As estradas em sinfonia de milhares de pés pisando em agonia, estabanadamente; crianças famintas, sonolentas, gélidas, chorando o socorro de seus pais, e os pais na dor da impotência, irrigando com afagos sofridos o sofrimento dos filhos; velhos cansando se depositando nos caminhos, para colheita da morte; oportunistas saqueando parceiros incautos... As distâncias, o frio, a fome, o cansaço, o não saber o quê... Os valores destroçados, dignidade esfarrapada.  E os que tomaram o caminho do mar? As ondas balançando as geringonças navegantes atulhadas de gente, e a gente, em suspenso de espírito, olhando, forçando esperança no escuro da noite, no escuro do claridade solar... O céu, o infinito, o mar.

Ocidentais em acompanhamento do drama, solidarizando-se com clamor do coração, apiedando-se das personagens da tragédia, concordando com oferta de acolhimento. E as personagens da tragédia tendo apenas o corpo como bagagem, mas corpo humano abrigo de ser.  O ser, muçulmano. E o ser muçulmano se recompondo, procurando-se na calmaria da tragédia. Recomposição apoiada pela cultura dos anfitriões, adjutorada, assegurada sob a forma de direito, pela lei. As mesquitas se enchendo, espraiando-se. Os líderes islâmicos orientando, conduzindo a todos para o bem ver da ameaça representada pelos infiéis. E os diabos em cada esquina, em cada sorriso de mulher, em cada bermuda, em cada minissaia, em cada Cristo crucificado, em cada cúpula de igreja, circulando pelas ruas, fazendo-se imagem e voz na tela da televisão, grafado na escrita de ateu, dançando ao som de musica rock... O tilintar surdo do Alcorão protestando nas profundas dos ouvidos: “insubordinação contra os infiéis! Guerra aos infiéis!” Não há por onde não ser: islamismo, berço, leito, pousada de jihadista. A semente de uma guerra sem fronteira, tendo toda casa como trincheira, cruenta, sanguinária, odiosa, impiedosa no nosso mundo. E talvez, no calor dessa refrega, alguns ocidentais ainda assim se neguem, por fidelidade às convicções iluministas, aos ensinamentos do cristianismo, a entender que o islamismo é incompatível total com a nossa civilização.

03-06-17

FARSANTES?

                                                                                                                                                                       Esmeraldo Lopes

O PT é uma farsa plena. Também como poderia não ser se seu líder máximo é Lula? Lembro das lutas sindicais envolvendo Joaquinzão, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, e o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, liderado por Lula.

A questão central posta pelo Sindicato de São Bernardo e Diadema era a mobilização dos trabalhadores para lutarem por melhores salários, por melhores condições de trabalho, pelo direito de greve, “por um sindicalismo livre da tutela do Estado”. Já Joaquinzão se encastelava no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, garantindo suas sucessivas reeleições com base na manutenção e no controle de reduzido quadro de sindicalizados, na adoção de medidas assistencialistas, promoção de festas e atividades recreativas, na resolução das questões trabalhistas por meio de negociação colaboracionista com os empresários ou, em último caso, em recorrência à Justiça do Trabalho. E por isso recebeu a alcunha de PELEGO. Acercou-se, Joaquinzão, de sindicalizados despolitizados e aguerridos defensores, alimentados por medidas de simpatia, alguns pequenos privilégios e grandes elogios. E para agasalhar o estar de sua condição e de suas ações, construiu e manteve uma bela estrutura física. Recurso para a sua estruturação e manutenção dos serviços assistenciais? Dinheiro proveniente do IMPOSTO SINDICAL.

Os sindicalistas combativos miravam o Sindicato de São Bernardo do Campo e Diadema como exemplo a ser seguido e repudiavam Joaquinzão. Contra ele, formavam chapa, iam às eleições e saíram apanhados, uma vez, duas vezes, três vezes... Criaram Comissões de Fábrica, mas estas, por não contarem com o apoio do Sindicato, rastejavam sem êxito. Seus membros acusados de serem comunistas, agitadores, e o DOPS de olho neles. No clima dessa situação, Lula, trabalhadores combativos, parlamentares progressistas – como eram chamados aqueles que se posicionavam contra a Ditadura – identificaram a alavanca, o esteio da existência do sindicalismo pelego: O IMPOSTO SINDICAL. Imposto Sindical: alimentador de pelegos, de oportunistas, de traidores dos trabalhadores, fomentador da desmobilização da classe. Depois dessa constatação, inscreveram em suas bandeiras de luta, FIM DO IMPOSTO SINDICAL. 1978... Década de 1980, sindicalistas ligados ao PT, PCdoB, PCB..., sindicalistas com tendência de esquerda, começaram a ganhar eleições sindicais. E a reivindicação contra o imposto sindical sumindo, colocada em esconderijo, apagada por estrangulamento. Ele, o imposto sindical, ganhou respeito, passou a ser considerado importante, “imprescindível para luta pela emancipação da classe trabalhadora”.

O PT vira governo, muitos, muitos sindicatos correia de transmissão do governo. Os sindicalistas profissionalizam militantes, agradam os sindicalizados fiéis, esquecem as comissões e distanciam-se do chão das fábricas; alimentam-se de discursos e ilustram suas posições com bandeiras genéricas, voltadas para minorias, para defesa de interesses difusos, abstratos!... “Contra a opressão”, “reforma agrária” – mas uma reforma agrária palavra pura – “melhoria das condições de vida e trabalho”, “direito dos trabalhadores”...

No embalo do marasmo dos sindicatos, uma proposição colocada na Câmara, no Senado, pleiteando o fim do imposto sindical. Aí, o “Deus nos acuda” dos sindicalistas esquerdistas, centristas, direitistas... E eis que eles se irmanando, misturando choradeira, lambuzando suas lágrimas, acorrendo aos meios de comunicação, com faces machucadas, anunciando o fim do mundo, perseguição aos trabalhadores. E  PT, PSOL, PCdoB, PSTU, REDE... Partidos pseudo esquerda indignados com a ameaça terrorista representada pela proposta do FIM DO IMPOSTO SINDICAL. E Lula bodejando contra o desrespeito, alegando ação de desprestígio à classe trabalhadora.

De cá do meu canto eu olho o presente, viajo ao passado. Fiz coro juntando minha voz com as vozes que condenavam Joaquinzão. Mas agora, eu gostaria que os sindicalistas do presente pelo menos procedessem como ele. Não se fez exemplo merecedor de admiração. Era imobilistas, colaboracionistas, aparelhista da máquina sindical, pelego notório. Mas pelo jeito, procedia por convicção conservadora. Pelo menos não consta que recebesse dinheiro dos industriais para manietar os trabalhadores e não fez discurso a favor da corrupção. Não, não como Lula, como o PT e muitos petistas militantes e sindicalistas. Entre esses, vários estão com seus nomes inscritos em delegacias, citados em depoimentos de corruptores, grafados pela pena do Ministério Público, sentenciados por juízes. Não. Não são pelegos e são mais que farsantes. São ladrões de dinheiro, estupradores das causas, da consciência dos trabalhadores.

01/06-17

escort bayan
Júpiter.com.br - Esmeraldo Lopes - Todos os direitos reservados